Como ficam as farmácias em um mundo pós-coronavírus?

Confira as principais apostas dos analistas da XP Investimentos sobre o comportamento das farmácias pós-coronavírus

Como será o futuro das farmácias pós-coronavírus? O setor farmacêutico é um dos que tiveram que se adaptar com a crise da pandemia.

Com restrições nas lojas, adiamento de procedimentos eletivos, bem como com uma temporada de crise mais branda e menos pessoas circulando pelos estabelecimentos, as farmácias sofreram.

O desafio, no entanto, parece ter sido superado. As empresas vêm mostrando bons resultados no terceiro trimestre e devem seguir o movimento de recuperação. Tanto é que os analistas de Varejo da XP Investimentos estão otimistas e com uma visão construtiva para o setor.

Segundo o IQVIA (referência global de informações na área de saúde), o mercado varejista farmacêutico brasileiro tem espaço para crescer 4,1% em 2020 e 10,3% em 2021.

Saúde em primeiro lugar

Quando se vive em meio a uma pandemia, o cuidado com a saúde e bem-estar tende a ser maior. Talvez tenhamos aprendido isso da pior forma, mas as farmácias tendem a se favorecer desse movimento.

Agora, os consumidores estão preocupados com o aparecimento de possíveis doenças e querem fazer de tudo para evitar adoecer.

Esse comportamento ‘preventivo’ já tem feito as farmácias investirem em um mix de produtos cada vez maior. A tendência é que elas se tornem verdadeiras unidades de saúde, com serviços diversos que vão desde testes rápidos para detecção de doenças, até alimentos, bebidas e claro, medicamentos.

Destaques

Os analistas acreditam que a Raia Drogasil e a Pague Menos são as empresas que mais têm condições de se beneficiar do movimento.

Elas se anteciparam e já durante a pandemia passaram a atuar de forma mais completa. Assim, atualmente, 65% das lojas da Raia já aplicam injetáveis e 42% oferecem testes para a Covid-19.

Na rede da Pague Menos, mais de 65% das unidades já possuem uma sala ‘Clinic Farma’.

Para os especialistas do setor, a farmácia do ‘novo normal’ deve resgatar o papel do farmacêutico, bem como funcionar como uma verdadeira loja de conveniência da saúde.

Digital marcante

Impossibilitados de sair de casa, o e-commerce foi a solução encontrada por grande parte da população.

Para a XP Investimentos, atuar em mais de um canal é essencial para o sucesso nos próximos anos. Assim, mais uma vez, a Raia Drogasil e a Pague Menos saem na frente das concorrentes.

“O futuro é claramente omnicanal, e as farmácias que não oferecem isso ao consumidor terão dificuldades”.

Consolidação e competição

A XP Investimentos vê espaço para mais consolidação no setor e não está preocupada com a dinâmica competitiva no curto prazo.

O tendência de envelhecimento da população brasileira é um pont a ser considerado. O número de idosos no Brasil, que hoje é de 60 milhões, deve dobrar até 2050 – o que tende a favorecer as empresas do setor, já que é uma faixa de idade com maior probabilidade de desenvolver doenças crônicas e, portanto, um consumo maior de remédios.

A XP vê um cenário onde as novas inaugurações não devem superar a demanda. A consolidação do mercado, no entanto, ainda precisa caminhar mais.

Atualmente, um terço do mercado está nas mãos das mesmas 5 empresas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, 3 empresas principais dominam o setor.

Genéricos em alta

A tendência de crescimento no uso de genéricos é outra boa notícia para o setor, já que eles abrem a porta para o crescimento da margem.

Dessa maneira, a XP Investimentos vê potencial elevado de avanço desse mercado: enquanto no Brasil o segmento representa apenas um terço das vendas, no exterior os genéricos chegam a dominar 70% do mercado.

” Estimamos que, para cada 1 p.p. de participação (% das vendas) que os genéricos ganham de medicamentos de marca, as margens brutas aumentam em aproximadamente 0,3 p.p’.

Último, mas não menos importante…

Em qualquer que seja o segmento, só se fala dele. O ESG (que pesa ações ligadas ao Meio Ambiente, o Social e a Governança) é a tendência do momento no mercado e tem um peso cada vez mais maior na tomada de decisões dos investidores.

Em um  relatório recente que analisa como cada uma das empresas do setor está posicionada com relação ao ESG, a corretora destaca que a Raia Drogasil vem se destacando, principalmente apoiada em ações sustentáveis – como a redução da pegada de carbono – e uma ótima governança corporativa.

Enquanto isso, a Pague Menos parece ter abraçado a causa da diversidade de gênero e a d1000 precisa avançar em questões relacionadas a governança.

Os analistas, no entanto, ressaltam: a Pague menos é a preferência da casa no setor. ” Acreditamos que a companhia oferece o maior potencial de ganhos para os investidores (54%), que deve ser concretizado à medida em que a empresa entregue ganhos de eficiência operacional”.

Fonte: Seu Dinheiro

Foto: Shutterstock

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