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MIPs 2016

Automedicação e autocuidado, o que os difere

comceito 15066Para alguns especialistas, são conceitos distintos, sendo que o cuidado individual vai além de se automedicar. Outros veem semelhanças e riscos de uso indiscriminado de medicamentos 

Tomar medicamento por conta própria pode ser uma prática responsável, em que o indivíduo tem conhecimento do seu organismo, e pode ser feita de forma eficaz e segura. Mas para que isso ocorra, é preciso entender que nem todos os medicamentos podem ser tomados e mesmos o que são de venda livre envolvem riscos e carecem de orientação. 

Um dos aspectos a ser compreendidos é que Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) são eficazes para o alívio de sintomas e males menores, mas não são indicados para tratamentos que visam cura ou controle de doenças de longa duração ou de maior gravidade. Eles devem ser utilizados conforme as orientações disponíveis nas bulas e rotulagens e, em caso de dúvida, a orientação do farmacêutico é fundamental. 

Por conta da confusão que algumas pessoas fazem e de anos com controle não muito rigoroso da venda de medicamentos sob prescrição, gerando problemas, como intoxicação medicamentosa e resistência a antibióticos, a ideia de automedicação se tornou sinônimo de tomar medicamento de forma indiscriminada, errada e perigosa.

“O termo automedicação é utilizado no Brasil de uma maneira diferente do resto do mundo. Aqui, ele é confundido com a autoprescrição, que é a prática incorreta de comprar e utilizar medicamentos tarjados sem a receita de um médico. Por isso, definimos a utilização responsável dos MIPs como sendo uma prática de autocuidado, que está alinhada com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, afirma a vice-presidente executiva da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Marli Martins Sileci. 

“Automedicação consiste no uso, sem a indicação de um médico, de medicamentos que requerem prescrição. Não é um uso racional, pois o paciente corre o risco de errar a posologia e a indicação, entre outros parâmetros”, salienta o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Antônio Britto. “Já a automedicação responsável, ou autocuidado como preconiza a OMS, consiste no uso de MIPs. Com apoio do farmacêutico, o paciente pode escolher o medicamento mais adequado aos seus sintomas.”

Terminologia correta

Para fazer a distinção com a automedicação equivocada, a Abimip passou a utilizar em seus comunicados o conceito de autocuidado da OMS, que envolve não apenas o consumo de medicamentos, mas de um tratamento multidisciplinar e diz respeito ao conhecimento que o indivíduo tem de seu organismo. “Autocuidado trata da forma como a população estabelece e mantém a própria saúde e como previne e lida com as doenças”, diz Marli. Segundo ela, o conceito é amplo e envolve questões fundamentais, como higiene (geral e pessoal), nutrição (variedade e qualidade dos alimentos ingeridos), estilo de vida (atividades esportivas, lazer), fatores ambientais (condições de moradia, hábitos sociais) e socioeconômicos (nível de renda, crenças culturais), além do uso responsável de MIPs. 

“A Abimip acredita que, a fim de que o autocuidado seja pleno e o consumo de MIPs, consciente e seguro, o consumidor deve estar bem informado para que exerça plenamente seu direito de decisão”, diz a vice-presidente da Abimip. Segundo ela, a associação desenvolveu quatro regras ao uso responsável dos MIPs: cuidar sozinho apenas de pequenos males ou sintomas menores, já diagnosticados ou conhecidos; escolher somente MIPs, de preferência, com a ajuda de um farmacêutico; ler sempre as informações da embalagem do produto antes de tomá-lo; e parar de tomar o medicamento se os sintomas persistirem. Neste caso, o médico deverá ser consultado. 

“É preciso estimular cada vez mais a população a pensar sobre seu estilo de vida, a assumir hábitos saudáveis, relacionados à atividade física, à alimentação e ao lazer, e estimular a correta utilização dos MIPs”, frisa Marli, destacando a importância da participação de todos neste objetivo. “Entendemos que um trabalho conjunto dos setores público e privado possa garantir cada vez mais uma implementação da cultura do autocuidado no Brasil, tendo o consumidor no centro das ações.”

Funcionalidade definida

É importante destacar também que para que um medicamento seja aprovado pelas autoridades sanitárias como MIP, deve ter um alto perfil de eficácia e, principalmente, segurança, que envolve características, como baixo potencial de toxicidade e risco (mau uso, abuso, intoxicação), reações adversas com causalidades conhecidas e reversíveis após a sua suspensão, baixo potencial de interações (medicamentosa e alimentar) e período curto de utilização. 

“Para que seu uso seja seguro e consciente, sempre que o consumidor optar por usar MIPs, deve seguir as orientações da bula e rotulagem e ter em mente que se os sintomas persistirem, a suspensão do medicamento deve ser imediata e um médico deve ser procurado”, diz a vice-presidente da Abimip, e vai além. “Não existem registros de uso de MIPs por impulso. O consumidor os usa somente quando apresenta algum sintoma ou problema.”

Outro mito na visão da Abimip diz que o fato de serem vendidos sem receita faz aumentar o consumo desses medicamentos pela população. De acordo com a vice-presidente da entidade, medicamentos, de maneira geral, são exemplos de bens inelásticos, ou seja, a relação entre oferta e consumo quase não se altera diante de mudanças de preço e volume de oferta. “Quando um bem é inelástico, mesmo que se aumentem as quantidades ofertadas e se reduzam os preços, a resposta na demanda mantém-se praticamente inalterada”, sustenta. 

Consumo responsável

Nem todos concordam com a visão de que o consumidor esteja maduro o suficiente para consumir medicamentos livremente. Alguns não veem diferença substancial entre automedicação e autocuidado. “Conceitualmente, o autocuidado seria a mesma prática da automedicação, uma vez que o usuário por conta própria escolhe tomar um medicamento com base nos sintomas que ele percebe ter”, afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ), Marcus Athila. “Quem pratica a automedicação fica exposto a uma infinidade de efeitos adversos, que podem mascarar uma doença ou até mesmo agravá-la. O fato de mascarar uma doença pode trazer consequências, como o aumento inútil do consumo de medicamentos ou atendimento com um profissional capacitado tardiamente.”

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos efeitos colaterais inerentes a qualquer medicamento, o MIP pode, de fato, atrasar o diagnóstico de uma doença se utilizado de forma abusiva ou sem orientação. O consumidor precisa saber que sintomas persistentes podem ser sinal de outro problema de saúde, diz a Agência. 

O grande risco é mascarar sintomas de uma doença mais grave. “Uma dor de cabeça pode ser uma indisposição ou resultado de um estresse passageiro, mas pode indicar uma hemorragia cerebral, crise de hipertensão ou até uma meningite”, adverte o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e médico infectologista do Hospital Albert Einstein, Dr. David Salomão Lewi. “Uma regra básica na medicina diz que primeiro é preciso ter o diagnóstico para só depois indicar a medicação. Quando se começa pelo processo inverso, há o risco de se medicar de forma equivocada”, diz. 

“Qualquer medicação tem efeitos colaterais, mesmo que o medicamento já tenha sido utilizado antes e não tenham ocorrido problemas. Anti-inflamatórios são prejudiciais para estômago, rins, pressão alta. Muitos medicamentos têm interação com outras medicações de uso crônico, fazendo seu efeito aumentar ou diminuir”, acrescenta o diretor técnico de clínica geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), Dr. Arnaldo Lichtesntein. 

Outra atenção que se deve ter é se o MIP falhar. “Se os sintomas não cessarem em um período curto, uma febre que não cede por dois dias ou é muito alta, uma dor intensa e persistente de cabeça ou do abdômen são sinais de que é melhor consultar um médico”, acrescenta o Dr. Lewi.  



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