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Consumo responsável

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Uso dos medicamentos de venda livre pode ser feito de forma eficaz e segura. Basta o paciente seguir algumas recomendações básicas

Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os medicamentos isentos de prescrição (MIPs) – conhecidos internacionalmente pela sigla em inglês OTC, de over-the-counter – como substâncias aprovadas pelas autoridades sanitárias para tratar sintomas e males menores, disponíveis sem prescrição ou receita médica, desde que utilizados conforme as orientações disponíveis nas bulas e rotulagens. Mas isso não quer dizer que não tenham riscos ou que os pacientes prescindam de orientação para utilizá-los. Nesse caso, como não existe consulta médica, a referência para o consumidor é conversar com o farmacêutico para adquirir o medicamento adequado em relação aos sintomas descritos. Isso evita que o paciente use incorretamente determinado medicamento, como é o caso do ácido acetilsalicílico por uma pessoa com suspeita de dengue, que amplia o risco de hemorragia. “O farmacêutico, além de conhecer a ação do medicamento, presta um serviço essencial para a saúde do paciente ao ouvir suas queixas. Dependendo do relato, antes de propor o uso de qualquer medicamento, ele o encaminha ao médico”, afirma José Luis Maldonado, assessor técnico do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

O profissional de farmácia fornece a orientação necessária sobre a terapêutica, a forma de tomar o medicamento, explicando, por exemplo, a importância de tomá-lo no horário e na dose certos. Previne ainda sobre as possíveis interações e reações indesejáveis do medicamento. “Alguns pacientes afirmam que o uso dos MIPs é normal e frequente para problemas menores, como dor de cabeça ou enjoo. Nós, farmacêuticos, temos conhecimento para afirmar que o uso de qualquer tipo de substância inclui riscos, que vão desde a interação com outro medicamento, com a  possível nulidade do efeito desejado, até uma intoxicação grave. Por isso é preciso atenção por parte do usuário”, enfatiza José Luis Maldonado. Outra atitude fundamental que o paciente deve ter é sempre ler atentamente a bula. O conjunto de ações que envolvem informação prévia e orientação de profissionais sobre uso correto dos MIPs se convencionou chamar de automedicação responsável. Em 2001, o CFF, ao aprovar a Resolução 357, que estabelece o regulamento técnico das Boas Práticas de Farmácia, conceituou a automedicação responsável como o uso de medicamento não prescrito sob a orientação e acompanhamento do farmacêutico.

“Automedicação só pode ser considerada responsável se um farmacêutico for consultado, para que seja adquirido o medicamento mais indicado em relação aos sintomas descritos, levando em consideração os que já vêm sendo utilizados”, resume Rosany Bochner, coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz. “Infelizmente, o brasileiro não está esclarecido sobre isso ao utilizar os MIPs. A presença do farmacêutico nas farmácias deve ser exigida pelos consumidores”, assevera. Para uma automedicação segura, em que o cidadão exerce seu direito de atuar sobre a própria saúde sem correr riscos, algumas regras básicas devem ser seguidas. Entre elas, fazer uso de medicamentos de venda livre apenas para pequenos males ou sintomas menores, já diagnosticados ou conhecidos; usar apenas MIPs e não outros tipos de medicamentos; ter cuidado para não usá-los indevidamente com outros; ler atentamente as informações das embalagens e das bulas; consultar a validade do produto; e parar imediatamente de tomar o medicamento se os sintomas persistirem ou se aparecerem reações adversas, buscando a ajuda de um médico. Segundo José Luis Maldonado, o Brasil tem um problema cultural – qualquer pessoa acha que sabe um pouco (ou muito) sobre medicamentos. “Se determinado medicamento tem o efeito desejado para a dor de cabeça de uma vizinha, não quer dizer que ele fará o mesmo efeito a todos que optarem pelo seu uso. A dor de cabeça pode ser, por exemplo, sintoma de uma doença grave, sequela de meningite, AVC, foco epileptógeno, tumor, ou de algum outro problema que só pode ser diagnosticado por exames médicos”, diz o assessor técnico do CFF.

“Sinceramente não acho que exista automedicação responsável no Brasil, por vários motivos”, adiciona Cassyano J. Correr, professor da Universidade Federal do Paraná. Na base de tudo, segundo o professor, está o nível educacional do brasileiro e isso não tende a mudar pelas próximas décadas. “A forma de manter MIPs no mercado de forma segura do ponto de vista da saúde pública é fazer um esforço para que a informação sobre esse tipo de medicamento chegue ao paciente no momento certo, de forma simples e direta”, salienta Correr. “Só chegaremos a isso quando o sistema de gerenciamento de produtos alcançar todos os medicamentos tarjados e nenhum deles mais sair da farmácia sem receita. Também quando as informações estiverem disponíveis de forma clara na embalagem do medicamento, com indicações, posologia e contraindicações, no mínimo. Por último, quando os balconistas forem definitivamente proibidos e penalizados pela indicação de qualquer medicamento no balcão da farmácia. Antes dessas três coisas acontecerem tudo mais será apenas paliativo.”

“Pesquisas indicam que cerca de 90% dos indivíduos que vão às farmácias sabem o que compram no momento em que decidem por um produto”, contrapõe Aurélio Villafranca Saez, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip). O executivo também explica por que defende outra abordagem para a automedicação responsável. “Estamos abolindo essa frase porque ela ganhou uma conotação negativa no Brasil. Ficou associada ao ato de tomar antibiótico sem receita. Em outros países esse conceito é assim chamado porque foi assimilado pelas pessoas. Defendemos no Brasil o uso responsável do medicamento. E o que isso quer dizer? Que o usuário tem de conhecer o produto, saber qual a dose exata que ele deve tomar e, principalmente, consultar um médico para saber especificamente do que ele precisa caso tenha alguma dúvida. Por exemplo, se o paciente não consegue reconhecer exatamente a dor que sente ou se os sintomas não desaparecem, o caso deve ser levado ao médico.”

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