
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 8/9, a indicação da vacina meningocócica conjugada quadrivalente (MenQuadfi), que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis, para crianças a partir das 6 semanas de vida.
A bactéria Neisseria meningitidis pode colonizar o trato respiratório superior sem causar sintomas. Em algumas situações, porém, pode causar doença meningocócica invasiva, uma condição grave, de rápida evolução e potencialmente fatal. A transmissão ocorre por meio de gotículas respiratórias.
A decisão da Anvisa foi baseada em dados de estudos clínicos internacionais que avaliaram a vacina em milhares de bebês.
A análise de segurança reuniu 6.060 lactentes entre 6 semanas e menos de 12 meses, além de 5.373 crianças que receberam dose de reforço a partir dos 12 meses.
Os resultados mostraram perfil de segurança consistente com o esperado para vacinas meningocócicas conjugadas, sem novas preocupações relevantes de segurança.
Prevenção das formas graves da meningite
Para a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn, com especialização em Terapia Intensiva Pediátrica, Síndrome de Down, Neurociência e Desenvolvimento Infantil, a possibilidade de iniciar a proteção mais cedo é especialmente importante porque os bebês estão entre os grupos mais vulneráveis à doença meningocócica.
“As crianças menores são mais suscetíveis e estamos falando de uma doença extremamente grave, que pode evoluir rapidamente. Quanto mais cedo a gente protege, melhor”, afirma.
Segundo a Anvisa, mesmo com tratamento, cerca de 10% das pessoas que desenvolvem a doença meningocócica invasiva morrem, e até 20% dos sobreviventes podem apresentar sequelas permanentes e incapacitantes. Bebês e crianças pequenas, especialmente no primeiro ano de vida, estão entre os grupos de maior risco.
A pediatra ressalta que a circulação dos diferentes sorogrupos pode mudar ao longo do tempo e que esse cenário precisa ser acompanhado.
“Apesar de os sorogrupos B e C serem hoje predominantes no Brasil, isso pode mudar de tempos em tempos. A epidemiologia da doença muda, e podemos ter o surgimento ou o aumento de outros sorogrupos para os quais a população não está protegida. As crianças menores sempre serão mais vulneráveis”, explica.
Para a especialista, a maior circulação de pessoas entre diferentes países também deve ser considerada. “Vivemos em um mundo muito mais globalizado, em que as pessoas transitam muito mais. Sorogrupos importantes em outros países podem chegar ao Brasil. Por isso, revisitar o calendário vacinal e entender como proteger mais a população é essencial.”
A ampliação da indicação aprovada pela Anvisa não significa a incorporação automática da vacina ao SUS para bebês a partir das 6 semanas.
A Dra. Anna considera, porém, que ampliar o acesso à proteção seria um avanço importante. “É excelente essa notícia. Esperamos que essa proteção possa chegar o quanto antes a mais crianças, contribuindo também para uma saúde mais igualitária”, acrescenta.
Fonte: pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn.
Foto: Shutterstock
Leia também
Por que as crianças tomam tantas vacinas? Veja 9 dúvidas sobre doses e segurança