
Da menarca à perimenopausa – o que as mulheres sabem e como lidam com a menstruação? A 2ª edição da pesquisa “Global V Taboo Tracker”, elaborada pela Libresse, marca de produtos para a saúde íntima e ciclo menstrual da Essity, revela que falta informação sobre menstruação – que ainda é considerada um tabu – , entre pessoas de todas as idades.
O estudo, conduzido em parceria com a Ketchum Analytics e AMV BBDO, foi realizado de 21 de março a 5 de abril de 2024, por meio de pesquisa on-line, com 10 mil participantes em 10 mercados: Reino Unido, França, México, Colômbia, Peru, Argentina, Suécia, Nova Zelândia, Austrália e EUA.
Dentre os participantes, 80% são pessoas que menstruam e 20% que não menstruam acima de 15 anos idade (entre mulheres e homens), com uma margem de erro de 1% para mais ou para menos.
A Libresse compartilhou o estudo com o Guia da Farmácia. Veja, a seguir, os principais resultados.
Menarca
A primeira menstruação, que pode acontecer a partir dos 8 anos de idade, impacta a relação das mulheres com seus ciclos e sua saúde por toda a vida, aponta a pesquisa.
“Embora as menstruações sejam consideradas como um rito de passagem e o início da “feminilidade”, as primeiras menstruações geralmente não são uma experiência positiva, com surpreendentes 74% relatando emoções negativas no início”, diz o estudo.
Além disso, 44% dos participantes que menstruam viram suas menstruações representadas erroneamente na cultura popular, com histórias que não refletem experiências reais.
O estudo revela que poucas mulheres estão preparadas para a menarca:
- 1 em cada 10 se sente positiva na sua primeira menstruação;
- 80% não se sentiram calmas e prontas quando as primeiras menstruações chegaram;
- 49% daquelas que menstruam se sentiram mais confiantes e prontas em sua primeira menstruação quando compreenderam o que estava acontecendo com elas, como usar seus produtos para menstruação e quando tiveram acesso aos produtos que precisavam.
“Descobrimos que, quanto mais concretamente as garotas aprendem sobre a menstruação e produtos relacionados, mais provavelmente elas terão uma primeira experiência positiva e se sentirão mais calmas e prontas para o momento. Isso exige educação sobre o tema de forma mais precoce, melhor e mais positiva”, aponta o estudo.
Ciclo menstrual
O levantamento detectou que falta de informação em relação a vários aspectos do ciclo menstrual:
- 45% daquelas que menstruam se sentiram confusas com seu ciclo, especialmente quando ele fica fora do “normal” presumido de 28 dias;
- 42% se surpreenderam com a cor do seu fluxo;
- 48% se confundiram quando o sangue da menstruação não era vermelho, mas preto ou marrom;
- 46% se confundiram com sangramento (ficaram na dúvida se era menstruação).
Há desconhecimento também sobre algumas condições tipicamente femininas:
- 9 em 10 nunca ouviram falar de adenomiose, apesar de 1 entre 5 mulheres terem esse problema;
- 74% das mulheres que menstruam sabem pouco ou nada sobre TPM;
- 4 em 5 nunca ouviram falar ou ouviram falar pouco sobre síndrome do ovário policístico, embora 190 milhões de mulheres e garotas conviverem com essa condição, segundo a OMS.
Dor e desconforto
A experiência da menstruação vem geralmente acompanhada de dor e desconforto:
- Metade das mulheres sentiu que sua dor foi minimizada (44%) ou ignorada (55%);
- Mais da metade teve a impressão de que sentiu muito mais dor do que foi levada a acreditar;
- 81% se sentiram preocupadas com suas menstruações não serem levadas a sério;
- 2 de 5 que menstruam se sentiram confortáveis o suficiente para falarem com seu profissional de saúde sobre saúde menstrual.
“Uma vez que a sociedade nos ensinou que a dor é apenas parte de ser uma mulher, vergonha, constrangimento e sentimento de não ser levada a sério pesam na hora de as mulheres pedirem ajuda”, diz o estudo.
Aliás, a vergonha é um aspecto bastante presente:
- 1 em 5 mulheres que menstruam sentem a necessidade de se desculparem;
- 2 em 5 escondem dos parceiros seus produtos para menstruação;
- 25% dos parceiros daquelas que menstruam acham que os produtos para menstruação são “nojentos”.
Contraceptivos
Quando o assunto é contracepção, 38% consideraram o uso de contraceptivos hormonais mais complicado que o esperado. E 40% entre aquelas que menstruam consideraram que colocar o DIU hormonal foi mais dolorido do que imaginavam.
Além disso, 1 em 4 das entrevistadas esperava que a menstruação retornasse facilmente após parar de tomar pílula, mas não foi o caso.
Gravidez e parto
Neste tema, expectativa e realidade também não estão alinhadas. Segundo o estudo, em geral, há uma tendência de simplificar o que acontece durante e após a gravidez e que as mulheres só percebem quando vivem essas experiências:
- 46% consideram sua experiência pós-parto mais complicada que o esperado;
- 1 em 4 mulheres ficou chocada que poderia ficar menstruada durante a amamentação no peito;
- 32% ficaram surpresas com o tempo que demorou para a volta da menstruação após a gravidez.
“Nunca é tão simples, uma vez que a gravidez significa nenhuma menstruação até o final da amamentação no peito. Muitas mulheres descobrem que há zonas cinzentas entre a amamentação e a volta das menstruações”, diz o estudo.
Perimenopausa
A falta de conhecimento também está presente entre as mulheres que estão próximas ou no processo da perimenopausa (43-54 anos), gerando uma experiência permeada por estereótipos de envelhecimento. Assim, a menopausa é vista como algo a ser temido:
- mais de 1 em 4 sente que a menopausa é um sinal de perda de feminilidade;
- metade se sente despreparada para a perimenopausa;
- 90% sabem pouco ou nada sobre perimenopausa, embora todas eventualmente vão passar por isso.
“Isso faz com que as mulheres evitem buscar ajuda, sendo que apenas 24% se sentem confortáveis o suficiente para falar sobre seus sintomas com qualquer um”, informa a pesquisa.
Conhecimento é a chave
Como conclusão, o estudo da Libresse aponta a necessidade de suprir a lacuna de conhecimento para que garotas e mulheres melhorem as experiências na relação com seus corpos e saúde íntima. Segundo a pesquisa, 6 em 10 mulheres desejariam ter aprendido mais sobre menstruações e ciclos durante a sua vida.
Fonte: Essity/Libresse
Foto: Shutterstock
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