
O Assaí Atacadista faz sua estreia no varejo farmacêutico com a inauguração da primeira unidade do Assaí Farma, instalada dentro da área de vendas da loja Anhanguera, na capital paulista (Rua Samuel Klabin, 193).
A farmácia abre ao público hoje, 16 de julho, em menos de três meses após o novo modelo autorizado pela Lei nº 15.357/2026, sancionada em março, que permite a instalação de farmácias dentro do varejo alimentar, desde que cumpram as mesmas exigências sanitárias e técnicas aplicadas às demais drogarias do país, inclusive com a presença de um farmacêutico em tempo integral.
O Guia da Farmácia acompanhou a coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 15/07, na qual os executivos da companhia detalharam as estratégias e apresentaram a nova operação.
Segundo o CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, o projeto farma faz parte de um ecossistema de negócios que envolve outras avenidas de crescimento nas quais a empresa vem investindo: marca própria, serviços financeiros, bem-estar (suplementos, vitaminas, proteínas); canais digitais, com parcerias com iFood, Rappi e Mercado Livre; eletropostos e postos de combustíveis; e In & Out, voltada à venda de bens duráveis.
A entrada no segmento farmacêutico também é apoiada nos principais vetores de crescimento do mercado, como a busca por saúde e bem-estar, o envelhecimento da população, o avanço dos medicamentos GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, e o crescimento das vendas online.
“Sempre ouvimos críticas sobre abrir muitas frentes e perder o foco do negócio core. Mas, às vezes, se confunde o sortimento de produto com o formato de operação de loja. Então o projeto farma nasce do que nós consideramos a nossa maior fortaleza: 40 milhões de clientes, de todos os extratos sociais, passando todos os meses nas lojas”, afirma Gomes.
Quem são os clientes do Assaí?
Atualmente, a base de clientes do Assaí é formada por consumidores pessoa física (que respondem por 84% do fluxo das lojas e 58% das vendas) e jurídica (16% do fluxo e 42% do faturamento).
Entre as pessoas físicas, as classes AB representam 44%, enquanto a classe C, 47%. Já entre as pessoas jurídicas, os transformadores (como restaurantes, lanchonetes etc) representam 62%, e os revendedores (mercadinhos, mercearias etc) respondem por 35%.
Pesquisa da Bain & Company, encomendada pelo Assaí em junho de 2025, mostrou que 78% dos clientes demonstraram propensão para comprar em uma farmácia de atacarejo. O levantamento também apontou que consumidores com doenças crônicas apresentam maior frequência de compra, maior gasto médio e missões de compra mais planejadas.
Custos e vantagens competitivas
A companhia optou por desenvolver uma operação de farmácia totalmente própria, em vez de firmar parceria com uma rede já estabelecida.
O movimento é considerado estratégico para capturar sinergias operacionais, logísticas e comerciais, aproveitando a escala da empresa e seu conhecimento sobre o comportamento de compra dos consumidores, com o objetivo de oferecer também uma solução mais completa ao cliente.

Belmiro Gomes, CEO do Assaí: farmácia traz rentabilidade e agrega novos serviços
Para isso, o Assaí negocia diretamente com as indústrias farmacêuticas e estruturou um time dedicado à operação, com diretoria e compradores exclusivos para o farma.
Com esse novo formato, a companhia aproveita boa parte da estrutura já existente em suas lojas, como aluguel, segurança, IPTU, estacionamento e ar-condicionado.
“Aproximadamente 40% das despesas de uma farmácia já temos dentro da operação. O que buscamos é a possibilidade da venda de medicamento para diluir a despesa e para sermos competitivos”, diz Gomes.
Assim, segundo o CEO, a empresa tem quatro objetivos centrais com a nova operação de farmácia:
- Diversificar e aumentar o share of wallet, fortalecendo a rentabilidade e agregando novos serviços;
- Aproveitar melhor a infraestrutura e diluir custos operacionais;
- Acompanhar a mudança de comportamento do consumidor, especialmente diante da grande procura por GLP-1 e a maior preocupação com saúde e bem-estar;
- Atrair novos clientes pela vantagem de uma jorna de compra integrada.
“A farmácia faz parte de uma estratégia maior, que é ampliar o share of wallet e o relacionamento com o cliente, permitindo interligar futuramente benefícios entre os diferentes negócios do grupo, como atacarejo, farmácia e eletropostos”, destaca Belmiro Gomes.
O executivo também destaca uma vantagem competitiva do farma em relação ao varejo alimentar. Diferentemente do arroz, do café ou do sabão, que possuem marcas regionais, os medicamentos têm um mercado padronizado nacionalmente. “Não existe um remédio de pressão regional, tanto que o ganho de escala vem mais fácil no farmacêutico do que no alimentar”, compara o CEO.
Como será a operação de farmácia do Assaí?
A primeira farmácia do Assaí, instalada na loja Anhanguera, segue um formato semelhante ao das grandes redes do setor em termos de organização das gôndolas e mix, e farmacêuticos presentes durante todo o horário de funcionamento.
O principal diferencial, porém, é sua integração ao atacarejo: a farmácia está localizada próxima à entrada da loja e não possui paredes ou divisórias que delimitem o espaço.

Sem paredes: farmácia está integrada à área de vendas do atacarejo. Foto: Guia da Farmácia
Segundo o Diretor de Farmácias do Assaí, Vagner Moraes, a unidade trabalha com cerca de 10 mil SKUs, entre medicamentos, OTC, higiene, beleza e cuidados pessoais. O sortimento inclui medicamentos de prescrição, genéricos e também GLP-1. O espaço também conta com seção de dermocosméticos e presença de consultoras de beleza.
De acordo com o executivo, apenas 7% dos 10 mil produtos já eram comercializados pelo atacarejo. “Noventa e três por cento dos produtos da farmácia são itens novos; a farmácia complementa o nosso negócio”, afirma Moraes.
Seguindo a tendência de transformação das farmácias em hubs de saúde, a unidade também conta com uma sala de atenção farmacêutica. Entre os serviços oferecidos estão: aferição de pressão e glicemia, aplicação de medicamentos injetáveis, bioimpedância, oximetria, colocação de brincos, exames e testes rápidos, entre outros.
“Inicialmente não teremos aplicação de vacina porque depende de legislação específica e sala dedicada para atendimento”, explica Moraes.
O pagamento das compras é realizado em caixas localizados dentro da própria farmácia. Após efetuar o pagamento, o cliente pode circular normalmente pelo atacarejo com seus medicamentos, sem necessidade de qualquer conferência adicional.
Presença digital
Junto com a inauguração da primeira unidade, a empresa lança um aplicativo próprio integrado ao app Meu Assaí.
Neste primeiro momento, o serviço de venda online de medicamentos será feito por meio do modelo clique e retire. Em uma segunda etapa, a operação será expandida para entregas em domicílio, segundo o Diretor de Operação e Novos Negócios, Sergio Leite.
O aplicativo tem funcionalidades como de qualquer rede farmácia, como aplicação automática de descontos de laboratório e pagamento via cartão e PIX.
Posicionamento: busca pelo cliente recorrente
Durante a coletiva, Leite destacou a transformação do papel da farmácia nos últimos anos – antes vista como um ‘lugar triste’ e associado à doença, hoje evoluiu para um espaço voltado à saúde, bem-estar e cuidado. “O nosso posicionamento já olha para esse futuro”, afirma.
Segundo o executivo, o objetivo não é posicionar o Assaí Farma como uma farmácia de conveniência, procurada apenas para compras de ocasião, quando o cliente tem uma dor de cabeça, por exemplo. Também não imagina ser a primeira escolha de alguém que acabou de sair de um hospital. A ideia é ser escolhida pelo cliente recorrente, aquele que se preocupa com a saúde.
“A frequência de compra de um paciente crônico é, em média, duas vezes por mês na farmácia, o que coincide com a frequência média de visitas dos nossos clientes às lojas Assaí”, diz Leite.
Outro ponto considerado no desenvolvimento da operação foi a experiência de atendimento. Segundo o executivo, o tempo médio de permanência em uma farmácia pode chegar a cerca de 30 minutos, especialmente por conta de processos de aplicação de descontos no balcão.
“Estamos com um sistema de balcão que usa IA para agilizar esse atendimento. Tudo foi pensado para melhorar a experiência do cliente”, afirma Leite.
Plano de expansão
Para julho, o Assaí prevê a abertura de seis farmácias na capital e na Grande São Paulo. Em agosto, outras três unidades devem ser inauguradas. O plano é encerrar 2026 com 25 farmácias em operação.
“Hoje, contamos com um parque de 310 lojas e enxergamos oportunidades para instalar farmácias em pelo menos 250 delas”, afirma Leite.
O tamanho das farmácias será adaptado ao espaço disponível em cada loja, sendo que a área média prevista é de aproximadamente 120 m².
Essa fase inicial funcionará como um piloto operacional para avaliar o desempenho da operação, a aderência do modelo de negócio e as oportunidades de expansão para outros estados.
As unidades funcionarão no mesmo horário das lojas Assaí e, para essa primeira etapa de implantação, a companhia estima gerar cerca de 300 empregos até o fim de 2026.
Segundo o CEO, Belmiro Gomes, o Assaí também não descarta, no futuro, a abertura de farmácias de rua. A decisão, porém, dependerá da curva de aprendizado da operação, dos resultados obtidos, da maturidade dos sistemas implementados, entre outros fatores.
Fotos: Assaí
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