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Aumento de pesquisa

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Multinacionais farmacêuticas estão investindo mais em P&D nos países emergentes. Brasil, que ocupa a 17ª colocação, precisa aproveitar essa onda

produção farmacêutica brasileira está entre os segmentos que têm conseguido sustentar crescimento na casa dos dois dígitos, passando ao largo da crise internacional e do desaquecimento interno. A taxa de aumento das vendas de medicamentos no Brasil tem sido seis vezes superior ao desempenho dos mercados desenvolvidos, segundo a Federação Internacional da Indústria Farmacêutica. Com pouco espaço para expansão em mercados mais maduros, em particular na zona do euro, as multinacionais farmacêuticas veem nos países emergentes uma saída para expandirem seus negócios e aplicarem em inovação.

Entre 2003 e 2010, as empresas investiram perto de US$ 116 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) nos países emergentes, especialmente nos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que juntos receberam mais de 90% dos recursos (US$ 106,4 bilhões), sendo que o Brasil ficou com 10% (US$ 13,3 bilhões) e a China com a maior parte (US$ 49,5 bilhões) do montante aplicado. Os Brics se tornaram alvo principal das empresas pela força de seus mercados internos, principalmente China, Índia e Brasil. Desde 2005, o fluxo de investimentos em inovação aumentou 15% para os países da América Latina e 10% para a Ásia, enquanto caiu 32% na Europa. O Brasil é a nação que mais investe em pesquisa biofarmacêutica na América Latina. Apesar de ter apenas um centro de pesquisa, conseguiu liderar junto com a China – que tem 12 centros – o número de testes clínicos realizados nos países de renda média (15% do total). Já os investimentos privados em pesquisa farmacêutica no Brasil saltaram de US$ 44 milhões, em 2005, para US$ 255 milhões em 2008. O número de testes clínicos passou de 198, em 2007, para 346 em 2010. Além disso, o País avançou três dígitos em publicações científicas entre 2000 e 2010, com mais de 12 mil artigos publicados. Segundo o Ministério da Saúde, 33% das publicações científicas brasileiras são relacionadas à saúde.

Apesar de todos esses avanços, o Brasil, sexto mercado consumidor de medicamentos do mundo, ainda ocupa apenas a 17ª posição em pesquisa clínica de medicamentos, que é a aplicação assistida das drogas em pacientes. Estudo do ViS Research Institute aponta que a participação do Brasil em estudos clínicos no mundo atinge 1,2%. A indústria farmacêutica instalada no País aplica somente 10% do faturamento em pesquisa – cerca de R$ 4 bilhões anuais –, a metade do que é colocado nos países desenvolvidos, como os EUA, que aplicam 20% todos os anos em P&D. “As ‘big pharmas’ investem no Brasil de 10% a 15% do faturamento em P&D, enquanto os laboratórios nacionais estão investindo de 5% a 7% do faturamento, um aporte expressivo, mas muito menor. O mercado brasileiro não viabiliza investimentos em pesquisa na escala das grandes empresas”, aponta o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. O executivo lembra que no ranking mundial de investimentos em P&D, divulgado recentemente pela consultoria Booz & Company, quatro laboratórios farmacêuticos (Novartis, Roche, Pfizer e Merck da Alemanha) estão nas dez primeiras posições. “Somente esses laboratórios aplicaram US$ 36,6 bilhões (R$ 65,8 bilhões) em P&D em 2011 – muito mais do que toda a receita gerada pelo mercado brasileiro de medicamentos”, enfatiza Mussolini.

Legislação burocrática

O excesso de burocracia é o que impede o Brasil de ter pesquisas e estudos clínicos em profusão. Para o presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Antônio Britto, pesquisas que poderiam ser realizadas aqui acabam no exterior pela dificuldade de aprovar os estudos no País, com prejuízo para os pacientes e cientistas brasileiros. “O Brasil leva três vezes mais tempo do que outros países para analisar e aprovar pedidos de novos medicamentos.” Em média, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) demora 640 dias para autorizar a comercialização de medicamentos, segundo a Interfarma. Dados divulgados em novembro apontavam que existiam perto de 1.900 itens à espera de autorização da Agência. Por lei, a autorização tem de ser concedida em 90 dias para novos medicamentos e em 120 dias para similares. Um medicamento leva, em média, dez anos para ser desenvolvido e apenas um em cada 10.000 compostos chega até os pacientes. Qualquer atraso no processo afeta a rentabilidade das empresas e desestimula novos investimentos no País. “Uma meta importante é a ampliação e modernização da estrutura administrativa da Anvisa, para que a análise dos pedidos de registro dos produtos seja mais ágil, permitindo que a população tenha acesso rápido a medicamentos inovadores”, observa Mussolini.

Já o tempo gasto para aprovação de uma pesquisa clínica no Brasil gira em torno de 10 a 14 meses, enquanto em países desenvolvidos o período é de três a quatro meses. “Os testes clínicos são realizados ao mesmo tempo em vários países. Como no Brasil eles demoram mais, em alguns casos, o País acaba ficando de fora dos testes”, salienta Britto. Isso faz com que o Brasil fique atrasado em relação a outras nações, argumenta o executivo da Interfarma, fazendo com que a importação de tecnologia continue aumentando. “De forma geral, há um descompasso entre o tamanho do mercado brasileiro e o volume de pesquisa realizado e os recursos envolvidos. “É ridículo o investimento na casa de US$ 250 milhões em pesquisa em relação ao tamanho do Brasil”, acentua. “Além de dinheiro, o Brasil precisa montar o mesmo tripé que sustenta os polos farmacêuticos dos países desenvolvidos, baseado na estreita colaboração entre iniciativa privada, centros de pesquisa das universidades e programas governamentais de incentivo”, acrescenta Nelson Mussolini. Para Britto, é fundamental essa união entre a pesquisa acadêmica, apoio do Estado e a iniciativa privada. “Alemanha, EUA, Coreia agem assim, com bons resultados. Existem ilhas de excelência científica no Brasil, mas elas não se conversam e nem se integram com a iniciativa privada”, explica o executivo.

Outro aspecto apontado por Mussolini que onera as empresas e acaba prejudicando o desenvolvimento de P&D no Brasil diz respeito à legislação que fixa preços e reajustes dos medicamentos. “Não podemos continuar convivendo com uma lei que penaliza os ganhos de produtividade. Os investimentos em P&D dependem de uma correta remuneração da inovação”, salienta Mussolini, lembrando que também estão em pauta medidas de fortalecimento do Complexo Industrial da Saúde, especialmente as parcerias para a produção no País de medicamentos e vacinas. “Pouco importa a origem de capital dos parceiros, se são nacionais ou estrangeiros; o importante é que a pesquisa e o desenvolvimento dos produtos sejam feitos no Brasil.” Some-se a isso a necessária e urgente reversão da alta carga tributária que incide sobre os medicamentos, que, segundo o executivo, continua sendo um dos principais desafios do setor. “É um completo absurdo que os impostos representem mais de um terço do preço final dos medicamentos (33,9%), enquanto a média mundial de tributação do produto é de 6,3%”, afirma o presidente do Sindusfarma.

Linha de produção


O Brasil precisa avançar rápido na vanguarda da produção farmacêutica, apontam os analistas do setor. “Como se sabe, a indústria farmacêutica internacional está investindo pesadamente nos produtos biotecnológicos, com alteração celular, que demandam pesquisas ainda mais caras. E o Brasil, que já ‘perdeu o bonde’ da síntese química nos anos de 1970, não pode deixar a oportunidade escapar desta vez”, sustenta Nelson Mussolini. Nesse aspecto, houve algumas sinalizações positivas do Executivo federal. O financiamento de P&D na indústria farmacêutica, via recursos oficiais como Profarma, Finep e Fapesp, tem aumentado. Estima-se que cerca de R$ 2 bilhões já tenham sido investidos no setor por meio do Profarma. Em 2012, como parte do Plano Brasil Maior, o governo anunciou um novo pacote de incentivos para produção local de biossimilares. Ele prevê que os biossimilares brasileiros possam ser comprados pelos órgãos e empresas do governo federal com valores 25% acima do custo previsto nos primeiros anos de produção. Já o Programa de Investimento no Complexo Industrial da Saúde deverá receber R$ 2 bilhões até 2014 para desenvolvimento e produção de medicamentos.

Além desses pacotes, o governo assinou no final de outubro cerca de 20 parcerias com laboratórios privados para produzir 19 medicamentos e duas vacinas (tetraviral, contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora, e outra contra hepatite A) que devem ser oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os acordos envolvem transferência de tecnologia e abrangem 17 laboratórios privados e 12 públicos, que vão fabricar medicamentos para 11 tratamentos diferentes, desde câncer, asma, mal de Parkinson, esclerose múltipla, endometriose, enfermidades psiquiátricas, até doenças imunológicas (como a Aids) e sanguíneas (como a hemofilia). As parcerias preveem também a produção de produtos biológicos, usados para combater problemas crônicos. Com os acordos, o governo acredita que poderá haver redução de quase cinco vezes no preço dos medicamentos praticado atualmente pelo mercado.

Atuação no Brasil


As empresas também estão apostando na inovação e na vanguarda farmacêutica. É o caso da Bristol-Myers Squibb, que desde 2007 mudou de estratégia para se tornar uma empresa biofarma, focada em pesquisa e desenvolvimento em seis áreas terapêuticas principais – oncologia, virologia, cardiologia, imunologia, diabetes e sistema nervoso central. Entre as áreas promissoras de pesquisa está o campo da imuno-oncologia, que representa uma abordagem inovadora para os tratamentos de câncer, buscando aproveitar o próprio sistema imunológico do corpo para combater as células tumorais. Um exemplo nesta área é o medicamento Yervoy (ipilimumabe) para melanoma metastático e inoperável. O medicamento, comercializado nos EUA, União Europeia e Austrália, já está aprovado pela Anvisa e deve ser lançado no Brasil no início de 2013, segundo a Bristol. “A estratégia focada em biofármacos nos posiciona muito bem para o futuro”, afirma o presidente da Bristol-Myers Squibb do Brasil, Gaetano Crupi. “Hoje a empresa conta com mais de 60 moléculas em desenvolvimento, sendo um terço delas biológicas. Em 2011, 14 novas moléculas entraram em desenvolvimento pré-clínico e quatro passaram para o estágio intermediário de estudos clínicos, com investimento total de US$ 3,8 bilhões. Cerca de 30% dos nossos 27 mil funcionários em todo o mundo se dedicam a pesquisa e desenvolvimento.” Considerado um mercado estratégico para a Bristol, o Brasil integra as principais pesquisas clínicas para desenvolvimento de drogas inovadoras, com a participação de 131 instituições de saúde em cerca de 40 estudos em 2012. O valor de investimento em P&D para o Brasil até o final de 2012 atingia mais de US$ 5 milhões para o desenvolvimento clínico de 16 moléculas.

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