
O uso crescente de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus está provocando uma transformação inesperada nos hábitos de consumo dos brasileiros.
Enquanto alguns mudam para hábitos alimentares mais saudáveis, outros usuários estão voltando a consumir itens antes evitados, como refrigerantes tradicionais e cervejas, talvez com a confiança de que o medicamento os ajuda a manter o peso sob controle.
A pesquisa
A pesquisa, conduzida pela Varejo 360, foi apresentada durante a Latam Retail Show, no dia 16 de setembro, no Expo Center Norte. O estudo analisa os efeitos econômicos dos medicamentos “emagrecedores” na indústria de alimentos, tanto no consumo dentro quanto fora do lar.
Foram avaliados os hábitos de compra de 246 shoppers, comparando o período de 12 meses antes da aquisição do primeiro medicamento com os 12 meses seguintes. “É como se o consumidor dissesse: ‘Agora posso tomar o que gosto, sem precisar da versão light’”, explica Fernando Faro, fundador e sócio da Varejo 360.
Impacto no mix de margens das farmácias
Ao Guia da Farmácia, Faro conta que atualmente a venda destes medicamentos está bastante concentrada nas redes vinculadas a Abrafarma. “Eu acredito que com o lançamento dos genéricos é previsível uma ampliação da distribuição nas demais redes e nas drogarias independentes”, diz. Ainda segundo ele, a categoria tem o poder de ampliar o faturamento de forma significativa, mas também é importante estar atento com o impacto no mix de margem e as perdas.
Quem está mudando?
- Mulheres acima de 40 anos, das classes A e B, lideram o uso dos medicamentos.
- Apenas 9,5% dos consumidores compraram o medicamento cinco vezes ou mais, evidenciando o alto custo do tratamento.
- A substituição de alimentos sólidos por líquidos é uma tendência entre os usuários frequentes.
Impacto no varejo e na indústria
- Queda nas vendas de alimentos ultraprocessados, doces e refeições prontas.
- Redução na frequência de visitas a redes de fast food.
Fonte: Varejo 360
Foto: Shutterstock
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