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Crescimento moderado em 2013

crescimento-moderado-em-2013.jpgPaís deverá crescer entre 3% e 4% no ano, superando o baixo resultado de 2012. Indústria poderá acompanhar o ritmo, atingindo algo em torno de 3,5% de elevação, variando segundo o segmento. As expectativas são de que o canal farma tenha aproximadamente 10% de aumento

Depois de um primeiro semestre patinando, a economia brasileira abriu a segunda metade de 2012 com crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB), que apresentou crescimento perto do zero no primeiro semestre, voltou a crescer no segundo, devendo fechar o ano entre 1,5% e 1,6% de aumento. O Boletim Focus, do Banco Central, que reúne projeções do mercado, aponta crescimento de 1,52%. Seja qual for a variação decimal do índice, é pouco pelas necessidades brasileiras, mas sugere certo alívio, segundo alguns economistas, tendo em vista o cenário econômico mundial adverso, provocado, sobretudo, pela crise da União Europeia e reação ainda tímida da economia dos EUA e pelo crescimento econômico muito reduzido ou negativo nos países desenvolvidos em geral. Some-se a isso, no âmbito interno, a concorrência forte com os produtos importados, estimulada pela taxa de câmbio reduzida no primeiro semestre, e o baixo nível de investimento, problema crônico do Brasil. “Deveríamos receber, pelo menos, entre 20% e 25% de investimento em relação ao PIB, mas o índice está na casa dos 17%, 18%. É muito pouco para as nossas necessidades”, afirma o presidente do Conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), Claudio Felisoni de Angelo. Como consequência desse cenário, a indústria encolheu em 2012. No balanço geral, deve fechar o ano com retração de 0,5%, passando a representar 14% do PIB, contra 14,6% que figurava em 2011.

 

 

Incentivo à economia

Para reverter a tendência de queda, acentuada em determinados setores industriais, o governo lançou mão de uma série de medidas de estímulo à atividade econômica. Adotou uma política monetária expansionista, por meio da redução de 5,25% na taxa de juros Selic entre agosto de 2011 e outubro de 2012. Nesse período, a Selic caiu de 12,5% para 7,25%. Aliado a isso, adotou a redução dos spreads bancários das instituições financeiras públicas federais, bem como a desoneração tributária de alguns setores. Houve reduções de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito para pessoa física, desoneração da folha de pagamentos, diminuição de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e zeragem da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), além de desonerações sobre encargos da eletricidade e sobre material de construção e bens de capital. Isso tudo proporcionou um estímulo ao consumo.

Pode-se considerar que a elevação de 1,5% da produção industrial no início do segundo semestre de 2012, após queda de 3,6% no primeiro, foi consequência das medidas adotadas pelo governo. Segundo analistas econômicos, as políticas adotadas têm apresentado resultados pontuais, mas que não se sustentam no longo prazo. “Apostar apenas no consumo das famílias não resolve, mesmo porque ele já apresenta sinais de não ter tanto fôlego assim”, avalia. “É preciso estimular os investimentos na produção visando o desenvolvimento sustentável e não apenas tópico.” A política adotada diz respeito ao reaquecimento da economia via demanda – consumo das famílias –, mas isso pode provocar problemas, salienta o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Carlos Luxo. “A desvantagem dessa postura é que a desoneração tributária provocará uma renúncia fiscal estimada em R$ 35 bilhões anuais, e isso pode induzir o governo a fazer uma redução do superávit primário, que é a diferença entre a arrecadação tributária (receitas) e as despesas primárias (gastos do governo).” O superávit primário é utilizado para pagamento dos juros da dívida pública. Como consequência, a relação dívida pública sobre o PIB terá elevação, ou seja, a dívida pública deve subir.

O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Daniel Keller, acredita que as medidas oficiais adotadas são muito tímidas para os desafios de um crescimento sustentável, mas destaca que a redução da taxa de juros na intensidade em que ocorreu foi importante. “Talvez esse seja o grande mérito do governo. Pode contribuir de forma significativa para a criação de um mercado de crédito com prazos mais longos, que vai além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa”, avalia.

 

Empregabilidade no Brasil

Outro dado positivo diz respeito aos números do mercado de trabalho. Apesar da queda da economia, o desemprego não se elevou nos últimos anos, tendo fechado 2011 com uma das taxas mais baixas já registradas, 6%. Melhorou também a distribuição de renda e o rendimento do trabalhador. “Contudo, caso não haja uma expectativa positiva de demanda por parte dos empresários, a influência da taxa de juros sobre o produto pode não ser substancial. O mesmo pode ser dito acerca das reduções específicas de impostos. Cabe ressaltar que, neste caso, também existe uma contribuição no sentido de reduzir a taxa”, pontua Keller. A projeção de inflação para 2012 do Boletim Focus, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu, passando de 5,46% para 5,45%, ainda assim longe do teto da meta, de 4,5%. Alguns economistas alertam que a política expansionista do consumo e do crédito aliada à baixa taxa de desemprego podem pressionar a inflação. “Pode ocorrer esse aumento. Porém, a pressão sobre os preços deve ser relativa, tendo em vista a estagnação mundial, o baixo crescimento brasileiro e a folga no grau de utilização da capacidade instalada”, opina o consultor do Iedi. Já a previsão para a Selic de 7,25% em 2012 é a mesma projetada para o ano seguinte.

Para 2013, espera-se um crescimento maior, mas nem tanto: cerca de 4%, nas previsões otimistas do governo ou na casa dos 3% na visão do mercado e de alguns economistas, como Daniel Keller. “O Brasil deve permanecer entre os países emergentes que menos avançam. Produção industrial deve expandir pouco, algo em torno de 3,5% ao longo do ano. Já a taxa de desemprego deve se reduzir de forma suave e manter os baixos patamares. O consumo estará um pouco aquecido e a inflação em torno de 5%.”

 

Para o novo ano

Especialistas acreditam em crescimento modesto para 2013, porém os paradigmas podem mudar. “O aumento do PIB tende a ser na casa dos 3%, há espaço para atuação do governo, mas em menor medida se considerar as armas usadas até agora. O consumo vai continuar a crescer, mas de maneira mais modesta – ao invés dos 7,5% dos últimos anos, deve subir 6%, contido pela inadimplência. Talvez os estímulos possam vir mais orientados para o investimento”, analisa o professor da FIA.

Apesar de perder um pouco o fôlego, de forma geral os analistas acreditam que o consumo doméstico continuará sendo o principal indutor da economia brasileira em 2013, mesmo porque o cenário externo não é dos mais promissores. A economia global ainda se ressentirá da crise europeia e da lenta recuperação dos EUA, com efeitos na América Latina e no Brasil. “Diversos países europeus devem permanecer em recessão ou estagnados. Os resultados, porém, serão melhores do que os obtidos em 2012, com tendência para a estagnação”, avalia Daniel Keller, que acredita que os EUA terão um crescimento econômico positivo, mas fraco. Já a China deve permanecer expandindo de forma acentuada para padrões internacionais em 2013, por volta de 8%. “Os efeitos totais sobre a economia brasileira não serão positivos, mas, por outro lado, não serão catastróficos. O Brasil pode crescer de forma razoável se concentrar esforços no mercado interno, na recuperação da produção industrial e no desenvolvimento efetivo de projetos de infraestrutura de grande porte”, pondera.

Um oásis

A produção farmacêutica brasileira está entre os segmentos que têm conseguido sustentar crescimento na casa dos dois dígitos, apesar da crise internacional. Ao longo dos últimos anos, a taxa de crescimento das vendas de medicamentos no Brasil tem sido seis vezes superior ao desempenho dos mercados desenvolvidos, segundo a Federação Internacional da Indústria Farmacêutica. A taxa média de expansão gira em torno de 13% ao ano, enquanto nos países ricos não chega a 2%. Em 2011, o faturamento da indústria farmacêutica brasileira apresentou forte elevação –18,7% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 44 bilhões. Em 2012, com a estagnação de boa parte da indústria, cresceu perto de 10%, atingindo R$ 48,4 bilhões (dados até setembro – os números fechados do ano ainda estão sendo consolidados). Em unidades, o setor deve atingir 2,5 bilhões de caixas comercializadas, contra 2,3 bilhões vendidas em 2011. Apesar dos bons resultados, houve uma queda na margem das empresas, lembra o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. “O setor manteve a tendência de crescimento de mercado dos últimos anos, mas experimentou uma queda de rentabilidade, provocada pela elevação de custos em várias frentes, como o aumento dos gastos com matérias-primas, majoritariamente importadas, que subiram por causa da variação cambial e do reajuste de preços em dólar”, destaca Mussolini.

Também entram na conta do presidente do Sindusfarma o reajuste de tarifas, como da eletricidade e de outros insumos, a concessão de reajustes salariais acima da inflação e os gastos maiores com a gestão fiscal resultantes da adoção de mecanismos como a substituição tributária. “De todo modo, o saldo foi positivo. Além de conquistar novos consumidores das classes C, D e E, a indústria farmacêutica se beneficiou do quadro de pleno emprego experimentado atualmente no País. Essa situação leva as pessoas a cuidar melhor da saúde e consultar médicos com mais frequência, o que naturalmente eleva o número de prescrições médicas, estimulando o mercado de medicamentos”, pondera Mussolini. De fato, Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada recentemente, mostra que medicamentos e planos de saúde respondem por 80% dos gastos com saúde do brasileiro. A parcela dos medicamentos nos gastos subiu de 44,9%, em 2003, para 48,6%, em 2009, ano base do estudo. Segundo analistas do setor, a melhora da renda e o envelhecimento da população explicam essa elevação, sem contar as políticas públicas de distribuição de medicamentos em postos de saúde e no âmbito do programa Farmácia Popular.

Em 2013, o desempenho da indústria farmacêutica vai depender de fatores internos e externos, na visão do presidente do Sindusfarma. “No front (frente) doméstico, dois aspectos fundamentais serão o nível de emprego e a continuidade do processo de aumento de renda da nova classe média. No cenário internacional, o desdobramento da crise será determinante. Se a economia global alcançar uma situação de relativa estabilidade, os laboratórios farmacêuticos terão mais confiança para realizar os investimentos necessários à evolução do mercado de medicamentos”, afirma Mussolini. No âmbito interno, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) divulgado em setembro de 2012 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontava que o setor, de forma geral, apesar dos percalços recentes, mostrava-se otimista para o próximo ano, com índices superiores a 50 pontos. Em outubro, houve uma pequena queda, mas a maioria das indústrias esteve confiante. Já a indústria farmacêutica se mostrou a mais otimista de todos os segmentos consultados, com índice de 62 pontos. “O ramo farmacêutico é um dos segmentos industriais com melhor desempenho nos últimos anos. Este é um segmento distinto da média da indústria devido, entre outros fatores, à inclusão de milhões de novos consumidores”, avalia Daniel Keller, do Iedi. Já Mussolini relaciona esse dado com o potencial do mercado brasileiro, que é visto como ascendente no cenário mundial. “Diante da continuidade da crise nas principais economias – Europa e EUA registram números de crescimento muito pequenos –, que mercados crescem nesse contexto? China e Brasil, sendo que, ao contrário do país asiático, aqui existe um sistema universal de saúde que tem no Estado um grande comprador”, observa o executivo.

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