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Câncer de cabeça e pescoço tem novas opções de tratamento

Há 10 anos, não havia inovações terapêuticas para cânceres de cabeça e pescoço, como os de boca e laringe, que acometerão mais de 22 mil brasileiros neste ano

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar dois regimes de Keytruda (pembrolizumabe), a imunoterapia da MSD, para o tratamento em primeira linha de pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço, recorrente/metastático ou irresecável.

A partir dessa recomendação, pacientes brasileiros têm novas opções de terapia com o uso da medicação em monoterapia, com expressão de PD-L1 (biomarcador de prognóstico de melhor resposta à terapia) ou em combinação com quimioterapia com platina e 5-fluorouracil. Há 10 anos, não havia inovações para tratar esse tipo de tumor, que corresponde a 90% dos casos registrados de câncer de cabeça e pescoço — uma parcela considerável, de acordo com as estatísticas de mais de 22 mil previstos para este ano no Brasil.

“O câncer de cabeça e pescoço continua sendo uma doença devastadora, com maus resultados a longo prazo. Além disso, os avanços na sobrevivência são difíceis de obter há mais de uma década”, esclarece a diretora médica de oncologia da MSD Brasil, Dra. Marcia Datz Abadi. “Contudo, a aprovação de pembrolizumabe surge como alternativa para responder a essa necessidade para o tratamento desta forma agressiva de câncer de cabeça e pescoço”.

Para o oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP), Dr. Gilberto de Castro Júnior, “pembrolizumabe abre um novo caminho para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço em primeira linha. Isso porque desde 2009, não tínhamos a incorporação de novas tecnologias para tratar essa doença nos pacientes recém-diagnosticados com metástases à distância. Assim, trazendo esperança para eles. O estudo KN-048 revelou um ganho de 10% a mais de pacientes vivos em dois anos na pesquisa, com menos efeitos colaterais”, explica o especialista.

Novo medicamento

A aprovação baseou-se nos resultados do estudo de Fase 3, KEYNOTE-048, no qual pembrolizumabe, em monoterapia e em combinação com quimioterapia, demonstrou uma melhora significativa na sobrevida global em comparação com o tratamento padrão. O estudo contou com a participação de 882 pacientes com CECP metastático ou recorrente que não tinham recebido terapia prévia como primeira linha. Os pacientes foram divididos em três grupos para receber os seguintes esquemas de tratamento: pembrolizumabe isoladamente; pembrolizumabe em combinação com quimioterapia com platina e 5-FU; ou o tratamento padrão (cetuximabe com carboplatina ou cisplatina mais 5-FU). A sobrevida global foi estatisticamente maior nos grupos com pembrolizumabe comparados ao tratamento padrão, com mediana de 13 meses versus 10,74.

Sobre o câncer de cabeça e pescoço

O câncer na região da cabeça e pescoço inclui os tumores em regiões como cavidade oral, laringe e faringe. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima um total de 22.370 mil novos casos desses tipos em 2019. Entre os casos, 17.590 deles serão  em homens e 4.780 em mulheres. O câncer de cabeça e pescoço pode aparecer em outras áreas como nas vias aerodigestivas superiores como a faringe e seios paranasais e o carcinoma de células escamosas é o tipo histológico mais frequente, presente em cerca de 90% dos casos.

O consumo de álcool e o tabagismo são fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço. Tais hábitos podem multiplicar em até 20 vezes a possibilidade de uma pessoa saudável desenvolver a doença. Além disso, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) também tem contribuído com o aumento na incidência nos últimos anos, especialmente na região da orofaringe, que engloba a base da língua, as amídalas e a parte lateral e posterior da garganta.

Foto: Shutterstock
Fonte: MSD

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