
Em agosto deste ano, o Mercado Livre adquiriu a Cuidamos Farma (nome fantasia Target) para testar o modelo 1P, ou seja, aquele em que a empresa controla diretamente as vendas. A empresa ainda aguarda atualização da regulamentação brasileira para migrar ao formato 3P, o tradicional marketplace, como já funciona no México, na Argentina, na Colômbia e no Chile.
Na prática, aquisição da Cuidamos Farma faz parte de uma espécie de experiência de mercado, para o que Mercado Livre entenda a operação, incluindo logística e armazenagem de medicamentos.
Em entrevista ao Bloomberg Linea, o vice-presidente sênior de Commerce e líder do Mercado Livre no Brasil, Fernando Yunes descartou planos de criar uma rede própria de farmácias. “Compramos para testar, para ver como funciona. Essa farmácia vai atender aquela região. E em paralelo estamos tendo conversas com formadores de política pública para atualizar a regulamentação e permitir que possamos operar no modelo marketplace. A ideia é testar essa farmácia para começar a aprender do segmento. Mas não é a nossa ambição criar uma rede via 1P”, disse.
Ainda segundo Yunes, o setor farmacêutico, é o único no Brasil em que a empresa não atua. “É um setor que vemos um potencial de melhoria em democratizar o acesso”, afirmou Yunes ao Bloomberg Linea.
Resposta da Abrafarma
Em resposta aos planos do Mercado Livre para vender medicamentos via marketplace, a Abrafarma enviou um comunicado onde reitera sua posição contrária ao negócio. Leia o comunicado do CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto na íntegra:
“Em resposta às alegações feitas à imprensa pela plataforma de comércio eletrônico Mercado Livre na data de 9 de outubro, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) reitera sua posição contrária à venda de medicamentos pelo sistema de marketplace, destacando parte do teor do dossiê apresentado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a fim de proteger consumidores e players do mercado de farmácias, conforme segue:
- A operação não pode gerar sobreposição horizontal no mercado de varejo farmacêutico;
- Não pode gerar integração vertical entre o mercado de varejo farmacêutico (upstream) e o mercado de varejo multiprodutos por meio de plataforma online (downstream), “por exigir autorizações regulatórias específicas;
- Não pode gerar qualquer tipo de fechamento de mercado de varejo farmacêutico, pois as operações do Grupo Mercado Livre ficariam limitadas ao “reduzido faturamento e volume de vendas da Target, nome-fantasia da Cuidamos Farma”; e
- Não pode gerar qualquer tipo de parceria entre a plataforma de prescrição médica digital da Memed e a plataforma de varejo multiprodutos do Grupo Mercado Livre, pois “ausente qualquer relação comercial entre as empresas”.

Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma
A Abrafarma reforça, a partir da análise do processo que o Mercado Livre tem adotado para ingressar no comércio de medicamentos, que a plataforma Mercado Livre poderia vender medicamentos online, pois estaria adquirindo justamente o que lhe faltava para atuar diretamente neste mercado – autorização sanitária e presença de farmacêutico responsável, por meio do CNPJ da Cuidamos Farma.
A aquisição da Target pode, inclusive, aproximar no futuro as atividades do Mercado Livre na venda online de medicamentos com as operações da ex-controladora da farmácia – a Memed, maior plataforma para emissão de prescrições médicas digitais, com recomendação direta ao usuário de farmácias para compra remota.
Diante do exposto, a Abrafarma ressalta que os marketplaces ainda demandam regulação e fiscalização mais rígidas para caminharem em direção ao comércio de produtos sensíveis e essenciais à saúde pública. É a segurança do consumidor que está em jogo.”
Foto de capa: Shutterstock
Foto: Sérgio Mena Barreto: Guto Marcondes
*Com informações de Bloomberg Linea e Abrafarma
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