
Pouco difundida no país, a pesquisa clínica caminha para um novo cenário de expectativas positivas. Este foi um dos principais pontos destacados durante o seminário sobre o tema realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), neste mês de novembro.
O evento reuniu 453 participantes entre líderes, especialistas, instituições de referência e representantes do governo federal para discutir o assunto e marcou o lançamento da cartilha “Como estruturar um centro de pesquisa clínica”, que apresenta um passo a passo para hospitais interessados em ingressar ou se fortalecer no setor.
Um estudo da Interfarma e da IQVIA projeta que a Lei nº 14.874/2024, que institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, pode levar o Brasil a dobrar sua participação no ranking global de estudos clínicos, passando de 254 para 635 estudos iniciados anualmente e subindo da 20ª para a 10ª posição. O levantamento também aponta um potencial de investimento adicional de R$ 2,1 bilhões por ano.
“O cenário da pesquisa clínica no Brasil vem se revigorando. O número de ensaios tem crescido, e o país tem sido cada vez mais procurado para novos estudos. A indústria, especialmente após a pandemia, passou a reconhecer a qualidade da pesquisa que os centros brasileiros são capazes de entregar. A nova lei trouxe avanços importantes, como mais estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica – fatores que naturalmente tornam o Brasil mais atrativo para a realização de novos estudos”, destacou Luiz Reis, coordenador do Comitê de Ensino e Pesquisa da Anahp e diretor de Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês.
Reis também ressaltou o papel do grupo da Anahp que coordena não apenas na consolidação dos hospitais que já atuam com pesquisa, mas, principalmente, na ampliação do número de instituições envolvidas no ecossistema: “Quanto mais instituições participarem, maior será o impacto da pesquisa clínica brasileira e mais estudos conseguiremos atrair. É um ciclo virtuoso: quanto mais fazemos, mais atraímos e, assim, mais podemos fazer. No fim das contas, o grande beneficiado é o paciente.”
Essa mobilização se traduz, na prática, nas ações do Comitê de Ensino e Pesquisa da Anahp, que funciona como um fórum de troca entre os hospitais associados. Segundo Roberta Almeida, também coordenadora do grupo e gerente de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre, o comitê busca constantemente novas formas de inspirar e capacitar as instituições: “Realizamos reuniões mensalmente, sempre convidando profissionais do mercado que possam trazer novos insights e inspirar os hospitais associados. Temos um propósito muito forte, totalmente alinhado aos objetivos da Anahp: levar conhecimento aplicado, fomentar o desenvolvimento dos hospitais e, com isso, melhorar os resultados em saúde.”
Roberta também destacou a importância de iniciativas como o seminário e o lançamento da cartilha, que mostram que a pesquisa clínica não é algo distante.
“Ela pode começar de forma simples, com passos possíveis, e cada instituição pode avançar de acordo com sua capacidade instalada. Nem todo hospital precisa, necessariamente, ser um centro de pesquisa principal, ele pode atuar como coparticipante, apoiar estudos em rede e contribuir no recrutamento de pacientes. O importante é que esse movimento se dissemine, trazendo mais sustentabilidade para o sistema de saúde”, afirmou Roberta.
A publicação “Como estruturar um centro de pesquisa clínica” está disponível para download gratuito no site da Anahp.
Fonte: Anahp
Foto: Shutterstock
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