Receba nossa news

  •  
  •  
Você está aqui: Home Suplementos Especiais Fito Fito 2013 Fitoterápicos: crescer e aparecer

Fitoterápicos: crescer e aparecer

shutterstock 57339592
Setor mantém crescimento anual de dois dígitos, mas tem o desafio de se fazer mais conhecido pela população brasileira

A economia brasileira voltou a crescer, ainda que lenta e timidamente, a partir do segundo semestre de 2012. Apesar do "pibinho" (Produto Interno Bruto) na casa de 1% registrado no ano passado, o País entrou em 2013 com perspectivas de fechar o exercício entre 3% e 4% de crescimento, impulsionado pelas medidas de estímulo da economia adotadas pelo governo nos últimos meses. Para isso conta também com os bons resultados do mercado de trabalho. Mesmo com a queda da economia, o desemprego não se elevou, fechando 2012 com uma das taxas mais baixas já registradas, 5,5%. Melhorou também a distribuição de renda e o rendimento do trabalhador. Além disso, a taxa de juros sofreu queda histórica no Brasil, atingindo 7,25% e devendo se manter nesse patamar ao longo deste ano, oxigenando a economia com crédito mais barato.

Mesmo que a indústria em geral tenha sentido a queda da economia brasileira e a crise internacional, alguns ramos conseguiram absorver melhor as adversidades e mantiveram em alta as vendas. A produção farmacêutica nacional está entre os segmentos que têm conseguido passar ao largo da crise e sustentar crescimento na casa dos dois dígitos. Ao longo dos últimos anos, a taxa de elevação das vendas de medicamentos no Brasil tem sido seis vezes superior ao desempenho dos mercados desenvolvidos, segundo a Federação Internacional da Indústria Farmacêutica. A taxa média de expansão gira em torno de 13% ao ano, enquanto nos países ricos não chega a 2%. Em 2011, o faturamento da indústria farmacêutica brasileira apresentou forte elevação – 18,7% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 44 bilhões. No ano passado, cresceu perto de 12%, chegando a R$ 49 bilhões. Em unidades, comercializou perto de 2,5 bilhões de caixas, contra 2,3 bilhões vendidos em 2011.

O setor de medicamentos fitoterápicos acompanhou o movimento da indústria farmacêutica como um todo e também cresceu na casa dos 12%, mantendo a elevação das vendas dos últimos anos, sempre acima de dois dígitos. A informação é da Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico, Suplemento Alimentar e de Promoção da Saúde (Abifisa). Vale observar, contudo, que o resultado do ano passado ocorreu sobre uma base elevada, pois entre 2011 e 2012 o crescimento das vendas de fitoterápicos superou a casa dos 25%. Atualmente, o setor de medicamentos fitoterápicos representa 3% do mercado farmacêutico total no Brasil, com faturamento da ordem de US$ 1 bilhão. "De maneira geral, o crescimento dos fitoterápicos no Brasil acompanhou o avanço da indústria farmacêutica no ano passado e se manteve no patamar médio de aumento de anos anteriores", afirma o diretor-presidente da Abifisa e presidente do Bionatus Laboratório Botânico, Elzo Velani. Segundo o executivo, no ano passado não houve surpresa nas vendas que merecesse uma nota especial em relação ao mercado de fitoterápicos, salvo a tendência de ampliação das compras governamentais. "As empresas continuam lançando medicamentos novos e inovando nos antigos. O fato relevante é que as licitações com fitoterápicos têm crescido bastante. Atualmente, 12 medicamentos fitoterápicos podem ser obtidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as secretarias de saúde dispõem de verba federal para essas compras", completa Velani.

Combinações de fatores têm impulsionado o setor, na avaliação da gerente de marketing Institucional e Consumo da Herbarium, Célia Dias von Linsingen. "O varejo tem ampliado o interesse no setor de fitoterápicos, buscando selecionar as marcas mais representativas da categoria, capacitando sua equipe de vendas e otimizando a exposição nas gôndolas, pois percebe a oportunidade de mercado que o segmento oferece", enfatiza. "Além disso, ocorre também a procura crescente dos consumidores por fitoterápicos e suplementos nutricionais, movidos pelo maior conhecimento dos benefícios desses produtos e pela busca mais intensa por prolongar a juventude, mantendo a saúde e a qualidade de vida", completa a executiva. Segundo a Hypermarcas, fitoterápico é um mercado que possui grande espaço para crescimento e investimentos. "Acreditamos que a nova resolução 546 do Conselho Federal de Farmácia (CFF), permitindo que o farmacêutico recomende fitoterápicos e plantas medicinais isentos de prescrição, estimulará bastante o crescimento do produto", revela a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa. Também a Natulab, que tem apostado desde sua origem no mercado de medicamentos fitoterápicos, vê o segmento com boas perspectivas. "O momento atual é bastante animador tendo em vista o aumento do consumo desse tipo de produto, enquanto se elevam a qualidade e a padronização dos medicamentos disponíveis ao consumidor", afirma o presidente da empresa, Marconi Sampaio,

Falta de informação impede crescimento maior no Brasil

Em termos globais, o mercado de fitoterápicos movimenta anualmente cerca de US$ 20 bilhões e é um segmento em ascensão, principalmente pelo interesse das pessoas por mais qualidade de vida. Dados da consultoria Global Industry Analysts indicam que esse setor, que utiliza plantas como matéria-prima (incluindo, além de medicamentos, alimentos e cosméticos), deve atingir US$ 93 bilhões em 2015. Hoje em dia, perto de 80% da população europeia consome medicamento fitoterápico, assim como mais de 40% da dos países asiáticos. Já no Brasil, apesar do crescimento expressivo registrado nos últimos anos, estima-se que apenas 10% das pessoas consumam esse tipo de produto. Em parte, isso se explica pelo fato de o mercado brasileiro de fitoterápicos ainda ser recente em comparação aos europeus e asiáticos, que consomem o produto há muitos anos. "Uma faixa considerável da população brasileira, infelizmente, ainda não tem conhecimento dos enormes benefícios dos medicamentos fitoterápicos, principalmente em relação ao baixo índice de efeitos colaterais e reações adversas", observa Elzo Velani. "Outro fator importante é que as prescrições médicas desses compostos ainda são inferiores às dos países desenvolvidos. Contudo, esse cenário aos poucos está mudando, uma vez que com a introdução dos fitoterápicos nos tratamentos oferecidos pelo SUS muitos médicos estão começando a prescrevê-los", destaca Velani.

RELAÇÃO DE FITOTERÁPICOS OFERTADOS NO SUS

Nome popular

Nome científico

Indicação

Espinheira-santa

Maytenus

ilicifolia

Auxilia no tratamento de gastrite e úlcera duodenal e sintomas de dispepsias.

Guaco

Mikania

glomerata

Apresenta ação expectorante

e broncodilatadora.

Alcachofra

Cynara

scolymus

Tratamento dos sintomas de dispepsia funcional (síndrome do desconforto

pós-prandial) e de hipercolesterolemia leve a moderada. Apresenta ação colagoga e colerética.

Aroeira

Schinus

terebenthifolius

Apresenta ação cicatrizante, anti-inflamatória e antisséptica tópica,

para uso ginecológico.

Cáscara-sagrada

Rhamnus

purshiana

Auxilia nos casos de obstipação intestinal eventual.

Garra-do-diabo

Harpagophytum procumbens

Tratamento da dor lombar baixa aguda e como coadjuvante nos casos de osteoartrite. Apresenta ação anti-inflamatória.

Isoflavona-de-soja

Glycine max

Auxilia no alívio dos sintomas do climatério.

Unha-de-gato

Uncaria tomentosa

Auxilia nos casos de artrites e osteoartrite. Apresenta ação anti-inflamatória
e imunomoduladora.

Hortelã

Mentha x piperita

Tratamento da síndrome do cólon irritável. Apresenta ação antiflatulenta

e antiespasmódica.

Babosa

Aloe vera

Tratamento tópico de queimaduras de 1º e 2º graus e como coadjuvante nos casos de psoríase vulgaris.

Salgueiro

Salix alba

Tratamento de dor lombar baixa aguda. Apresenta ação anti-inflamatória.

Plantago

Plantago ovata Forssk

Auxilia nos casos de obstipação intestinal habitual. Tratamento da síndrome do cólon irritável.

Segundo o diretor do departamento de assistência farmacêutica e insumos estratégicos (DAF) do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento Júnior, embora alguns médicos ainda se mostrem reticentes, outros têm interesse em fitoterapia. "Para aumentar a adesão é preciso mostrar aos médicos os estudos publicados e as evidências de segurança e eficácia de plantas medicinais e dos fitoterápicos. Nesse sentido, este ano o DAF deve promover a segunda turma do curso de Fitoterapia para Médicos do SUS, disponibilizando em torno de 400 vagas." Visando impulsionar o setor, o Ministério da Saúde criou, em 2007, o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, com a disponibilização inicial, pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, da Maytenus ilicifolia (espinheira-santa), utilizada no tratamento de úlceras e gastrites, e da Mikania glomerata (guaco), indicada para os sintomas da gripe. Atualmente há uma dúzia de medicamentos fitoterápicos oferecidos na rede pública de saúde para dores, inflamações, disfunções e outras doenças de baixa complexidade. No ano passado, o programa recebeu R$ 6,7 milhões de incentivo para serem aplicados na aquisição de equipamentos e materiais, contratação de pessoal e qualificação técnica de agentes produtivos de plantas medicinais e fitoterápicos. De acordo com Nascimento Júnior, o DAF implementou ações consideradas estruturantes no âmbito do programa, como a inclusão de medicamentos fitoterápicos no elenco da Assistência Farmacêutica Básica, e posteriormente, na Rename, para financiamento de municípios, Estados e União.

Apesar das ações de incentivo do governo, ainda falta um componente fundamental na opinião do presidente da Abifisa: comunicação. "Grande parte das secretarias de saúde dos municípios brasileiros ignora totalmente a existência do programa federal de fitoterápicos e um número muito pequeno de cidades coloca os 12 fitoterápicos nos editais de licitação pública para a compra de medicamentos", sustenta Elzo Velani. Segundo o executivo, uma parte do valor investido pelo Ministério da Saúde deveria ser direcionada a informar as secretarias de saúde que os fitoterápicos podem ser adquiridos financiados por verba federal. "O Ministério da Saúde deveria criar um departamento de comunicação, inclusive com informativos pela TV aberta nacional, para que todos os municípios do País saibam que existe verba para a compra de medicamentos fitoterápicos", salienta o presidente da Abifisa.

Além de incentivar o consumo de fitoterápicos, o País precisa, na outra ponta, estimular o uso de insumos oriundos da rica biodiversidade brasileira. Atualmente a maioria dos extratos vegetais que originam os fitoterápicos consumidos no Brasil é proveniente da Europa e da Ásia. Os princípios ativos mais comercializados hoje são de origem estrangeira: ginkgo biloba, valeriana, castanha-da-índia, entre outros. "Tudo é uma questão de demanda e interesse", pondera Elzo Velani. "Apesar da imensa biodiversidade brasileira, poucos agricultores ou empresas agrícolas se entusiasmam em entrar no setor de produção de insumos vegetais para transformá-los em extratos padronizados." Isso acontece, segundo Velani, devido a dois fatores principais: a demanda por medicamentos fitoterápicos é ainda baixa no País e para se chegar a um medicamento fitoterápico novo as empresas são obrigadas a cumprir um extenso rito regulatório imposto pelos órgãos oficiais, principalmente no que se refere ao controle de qualidade e segurança e ensaios clínicos até a fase IV para atestar a eficácia terapêutica.

De forma geral, os medicamentos fitoterápicos são indicados para doenças de baixa complexidade e recorrentes. Sendo assim, os compostos mais promissores são aqueles para o tratamento de problemas bronco-respiratórios e de origem gástrica. "Nesse quadro, os princípios ativos nacionais, como guaco e espinheira-santa, já são os mais explorados atualmente e também os mais promissores pelas características de tratar doenças recorrentes", revela Elzo Velani. "Os medicamentos fitoterápicos no Brasil são tão seguros e eficazes quanto os alopáticos sintéticos, e transmitir aos médicos prescritores esta realidade deve ser o grande desafio para este e para os próximos anos", completa o presidente da Abifisa.

Sites do Grupo

logo-contento
logo site

Contate-nos

1396561723 social facebook box blue   1396561730 social twitter box blue   1396561765 youtube

Guia da Farmácia: Revista dirigida aos profissionais de saúde
Rua Leonardo Nunes, 198
Vila Clementino – CEP 04039-010
São Paulo – SP


Telefone (11) 5082-2200
comunicacao@contento.com.br