
Apesar da popularização da compra de cannabis nas farmácias ou através de importações, o setor das associações de cannabis medicinal no Brasil vive um momento de expansão. Segundo o Anuário da Kaya Mind 2025, o número de associações com CNPJ ativo aumentou 22% em relação a 2024, totalizando 315 instituições.
Esse crescimento reforça o papel das associações como alternativa ainda essencial para pacientes que buscam acesso a tratamentos à base de cannabis.
Quase metade dessas organizações está concentrada no Sudeste, enquanto o Nordeste abriga a maior associação em número de pacientes atendidos.
Além disso, 72% das associações confirmaram cultivar cannabis para produzir derivados medicinais, ocupando ao menos 27 hectares de cultivo Essa produção garante óleos, pomadas e outras formas farmacêuticas para seus associados, com preços mais acessíveis que os praticados por outras vias.
Cultivo associativo
Outro destaque é a busca por segurança jurídica: 47 associações já obtiveram algum avanço judicial para possibilitar o cultivo, enquanto 24 aguardam decisão após impetrar habeas corpus.
Esse movimento ocorre em meio à expectativa pela regulamentação do cultivo nacional, determinada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Caso a norma seja implementada, essas instituições poderão ganhar estabilidade e ampliar sua atuação. Por outro lado, novas exigências podem criar desafios adicionais.
Durante a Expocannabis de 2025, o Ministro do Mapa (Ministério da Agricultura e Agropecuária), Paulo Teixeira, também deixou claro que quer as associações no plano de regulamentação do cultivo.
Segundo ele, elas foram as precursoras do movimento medicinal no país e não devem ficar de fora. Teixeira ainda acrescentou que as entidades devem participar até mesmo da distribuição dos produtos no SUS (Sistema Único de Saúde). Na sua fala, ele também destacou a importância de incluir o cultivo familiar.
Via de acesso mais barata
O protagonismo das associações se evidencia quando comparado às demais formas de acesso. Em 2025, 873 mil pacientes utilizaram cannabis medicinal no Brasil, distribuídos entre três canais: importações (40,5%), farmácias (33,6%) e associações (25,9%).
Apesar de não liderarem em volume, as associações oferecem vantagens como menor carga tributária e forte engajamento social, atraindo pacientes em situação de vulnerabilidade por meio de doações e campanhas.
Enquanto isso, as farmácias consolidam espaço com produtos regulados pela Anvisa, mas enfrentam críticas pelo preço médio mais alto. Cerca de R$ 679 por óleo, contra R$ 363 nas associações. Já as importações, embora ofereçam maior diversidade de formas farmacêuticas, seguem como a via mais burocrática e onerosa.
Fonte: Cannalize
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