10 perguntas e respostas sobre aleitamento materno

A enfermeira obstetra, e consultora de amamentação, Loise Chamusca, elencou as principais dúvidas para apoiar a rotina de mães e gestantes

Agosto Dourado é conhecido como o mês de proteção e visibilidade ao aleitamento materno. A enfermeira obstetra, e consultora de amamentação, Loise Chamusca, elencou as principais dúvidas para apoiar a rotina de mães e gestantes. Confira 10 perguntas e respostas sobre aleitamento materno:

1. É necessário fazer alguma preparação nos seios durante a gravidez? 

LC: A única coisa que precisamos fazer na gestação é buscar informações sobre amamentação baseadas em evidências científicas; bem como preparar a cabeça para uma entrega a qualquer hora e acreditar na capacidade de alimentar seu filho, além de obter orientação quanto ao posicionamento correto do bebê, para prevenir possíveis problemas na fase de adaptação da amamentação. Assim, não é necessário preparar mamilos com cremes, pomadas ou passar sabão nessa região. O seu corpo já prepara a sua mama naturalmente para amamentar o seu filho. 

2. Qual a importância da exclusividade do aleitamento materno até o sexto mês?

LC: O leite materno é um alimento riquíssimo, com todos os nutrientes que o bebê necessita até os seis meses de vida, inclusive água, células vivas e anticorpos. Ele é probiótico e prebiótico, sendo um alimento específico para o ser humano, bem como hipoalergênico e completamente absorvido pelo organismo do bebê. Isso porque sua composição vai se adequando gradativamente às necessidades da criança, e, a partir dos seis meses, a criança passa a ter necessidade de outros nutrientes, além do leite materno.

3. Quais são os principais erros cometidos na apojadura?

LC: A apojadura é a fase de enchimento da mama, que costumamos chamar de “descida do leite”. É muito importante que a mãe esteja sempre bem orientada em relação a tudo que pode ocorrer nas diferentes fases da amamentação, evitando, assim, eventuais problemas.

A apojadura normalmente ocorre em torno de 48 a 72 horas após o parto e pode gerar algumas complicações, como a mama “esquentar”, aumentar de volume e passar a produzir muito leite, além do volume que o bebê precisa, assim, tornando-a mais densa, com aréola muito túrgida, o que dificulta a boa “pega” do bebê e impossibilita o esvaziamento adequado das mamas, causando o ingurgitamento, machucando as mamas e causando má absorção de leite. Portanto, o bebê acaba perdendo peso e desencadeando uma série de outros problemas decorrentes de uma “pega” inadequada.

As mamães devem ficar atentas nessa fase, preparando a mama antes de oferecer ao bebê, com uma massagem de alívio, bem como retirando o excesso de leite e começando sempre pelo esvaziamento areolar. Essa massagem deve ser feita manualmente, com a ponta dos dedos e sem deslizar os dedos na pele.

4. Durante a amamentação, quais alimentos auxiliam na produção de leite?

LC: O ideal é que a mãe esteja sempre hidratada e bem alimentada. É imprescindível descansar e estar tranquila para não bloquear a ejeção e produção do leite. Além disso, não existe um alimento específico para o aumento de produção de leite, apenas a sucção do bebê e o esvaziamento adequado da mama são os estimulantes.

5. É melhor trocar de seio a cada mamada ou somente quando esvaziado por completo?

LC: O ideal é que o bebê consiga mamar nos dois seios em todas as mamadas, obtendo, assim, um volume maior de leite, ficando mais saciado, e, consequentemente, fazendo um intervalo maior entre as mamadas. A mamãe deve oferecer uma mama, e, quando sentir que o bebê diminuiu o ritmo da mamada, colocar na outra mama, assim, tendo o cuidado de sempre começar a próxima mamada pela última mama oferecida. Não há um tempo exato para cada mama.

6. É normal ter muito leite? Tenho um bebê de nove meses e faço doação de 600 ml por semana para não “empedrar”.

LC: Algumas mulheres têm uma produção acima do volume. Quanto mais se retira o leite, mais o corpo entende que precisa produzir. Para que a sua produção se estabilize, retire apenas o necessário para lhe dar conforto e aplique compressa gelada em seguida.

7. Como sei se meu leite está “secando”?

LC: Sabemos que uma amamentação está efetiva quando o seu bebê suga com frequência e está se desenvolvendo e ganhando peso dentro do esperado. Desse modo, essa é a melhor prova para avaliar a sua produção. Isso porque quanto menos colocarmos o bebê para mamar diretamente no peito, menos produziremos o leite.

8. É normal reduzir a produção de leite com dois meses e meio?

LC: Precisamos avaliar todo o seu processo de amamentação para investigar a causa dessa redução de produção. Isso porque há vários fatores que podem interferir nessa questão.

9. Uma questão pouco falada é a translactação no estímulo da amamentação. Você pode falar um pouco sobre o assunto?

LC: A translactação é a forma utilizada para oferecer o leite materno ordenhado por meio da sucção do bebê via sonda. Ao sugar a sonda, o bebê também suga o peito e estimula, ao mesmo tempo, o seu esvaziamento, e, consequentemente, a sua produção.

Chama-se translactação quando o leite complementar oferecido é o leite materno ordenhado. Relactação é quando o complemento oferecido é com fórmula.

10. Quais as dicas de amamentação no período de volta ao trabalho?

LC: Em primeiro lugar, você deve preparar a cabeça para o retorno ao trabalho e para o afastamento temporário do bebê. Se está em aleitamento materno exclusivo, aconselho que, 15 dias antes do seu retorno, inicie as ordenhas para o armazenamento do leite a ser oferecido ao bebê na sua ausência. Planeje, também, quem ficará com o bebê enquanto você estiver no trabalho e inicie o treinamento de como o leite será ofertado. Avalie se no seu trabalho existe algum local com condições para você ordenhar em alguns intervalos, mantendo, assim, o esvaziamento mamário periódico e não prejudicando sua produção. É importante lembrar que o leite pode ficar armazenado por 12 horas na geladeira, 15 dias no freezer e o degelo deve ser feito em banho-maria.

Além das respostas e informações apresentadas pela enfermeira obstetra Loise Chamusca, é muito importante que mães e gestantes façam, também, um acompanhamento com um profissional especializado em saúde materno-infantil, garantindo, assim, orientações específicas, baseadas em seus históricos e rotinas.

Além de oferecer o leite ao próprio bebê, outra opção é realizar doação para bancos de leite em todo o país. Toda mulher que amamenta é considerada uma possível doadora de leite humano. O ato de doação é simples, basta extrair o leite com uma bomba, armazenar em potes de vidro e levar a um banco de leite. Nos sites do Ministério da Saúde e da Rede Global de Bancos de Leite Humano é possível consultar como doar leite materno, bem como conhecer mitos e verdades e consultar contatos dos bancos de leite humano, entre outras informações sobre o assunto.

Foto: Divulgação

Fonte: MAM

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