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Corrida por vacina tem 10 países e 24 imunizantes em testes

China, Reino Unido, Estados Unidos, Índia, Rússia, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Alemanha e Canadá trabalham em medicamento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta semana que, das 166 vacinas desenvolvidas ao redor do mundo contra o novo coronavírus, 24 estão pelo menos na primeira fase dos testes clínicos – feitos em seres humanos. São responsáveis pelo desenvolvimento dos imunizantes mais avançados: China, Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Rússia, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Alemanha e Canadá.

As demais estão na fase pré-clínica, estágio em que são realizados testes em animais para comprovação dos dados obtidos em experimentações in vitro. Uma delas é desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP).

Atualmente, três pesquisas lideram a corrida: Reino Unido, China e Estados Unidos. O Brasil fechou parceria com a Universidade de Oxford e com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, que já estão na terceira e última etapa dos testes clínicos. Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou pesquisas para o desenvolvimento de mais duas vacinas, desenvolvidas pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech. Porém todos os lotes previstos já foram comprados pelos Estados Unidos.

Veja abaixo a relação de países e suas vacinas:

China
Sinovac. A biofarmacêutica chinesa Sinovac fechou parceria com o governo do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Butantã, para desenvolver a vacina CoronaVac, que já está na terceira e última fase de testagem. A primeira dose está sendo aplicada em 890 voluntários do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). E a médica da casa Stefania Teixeira Porto foi a primeira voluntária a receber a dose de CoronaVac.

CanSino Biological e Instituto de Biotecnologia de Pequim. Este ensaio clínico encontra-se em fase preliminar (fase 2) e sua eficácia ainda não foi estabelecida em um estudo de fase 3. Mas, de acordo com os resultados publicados na segunda-feira, 20, na revista médica The Lancet, estudo causou uma forte reação de anticorpos na maioria dos cerca de 500 voluntários testados.

Biofarmacêutica Anhui Zhifei Longcom, Instituto de Microbiologia e Academia Chinesa de Ciências. A fase 2 das vacinas em humanos começou em 10 de julho, menos de três semanas após a companhia ter lançado a fase de testes clínicos. A firma não forneceu detalhes da fase 1 da vacina experimental. A expectativa é de que os resultados estejam prontos em 20 de setembro.

Instituto de Biologia Média, Academia Chinesa de Ciências Médicas.

Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) Academia Militar de Ciência e biofarmacêutica Walvax Biotech.

Institute de Produtos Biológicos de Wuhan e Sinopharm.

Institute de Produtos Biológicos de Pequim e Sinopharm.

Reino Unido

Universidade de Oxford e AstraZeneca. A vacina desenvolvida por Oxford é considerada uma das mais promissoras na corrida por um imunizante contra a covid-19. O governo federal fechou uma parceria com a universidade britânica no fim de junho para compra de lotes de vacina e transferência tecnológica. A vacina está na fase 3, sendo testada simultaneamente em 50 mil pessoas em todo o mundo, um número recorde. No Brasil, são 5 mil pessoas: duas mil em São Paulo, duas mil na Bahia e mil no Rio de Janeiro.

Imperial College London.

Estados Unidos

Moderna e NIAID. A vacina experimental da Moderna foi considerada segura e provocou resposta imunológica em todos os 45 voluntários saudáveis em um estágio inicial, de acordo com informações divulgadas por pesquisadores na semana passada. O governo americano está apoiando a vacina da Moderna com cerca de meio bilhão de dólares e escolheu ela como uma das primeiras para iniciar testes amplos em humanos. Uma vacina bem sucedida pode ser um ponto de virada para a Moderna, sediada em Cambridge (Massachusetts), que nunca teve um produto licenciado.

Novavax. O governo Trump assinou um contrato no valor de US$ 1,6 bilhão com a empresa de biotecnologia Novavax para desenvolver uma vacina contra o coronavírus. O acordo pagará por ensaios clínicos em estágio avançado e garantirá 100 milhões de doses da vacina a ser usada pelos Estados Unidos.

BioNTech, Fosun Pharma e Pfizer. Os Estados Unidos fecharam nesta quarta-feira, 22, um acordo com as farmacêuticas Pfizer e BioNTech para comprar, ainda em neste ano, 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19. As empresas informaram que não devem conseguir produzir mais do que isso neste ano. Biofarmacêutica Clover, GSK e Dynavax. Em 19 de junho, a Clover se tornou a sexta companhia chinesa a receber autorização para testar em humanos. Farmacêutica Inovio e Instituto Internacional de Vacina.

Kentucky Bioprocessing, Inc.

Índia

Bharat Biotech. A potencial vacina contra covid-19 da companhia Bharat Biotech foi a primeira candidata indiana a receber o aval da agência reguladora local para ser testada em humanos no fim de junho. A Controladoria-Geral de Medicamentos da Índia aprovou o pedido da companhia para realizar as fases 1 e 2 de testes clínicos da Covaxin, que foi desenvolvida em conjunto com o Instituto Nacional de Virologia do Conselho Indiano de Pesquisa Médica.

Farmacêutica Cadila Healthcare. A aprovação para a vacina desenvolvida pela empresa poder começar os testes em humanos chegou em 3 de julho. A companhia planeja testar mais de mil pessoas na Índia ainda neste mês.

Rússia

Instituto de Pesquisa Gamaleya. O instituto russo, que está desenvolvendo uma das potenciais vacinas do país, espera começar o estágio final de testes no público geral em meados de agosto. Os resultados iniciais, baseado em testes feitos em um pequeno grupo de pessoas, mostrou que a vacina é segura no último dia 12.

Japão

Universidade de Osaka, biofarmacêutica AnGes e Takara.

Vacina: Austrália

Universidade de Queensland, biofarmacêutica CSL e Seqirus. A CSL, maior empresa de biotecnologia da Austrália, disse no início de junho que ajudaria a financiar a vacina da Universidade de Queensland e, se obtivesse sucesso, poderia fabricar até cem milhões de doses até o final de 2021. A produção inicial em larga escala da vacina começaria nas instalações da fábrica em Melbourne, e a CSL também subcontrataria outros fabricantes globais de medicamentos para aumentar o número de doses e ampliar a distribuição.

Biomarcêutica Vaxine Pty e a empresa sul-coreana Medytox.

Coreia do Sul

Consórcio Genexine. A biofarmacêutica iniciou os testes clínicos em 19 de julho. É a primeira empresa na Coreia do Sul a testar um imunizante contra a covid-19.

Alemanha

CureVac. A empresa alemã de biotecnologia conseguiu um empréstimo de 75 milhões de euros junto ao ao Banco Europeu de Investimento para aumentar sua capacidade de fabricação. O empréstimo, disse, ajudará a investir na tecnologia de abordagem de RNA mensageiro e a acelerar a construção de um quarto local de produção em sua sede em Tuebingen, na Alemanha. É a segunda injeção de novo financiamento para a empresa em meses, depois que o governo alemão investiu 300 milhões de euros em uma participação de 23% na empresa em junho para ajudar no desenvolvimento de sua vacina COVID-19. O CureVac também é apoiado pela Fundação Bill & Melinda Gates.

Canadá
Medicago Inc. A biofarmacêutica canadense começou os testes da vacina feita com plantas no dia 14 de julho.

Abaixo, entenda as fases de desenvolvimento de uma vacina:

Fase exploratória ou laboratorial: Fase inicial ainda restrita aos laboratórios. Momento em que são avaliadas dezenas e até centenas de moléculas para se definir a melhor composição da vacina.

Fase pré-clínica ou não clínica: Após a definição dos melhores componentes para a vacina, são realizados testes em animais para comprovação dos dados obtidos em experimentações in vitro.

Fase clínica: É a testagem do produto em seres humanos. Esta fase do processo se divide em três:

Fase 1 – A primeira etapa tem por objetivo principal testar a segurança do produto. São testados poucos voluntários, de 20 a 80, geralmente adultos saudáveis.

Fase 2 – A segunda etapa da testagem em seres humanos analisa mais detalhadamente a segurança do novo produto e também sua eficácia. Em geral, é usado um grupo um pouco maior, que pode chegar a centenas de pessoas.

Fase 3 – Na última etapa o objetivo é testar a segurança e eficácia do produto especificamente no público-alvo a que se destina. Nesta etapa, o número de participantes pode chegar a milhares. Mesmo depois da aprovação, nova vacina continua sendo monitorada, em busca de eventuais reações adversas.

Foto: Shutterstock

Fonte: Terra

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