
A Amazon Web Services (AWS) lançou na terça-feira (14/4) o Amazon Bio Discovery, uma aplicação de inteligência artificial voltada a acelerar a fase inicial do desenvolvimento de medicamentos. Segundo a Reuters, a ferramenta permite que pesquisadores executem fluxos de trabalho computacionais complexos sem precisar escrever código.
O sistema oferece acesso a uma biblioteca de modelos de fundação biológica (algoritmos treinados em grandes volumes de dados biológicos) capazes de gerar e avaliar moléculas com potencial terapêutico.
Um agente de IA integrado orienta os pesquisadores na seleção dos modelos mais adequados, na configuração de parâmetros e na interpretação dos resultados.
O principal argumento da AWS é a redução drástica no tempo de triagem de candidatos a medicamentos. “Levaria 18 meses para chegar a 300 candidatos potenciais. Agora, os cientistas conseguem criar 300 candidatos em poucas semanas”, disse Rajiv Chopra, vice-presidente de IA em saúde e ciências da vida da AWS, em entrevista à Reuters.
A plataforma também conecta pesquisadores diretamente a laboratórios parceiros para síntese e testes físicos das moléculas selecionadas. Os resultados retornam ao sistema para orientar a rodada seguinte de design, um ciclo de experimentação contínua que, segundo a empresa, reduz etapas manuais e sistemas desconectados.
IA na indústria farmacêutica
O avanço da IA generativa nos últimos anos gerou uma proliferação de modelos de aprendizado de máquina para a área farmacêutica, que vão desde a previsão da estrutura de proteínas até a avaliação de candidatos com base em propriedades químicas.
O problema é que esses modelos exigem habilidades de programação e capacidade de gerenciar infraestrutura computacional, o que coloca a maioria dos cientistas em uma posição de dependência de biólogos computacionais — profissionais especializados que estão em falta no mercado.
O Amazon Bio Discovery foi projetado para contornar esse obstáculo, permitindo que pesquisadores sem formação em computação acessem e operem os modelos por meio de linguagem natural.
Caso prático: câncer pediátrico
Em parceria com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, referência mundial em oncologia, a AWS usou a plataforma para gerar cerca de 300.000 moléculas de anticorpos inéditas.
As 100.000 mais promissoras foram encaminhadas à empresa Twist Bioscience para testes laboratoriais. O que normalmente leva até um ano com métodos tradicionais foi concluído em semanas, desde o design dos candidatos até o envio para os testes.
Nai-Kong Cheung, pesquisador sênior de oncologia pediátrica do Memorial Sloan Kettering, destacou a urgência do problema: “Como pesquisadores, levamos 20 anos apenas para provar que a primeira geração de anticorpos funcionava, e depois mais 13 anos para adaptá-la à forma humana antes de obter a aprovação da FDA. Pacientes chegam aqui com um relógio. Precisamos de resultados mais rápido.”
Farmacêuticas já aderiram à solução
Entre os primeiros usuários da plataforma estão a Bayer, o Broad Institute e a Voyager Therapeutics.
A AWS afirma que 19 das 20 maiores farmacêuticas do mundo já utilizam seus serviços de nuvem. A empresa oferece um período de teste gratuito com cinco unidades experimentais antes de cobrar por planos de assinatura.
A AWS, em parceria com o Boston Consulting Group e a Merck, também planeja apresentar uma plataforma de IA voltada à seleção de centros para ensaios clínicos, outra etapa historicamente lenta no desenvolvimento de medicamentos.
Fonte: Época Negócios
Foto: Shutterstock
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