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Covid-19: dois novos estudos mostram ineficácia da cloroquina

As pesquisas publicadas na 'Nature' mostraram a ineficácia da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19

Dois estudos publicados nesta quarta-feira (22) pela revista “Nature” apontaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não são úteis no tratamento da Covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus.

Em um dos artigos, o medicamento anti-malárico falhou em apresentar efeito antiviral contra a Covid-19 em macacos. Já outra pesquisa não viu efeitos da cloroquina nas células pulmonares infectadas pelo vírus, em laboratório.

Os dois estudos foram adiantados pela revista por conta da sua importância, mas já foram validados por outros cientistas e editores da publicação, é a chamada peer review (revisão por pares). Eles devem entrar na próxima edição da “Nature” em agosto, mas já estão disponíveis para consulta online.

O dados sugerem que o medicamento não é eficaz tanto no tratamento quanto na prevenção da doença. No estudo da feito em primatas “não humanos”, infectados pelo Sars-Cov-2, a hidroxicloroquina não mostrou uma grande atividade antiviral.

Teste em primatas

Segundo o estudo feito com cobaias vivas, não há eficácia do medicamento em nenhum momento da doença, seja antes da infecção (profilaxia), logo após o contato com o vírus ou em casos mais avançados da doença.

Os pesquisadores de um laboratório francês introduziram o vírus Sars-Cov-2 no organismo de 17 macacos da espécie Macaca fascicularis, conhecida como macaco-cinomolgo, que é nativo do Sudeste Asiático e normalmente usado como cobaia para experimentos.

“Não conseguimos provar a atividade antiviral nem eficácia clínica no tratamento com hidroxicloroquina”, escreveram os autores da pesquisa. “Nossos resultados ilustram a discrepância frequente entre os resultados do ‘in vitro’ (em células) e ‘in vivo’ (em cobaias).”

O estudo medicou apenas nove dos espécimes, o restante formou parte do “grupo de controle” para poder garantir a comparação dos efeitos ou não do uso do anti-malárico. Não houve diferença no percurso da infecção em nenhum dos dois grupos.

Sem ação nas células pulmonares

A segunda pesquisa publicada pela “Nature” não comprovou os efeitos da cloroquina contra a infecção de células pulmonares pelo Sars-Cov-2. O experimento, feito em laboratório, testou a ação do medicamento ‘in vitro’, sem o uso de cobaias vivas.

“Nossos resultados indicam que a cloroquina visa um caminho para a ativação viral que não funciona nas células pulmonares”, escreveram os pesquisadores. “[o uso da cloroquina]é improvável para proteger contra a disseminação de Sars-Cov-2.”

Cloroquina não funciona em casos leves de Covid-19

Na semana passa, outro estudo publicado pela revista “Annals of Internal Medicine” apontou que a administração de hidroxicloroquina em pacientes com quadro leve de Covid-19 não se mostrou eficaz.

Cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, disseram não haver diferença significativa entre os pacientes tratados com o anti-malárico e os medicados com um placebo.

Participaram deste estudo randomizado, 491 voluntários não hospitalizados e com sintomas gripais. Eles foram divididos em dois grupos, os que receberam o medicamento e os que foram administrados com um placebo; este é o grupo controle – que garante a comparação.

Também na semana passada, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) recomendou o abandono da cloroquina no tratamento da Covid-19.

Foto: Shutterstock

Fonte: G1

1 comentário

  1. Avatar
    Geovanine em

    Esse estudo, em macacos ou em laboratório, não serve para nada. Já foi informado, por diversas vezes, que a hidroxicloroquina e a cloroquina permitem que o indivíduo não agrave o seu estado de saúde, permitindo que o seu próprio organismo tenha mais tempo para reagir à infecção. A questão é tempo. Se o vírus circular livre, ou seja, sem a ação das travas que esse e outros medicamentos proporcionam, a chance de agravamento é muito maior, principalmente naqueles indivíduos imunodeprimidos ou que apresentam comorbidades. Portanto, a pesquisa é tendenciosa.

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