
O COVID-19 está relacionado a diversas sequelas no organismo e a queda de cabelo pós-infecção não é uma novidade. Mas, além de causar eflúvio telógeno, uma queda intensa dos fios e que se resolve sozinha, o COVID-19 foi relacionado, também, à alopecia areata, um tipo de queda de cabelo autoimune que provoca falhas circulares sem pelos na região do cabelo.
“O estudo sul-coreano descobriu que a incidência de alopecia areata aumentou significativamente após o COVID-19. A incidência dessa forma autoimune de queda capilar foi 82% maior para indivíduos que tiveram infecção por COVID-19 em comparação com os que não ficaram doentes”, explica o Dr. Danilo S. Talarico, professor do Instituto Lapidare e da Faculdade Primum (Antigo Instituto BWS) de Dermatologia, Tricologia, Transplante Capilar (Cirurgia Capilar) e Medicina Estética. A maior incidência foi observada em todos os grupos com mais de 20 anos, com maior risco observado tanto em mulheres quanto em homens. O estudo foi publicado no JAMA Dermatology no começo de janeiro.
O estudo também revelou um aumento na incidência de eflúvio telógeno – queda rápida de cabelo desencadeada por estresse ou outras alterações no corpo. “Essas descobertas apoiam o possível papel do COVID-19 na ocorrência e exacerbação de alopecia areata, embora outros fatores ambientais, como estresse psicológico, também possam ter contribuído para o desenvolvimento do problema durante a pandemia”, diz o médico. Os cientistas suspeitam que a relação entre alopecia areata e COVID-19 seja dada pela ativação dos anticorpos e aumento das citocinas (mediadores) inflamatórias.
“Qualquer coisa que possa estimular o sistema imunológico pode desencadear outros problemas, e a alopecia areata, em particular, decorre de uma forte reação imunológica. O sistema imunológico é uma rede de ‘espiões secretos’ constantemente ‘à caça’ de infiltrados. Às vezes, simplesmente tem o alvo errado – neste caso, células-tronco capilares em vez de células virais – o que é conhecido como mimetismo molecular antigênico”, destaca o especialista.
Outra explicação é que a infecção por COVID leva a um “enorme influxo de citocinas”, que tem outros efeitos posteriores. “Alternativamente, pode ser que as células-tronco capilares estejam muito próximas das células infectadas ou das ‘células auxiliares’ que tentam limpar as células infectadas e sejam inadvertidamente atacadas, o que é conhecido como ativação por espectador”, destaca o especialista.
O universo da pesquisa incluiu 259.369 pacientes com COVID e 259.369 pacientes sem COVID. Os pacientes foram pareados de acordo com características demográficas e comorbidades. “Durante o período do estudo, a incidência e prevalência ajustadas por idade e sexo de alopecia areata em pacientes infectados por COVID-19 foram consideravelmente maiores do que no período pré-pandêmico na Coreia, onde a incidência e prevalência de alopecia areata permaneceram constantes de 2006 a 2015″, explica. “No entanto, mais estudos são necessários para validar a associação entre diferentes populações e elucidar a relação causal entre as duas condições”, pondera o especialista.
Alopecia areata: sintomas e tratamentos
A alopecia areata é uma doença inflamatória e autoimune que resulta na formação de placas sem cabelo no couro cabeludo. A extensão da perda de fios pode variar de paciente para pacientes, restringindo-se, geralmente, a pequenas áreas, mas podendo, em alguns casos, afetar todo o couro cabeludo e até outras regiões do corpo que tenham pelos. “É uma doença que não é contagiosa, traz muito trauma principalmente para as mulheres. Esses pacientes precisam ser tratados com carinho e respeito”, completa o médico.
Geralmente em casos de alopecia areata, a perda de cabelo pode não ser permanente, porque os folículos pilosos não são destruídos, mas sim colocados em um estado de repouso, segundo o Dr. Danilo. Dessa forma, o cabelo pode voltar a crescer com ajuda de diversos tratamentos médicos disponíveis. “Entre eles, estão: os medicamentos biológicos, tópicos, suplementos orais (antioxidantes e anti-inflamatórios), uso de laser de baixa intensidade (LED para uso domiciliar), até mesmo intervenções no estilo de vida com o objetivo de controlar o estresse”, finaliza o médico.
Queda de cabelo é uma das consequências da Dengue
Fonte e Foto: Dr. Danilo S. Talarico