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Com 434 novas mortes, São Paulo registra recorde de óbitos por coronavírus em 24 horas

Total chega a 13.068 óbitos e há 229.475 casos confirmados pela doença no Estado; autoridades justificam números por aumento de contágio em cidades do interior paulista

Com 434 novos óbitos registrados nas últimas 24 horas, o Estado de São Paulo registrou recorde de mortes provocadas pelo novo coronavírus. A marca anterior tinha sido atingida em 17 de junho, com 389 mortes. Nas últimas 24 horas também foram registrados 7.502 novos casos confirmados da doença. As informações foram divulgadas em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta terça-feira, 23.

Estado com maior número de casos do novo coronavírus no País, São Paulo totaliza 229.475 casos confirmados e 13.068 óbitos, crescimento de 3,2% em casos e 3,3% em óbitos de segunda-feira, 22, para terça-feira. As autoridades justificam números por aumento de contágio em cidades do interior paulista.

O coordenador executivo do Centro de Contigência Covid-19, João Gabbardo, afirma que o aumento de óbitos e casos não tem pressionado a quantidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “O que mais chama atenção é o número de óbitos registrados em 24 horas. Obviamente que isso entristece a todos, o que isso representa. Agora, esse número ocorre e está dentro da previsão de cenário que a gente tem até o dia 30 de junho. Isso ocorre porque o interior do Estado está numa curva ascendente, de crescimento de casos, mesmo com a redução da capital e da região metropolitana. Mas isso não tem pressionado os leitos de UTI. Nós continuamos com 33% a 34% dos leitos disponíveis para a população, o que, nesse momento, é o que mais importa”, disse Gabbardo.

Ainda de acordo com ele, o crescimento no interior já era algo previsto. “Nós estamos com uma curva de casos dentro da faixa prevista, no limite superior por causa do aumento das testagens, e de óbitos na faixa, dentro do limite inferior”.

Crescimento de casos e óbitos no interior

“Isso não é recorde só porque o número foi maior. Temos de estar dentro da média móvel da semana”, disse o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

“O que realmente mede a transmissão do vírus são os testes PCR. O aumento de ontem (segunda) para hoje (terça) foi de 2,6% em casos confirmados por testes PCR”, disse o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Paulo Menezes. “O que a população faz em determinado momento resulta em óbitos lá para frente. Quando a gente vê o número de óbitos hoje a gente vê as consequências de cerca de um mês atrás”, disse sobre o recorde no número de óbitos das últimas 24 horas.

“Muitos prefeitos têm feito o isolamento social mais forte nas suas cidades. Aconteceu em Sorocaba, Campinas, agora em Cordeirópolis, região de Limeira”, acrescentou o secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de SP, Marco Vinholi. “A questão está agravando na região de Marília, hoje já está em 148,9% no crescimento de número de casos, da mesma forma no número de óbitos e internações. A gente registra a necessidade da mobilização desses gestores municipais”, alertou Vinholi.

Ao ser questionado sobre a necessidade de transferir recursos para cidades do interior, o secretário estadual da Saúde disse que será feito, caso seja necessário. “Se necessário faremos isso. Mas hoje não temos necessidade de retirar respiradores da Grande SP e transferir para o interior. Todos estão abastecidos e ainda temos respiradores a distribuir”.

“Atualmente, junto com os respiradores, nós encaminhamos pequenos vídeos mostrando como a equipe médica pode adaptar um paciente com um tipo de insuficiência respiratória, qual é a melhor técnica de respiração e como o respirador pode ser utilizado”, completou o coordenador do Centro de Contingência de Coronavírus, Carlos Carvalho.

Flexibilização

Sobre a reabertura na capital paulista, Gabbardo avalia que o Plano SP não é um plano de flexibilização. “Prevê uma avaliação do cenário epidemiológico. O que os dados apontam mais recentemente na capital paulista é que está reduzindo a velocidade da transmissão da doença, o número de internações e diminuindo a utilização de leitos de UTI. Essas medidas apontam para uma possibilidade que será implementada se esses cenários se confirmarem”.

A secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, afirma que diferentemente do interior, a região metropolitana de São Paulo observa estabilidade. “Estamos monitorando os dados diariamente em cada região. Já havíamos destacado atenção em Sorocaba, com ocupação de leitos subindo, Campinas e Franca. Com ocupação de leitos subindo. Saindo de fase de controle para fase de alerta em Sorocaba em Campinas. Às vezes a regional ainda tem capacidade, mas o município não. Na região de Franca, também vimos um aumento de internações e de casos. Ribeirão Preto já está na fase vermelha, após aumento de casos e internações. Na região metropolitana, estamos observando estabilidade. A expectativa é de estabilidade”, disse Patrícia Ellen. Desta forma, o governo de São Paulo estuda passar a capital paulista e região metropolitana para a fase amarela, tornando as medidas ficam menos restritivas.

A taxa de isolamento registrada no domingo, 21, foi de 53% na capital e 52% no Estado de SP; na segunda, 47% na capital e 46% no Estado de São Paulo.

Inquérito epidemiológico

Sobre o inquérito epidemiológico anunciado nesta terça-feira pela Secretaria Municipal de Saúde de SP, apontando que 9,5% da população do Estado já foi infectada pelo novo coronavírus, Paulo Menezes disse que “é esperado uma proporção importante da população ter tido uma infecção pelo vírus na medida em que estamos observando redução de internações, por exemplo, no município (de São Paulo)”.

Com relação aos estudos envolvendo o corticoide dexametasona, Carvalho afirmou que o corticoide pode trazer benefícios em casos de pacientes mais graves. “Agora está se estudando se ele serviria para todos ou se seria melhor em alguns subgrupos de pacientes. A mensagem é não utilizar o corticoide nas fases mais leves. O indivíduo em casa, como aconteceu com a cloroquina, vale a pena comprar? Não. Ele atua nos casos graves, é um medicamento para uso hospitalar, e não domiciliar. Essa medicação não deve ser usada sem prescrição médica, mas é uma boa opção e vai nos ajudar a diminuir a mortalidade dos pacientes mais graves”, disse.

Sobre os anestésicos utilizados em pacientes graves que está em falta, o secretário da Saúde disse que ainda que, embora baixos, ainda há estoques nos hospitais do Estado. “Há uma mobilização do Ministério da Saúde para fazer uma ata de compras”.

Vacinas para o coronavírus

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que o Estado de São Paulo tem um programa próprio para a produção de vacina contra o novo coronavírus. “A vacina que o Estado de São Paulo está empenhado em desenvolver é da Sinovac. Estamos otimistas que teremos a vacina até o fim deste ano. Com certeza, em um estudo clínico que deverá ser feito até o fim outubro e a vacina a partir do ano que vem, se for aprovada no estudo clínico”.

“Ela tem uma tecnologia diferente da vacina desenvolvida na Universidade de Oxford. É a segunda vacina que entra em estudo clínico no mundo. A tecnologia envolvida é tradicional, em que o Butantan tem experiência. A vacina de Oxford tem uma tecnologia nova, ainda não usada em escala para produção de vacinas”, explicou. Sobre os testes no Brasil, Dimas Covas disse que “é muito bom que isso aconteça. Quanto mais vacinas melhor”.

Durante a coletiva desta terça-feira, o secretário de Saúde atualizou o número de profissionais da saúde infectados pela covid-19. “Na rede estadual, foram 10.718 profissionais afastados das suas funções desde o início da pandemia. Destes, 7.258 já retornaram para os seus postos de trabalho e 3.460 ainda estão em tratamento. Além disso, 40 óbitos foram registrados entre eles”, afirmou Germann.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI no Estado de SP é de 65,7% e na Grande SP, 68%. Atualmente há 5.659 pacientes internados na UTI e 8.295 em enfermaria, entre suspeitos e confirmados. A todo, 39.227 pessoas já tiveram alta.

Foto e fonte: Estadão 

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