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56% das mulheres 40+ relatam escapes de urina, diz pesquisa Ipsos/Apsen

Denise Turco Por Denise Turco 11 de agosto de 2026 Atualizado em: 07 de agosto de 2026 Nenhum comentário 9 Minutos de leitura
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A incontinência urinária afeta mais da metade das mulheres brasileiras a partir dos 40 anos e continua sendo encarada como uma consequência natural do envelhecimento. É o que mostra a pesquisa “Escape do Tabu: retratos da Incontinência Urinária no Brasil”, realizada pela Ipsos a pedido da farmacêutica Apsen.

De acordo com o estudo, 56% das mulheres acima de 40 anos relatam perdas involuntárias de urina.  Entre as entrevistadas com mais de 60 anos, esse índice sobe para 60%.

Apesar da elevada incidência, o estudo revela que a desinformação ainda representa um dos principais obstáculos ao diagnóstico e ao tratamento. Cerca de 19% das participantes acreditam que a incontinência urinária é uma condição normal e esperada do envelhecimento, percentual que chega a 22% entre as mulheres acima de 60 anos.

A pesquisa foi realizada entre 30 de junho e 8 de julho de 2026 e ouviu 1.500 mulheres com 40 anos ou mais, das classes A, B e C, residentes em todas as regiões do Brasil.

Os dados foram apresentados durante um evento promovido pela Apsen, em São Paulo, no dia 5 de agosto, que reuniu imprensa e criadores de conteúdo para discutir os impactos da incontinência urinária na qualidade de vida das mulheres e a importância de ampliar o acesso à informação e ao tratamento.

O Guia da Farmácia acompanhou os resultados, apresentados pelo Dr. Williams Ramos, gerente médico da Apsen.

Participaram do encontro a jornalista e documentarista Maria Cândida, que atua na divulgação de temas relacionados à saúde feminina, menopausa e longevidade; a psiquiatra e sexóloga Dra. Carmita Abdo, livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas; e a urologista Dra. Rebeka Cavalcanti, coordenadora do setor de Urologia Feminina do Hospital Servidores do Estado, coordenadora do Departamento de Urologia Feminina da SBU-RJ e membro da Uroginecologia Feminina do HSVP.

Panorama da incontinência urinária

A incontinência urinária (IU) é caracterizada pela perda involuntária de urina e pode ocorrer em diferentes fases da vida, embora seja mais frequente com o avanço da idade.

A condição pode impactar o bem-estar físico, emocional, psicológico e social das pessoas e, apesar de ser comum, ainda é pouco discutida, muitas vezes por vergonha ou desconhecimento sobre as possibilidades de cuidado e tratamento

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Dr. Williams Ramos, gerente médico da Apsen

“Quando se fala em incontinência urinária, geralmente se pensa em grandes escapes, mas o quadro pode acontecer em pequenas quantidades, em gotinhas”, explicou o Dr. Williams Ramos.

Segundo ele, há três tipos de incontinência urinária. “A incontinência urinária de esforço é muito comum quando a pessoa faz um esforço simples, como tossir ou espirrar, e tem uma perda de urina. Já a incontinência urinária de urgência é a necessidade muito rápida de procurar um banheiro porque não vai controlar a urina e escapar, que combina um pouco dos dois tipos”.

A pesquisa mostra que:

  • 57% das mulheres possuem incontinência de esforço;
  • 19% incontinência urgência;
  • 24% incontinência mista.

Segundo o Dr. Williams Ramos, os principais fatores que aumentam a predisposição para incontinência urinária as entre mulheres envolve: idade avançada, obesidade, tipo de parto, tabagismo e histórico familiar.

Entre as situações que as entrevistadas relatam perda involuntária de urina estão:

  • 72% ao tossir e espirrar;
  • 38% sentem uma vontade urgente e acabam perdendo urina antes de chegar ao banheiro;
  • 32% ao rir;
  • 17% durante a prática de atividade física;
  • 8% quando está dormindo;
  • 2% o tempo todo.

O estudo aponta que 19% convivem com perdas de urina pelo menos 1 vez ao dia ou mais. Entre as mulheres que possuem IU mista, esse número salta para 35%.

Outro dado revela que, em m média, as mulheres convivem com os sintomas de Incontinência Urinária há pelo menos 1 ano e meio, e 36% há mais de 2 anos.

Impacto na qualidade de vida

Os reflexos da incontinência urinária vão além do desconforto físico e afetam a rotina e o bem-estar:

  • 22% das mulheres afirmam que a incontinência urinária interfere na vida diária ou na autoestima. Entre as mulheres com IU mista, esse percentual sobe para 31%;
  • 52% das mulheres com IU mudaram algum hábito ou tiveram algum impacto no dia a dia.

A principal estratégia adotada por mulheres com IU é o uso preventivo de protetores diários, absorventes ou fraldas. Outras adaptações relatadas envolvem a escolha de locais considerando a proximidade de banheiros, mudanças na forma de se vestir e a redução ou interrupção da prática de atividades físicas, esportes ou caminhadas.

Incontinência urinária é tabu

O estudo revela que mulheres com IU mista são as que apresentam maior impacto emocional, sentindo aumento de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza por causa dessa condição.

Segundo o estudo, 33% das entrevistas que têm Incontinência Urinária escondem o problema de pessoas próximas a elas. Esse comportamento é mais evidente entre mulheres mais novas e de classes mais altas.

Para a Dra. Carmita Abdo, os dados da pesquisa demonstram que a condição ultrapassa os sintomas físicos.

“A incontinência urinária pode interferir na forma como a mulher se conduz com seu próprio corpo, com as atividades cotidianas e com seus relacionamentos. Quando uma condição de saúde limita momentos importantes da vida, como sair, trabalhar ou com conviver com tranquilidade, é fundamental criar espaços de acolhimento e conversa para que ela possa buscar ajuda sem constrangimento”, afirma.

Silêncio ainda dificulta o diagnóstico

A pesquisa revela que o tema permanece cercada por silêncio e constrangimento. Muitas mulheres não falam de incontinência urinaria durante as consultas, e os profissionais de saúde também não questionam as pacientes.

De acordo com o levantamento:

  • 58% das entrevistadas afirmam que os profissionais de saúde não perguntam sobre perda de urina;
  • 20% das mulheres com perda involuntária de urina não falam porque os profissionais de saúde não perguntam;
  • 64% das entrevistadas com IU acima dos 50 anos relatam que ainda têm dificuldade de falar do problema, inclusive com especialistas.

Os principais motivos apontados para evitar esse tipo de conversa com os profissionais de saúde são: achar que é uma situação normal e vai passar; o fato de o médico nunca ter perguntado; falta de tempo ou acesso para ir ao médico; vergonha ou timidez.

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Debate reuniu a jornalista Maria Cândida, Helô Pinheiro, a psiquiatra e sexóloga Dra. Carmita Abdo, e a urologista Dra. Rebeka Cavalcanti

 

O levantamento indica ainda que 22% das mulheres nunca conversaram com um médico porque acreditam que os escapes de urina são uma consequência natural do envelhecimento.

Segundo a urologista Dra. Rebeka Cavalcanti, os dados reforçam a importância de ampliar a abordagem sobre a condição.

“Os resultados mostram uma realidade que observamos na prática clínica: muitas mulheres convivem com sintomas de incontinência urinária por longos períodos antes de buscar avaliação especializada. A condição pode apresentar diferentes causas e manifestações, e o diagnóstico adequado é fundamental para definir a melhor abordagem para cada paciente. Ampliar o conhecimento e desmistificar o tema ajuda a fortalecer a confiança para que mais mulheres procurem orientação e cuidado”, afirma.

Desafios no tratamento

Apesar da elevada prevalência do problema, 87% das mulheres com a incontinência urinária nunca realizaram qualquer tipo de tratamento.

Entre as mulheres com Incontinência Urinária que já fazem ou já fizeram algum tratamento (13%), a fisioterapia pélvica é a abordagem mais utilizada (65%), seguida pelo uso de medicamentos (36%), mudanças no estilo de vida (22%) e cirurgia (11%).

Segundo o estudo, as mulheres mais jovens recorrem com maior frequência aos medicamentos, enquanto as mais velhas são as que mais passam por procedimentos cirúrgicos. Já a incontinência urinária de urgência é o tipo que mais demanda tratamento medicamentoso.

O acesso ao tratamento varia conforme a renda. Mulheres da classe A tratam a condição em proporção duas vezes maior do que as das demais classes. Considerando faixa etária, as mais novas tratam menos a incontinência urinária.

A pesquisa aponta o desconhecimento sobre o tratamento: 19% das entrevistadas não sabiam que a incontinência urinária possui tratamento especializado, que existem diferentes tipos da doença ou que o urologista também atende mulheres.

Entre as mulheres da classe C, o desconhecimento sobre a existência de tratamento é 3,5 vezes maior do que entre as participantes da classe A.

Campanha amplia conversa sobre incontinência urinária

Para ampliar a conscientização sobre a Incontinência Urinária, a Apsen lançou o movimento “Escape do Tabu”, iniciativa que pretende estimular uma conversa mais aberta sobre o problema e combater o estigma, a vergonha e a desinformação que ainda cercam a condição.

“O Escape do Tabu nasce da compreensão de que informação de qualidade é um dos principais caminhos para transformar a realidade dos pacientes. Queremos estimular uma conversa aberta sobre a incontinência urinária, reduzir o estigma e mostrar que ninguém precisa conviver em silêncio com uma condição que possui diagnóstico e tratamento. Como companhia que atua nessa área terapêutica, entendemos que também é nossa responsabilidade mobilizar a sociedade, ampliar o acesso ao conhecimento e ajudar mais brasileiros a chegarem ao diagnóstico e ao cuidado adequado”, afirma a vice-presidente executiva da Apsen, Renata Spallicci.

 

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Renata Spalliccia, vice-presidente executiva da Apsen, e Helô Pinheiro, embaixadora da campanha

 

O movimento Escape do Tabu reúne uma série de iniciativas voltadas à conscientização sobre a incontinência urinária, com conteúdos educativos e ações de comunicação nas plataformas e redes sociais da Apsen.

A campanha tem como embaixadora Helô Pinheiro, que participou do evento, reforçando a importância de cuidar da saúde urinária. Ao longo da campanha, ela participará de conteúdos que incentivam as mulheres a buscar informação, diagnóstico e tratamento sem tabu, para buscar um envelhecimento ativo, saudável e com mais qualidade de vida.

Fotos: Apsen

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Denise Turco
Denise Turco

Com formação em Jornalismo e Letras, atua como jornalista há 20 anos, com experiência nas áreas de varejo, negócios, consumo e tecnologia.

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