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Crianças e Covid-19: 7 pontos que a ciência já sabe sobre o tema

Pesquisas apontam que o risco de morrer é muito baixo, mas que as crianças podem desenvolver uma síndrome rara e grave associada à doença

Estudos publicados nos últimos meses ajudam a ciência a responder a algumas perguntas sobre as crianças e a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Até o momento, as crianças têm sido protegidas de casos mais graves de coronavírus.

Esses são os 7 pontos que a ciência já sabe sobre como a Covid afeta as crianças:

  1. Sintomas da doença
  2. Síndrome associada à Covid-19
  3. Gravidade da doença
  4. Risco de morte
  5. Quantidade de vírus no corpo (carga viral)
  6. Tempo do vírus fica no corpo
  7. Por que as crianças tendem a ser menos afetadas

O que os cientistas ainda precisam entender:

1. Quais os sintomas da Covid-19 em crianças?

Um estudo britânico publicado no fim de agosto no “British Medical Journal” (BMJ) mostrou que os sintomas mais comuns da doença entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foram a febre (70%), a tosse (39%), náusea ou vômito (32%) e falta de ar (30%).

O estudo avaliou 651 pacientes.

Mas as crianças também podem não ter nenhum sintoma da infecção: 

Em um estudo feito com 91 crianças e adolescentes, com idades de 0 a 18 anos na Coreia do Sul, cientistas perceberam que 20 delas, o equivalente a 22%, não mostraram nenhum sinal da doença durante o tempo em que foram monitoradas, que foi, em média, 16 dias.

No entanto, outras 18 crianças, o equivalente a 25%, começaram assintomáticas, mas desenvolveram sintomas depois; e apenas 6 (o equivalente a 9%) foram diagnosticadas na época do início dos sintomas.

Os mais comuns foram a tosse (41%), a febre baixa (38%), o catarro (32%), a febre acima de 38°C (30%).

Crianças também podem desenvolver problemas intestinais, como diarreia.

2. Síndrome associada à Covid

As crianças também podem desenvolver um problema chamado Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), associada à Covid-19.

Os principais atingidos são o sistema cardiovascular e o trato digestivo, e também há alterações na pele e nas mucosas.

A principal característica da SIM-P é a febre persistente e difícil de abaixar e ela pode ser acompanhada de dores no corpo, de cabeça, mal-estar e indisposição.

Pouco comum

Uma outra forma de apresentação da SIM-P é semelhante à síndrome de Kawasaki, uma doença de origem imunoalérgica que também causa febre difícil de abaixar.

No entanto, apesar de rara,  síndrome continua ocorrendo pouco: cerca de mil crianças podem ter tido o problema em todo o mundo.

3) Crianças podem ter quadros graves de Covid-19?

Sim, mas a probabilidade é menor que nos adultos.

No estudo publicado no BMJ, com 651 crianças com idades entre 0 e 19 anos no Reino Unido, os cientistas constataram que:

  • 18% das crianças precisaram de cuidados intensivos (116 de 632 para as quais havia resultados disponíveis);
  • 9% precisaram de ventilação não invasiva (57 de 619 para as quais havia resultados disponíveis);
  • e outros 9% (58 de 620 para as quais havia resultados disponíveis) precisaram de ventilação mecânica (intubação);
  • “Não podemos explicar os achados. Nosso estudo foi apenas descritivo”, afirmou, em entrevista ao G1, o pesquisador Calum Semple, professor de pediatria, medicina de surtos e consultor de saúde respiratória pediátrica da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e autor sênior do estudo.

    Semple afirma que diversos fatores associados à realidade das crianças negras ajuda pode ajudar a entender a estatística.

    “‘É múltiplo. Tem a ver com a nutrição da criança ao longo da vida, moradia, educação dos pais, acesso aos serviços de saúde. É tudo”, explicou o cientista.

    Mas ele frisa que deve também haver fatores genéticos envolvidos, porque o mesmo padrão foi encontrado em adultos com relação à cor da pele.

    Ele não soube dizer se, por exemplo, as crianças negras demoram mais tempo para serem levadas ao médico do que as brancas.

    O estudo feito na Coreia do Sul, com 91 pacientes, registrou apenas 2 casos graves da doença.

    Mesmo assim, nenhum deles precisou de ventilação mecânica.

    Informações de Nova York

    Uma outra pesquisa, feita em um hospital infantil em Nova York e publicada em junho, analisou 50 crianças e adolescentes com idade até 21 anos e constatou que:

    • era comum que os pacientes que precisavam de hospitalização tivessem comorbidades e que pacientes acima dos 2 anos de idade que fossem obesos tinham probabilidade de precisar de ventilação mecânica;
    • bebês pequenos tinham uma forma menos grave da doença;
    • ter marcadores inflamatórios elevados no momento da internação e ao longo da hospitalização foi associado a casos graves da doença;
    • ter algum tipo de comprometimento do sistema imunológico não foi associado a um caso mais grave de Covid-19

     

    4) Crianças podem morrer de Covid-19?

    Sim, mas o risco é muito baixo.

    Os cientistas britânicos classificaram, desse modo, a morte por Covid-19 em crianças como “excepcionalmente rara”.

    Eles tinham dados de 69,5 mil pessoas internadas em 260 hospitais britânicos até o dia 3 de julho.

    Dados gerais

    Contudo, na população em geral, com idades entre 0 e 106 anos, a mortalidade foi de 27% (18,8 mil pessoas morreram).

    Considerando somente as crianças e adolescentes com idade entre 0 e 19 anos, esse índice foi de 1% (houve 6 mortes entre os 627 pacientes para os quais havia resultados disponíveis).

    No estudo coreano com 91 crianças e adolescentes, por fim, nenhuma delas morreu.

    Na pesquisa no hospital de Nova York, com 50 pacientes, um morreu.

    No Brasil

    Aqui, segundo dados do Ministério da Saúde, 821 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) morreram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela Covid-19 até o dia 5 de setembro.

    Outros 74 casos, no entanto, ainda estavam em investigação.

5) As crianças têm menor quantidade de vírus (carga viral) no corpo que os adultos?

Não necessariamente. Em um estudo publicado em 20 de agosto, pesquisadores dos Estados Unidos constataram que crianças com a Covid-19 internadas em uma UTI tinham maior carga viral do que adultos hospitalizados.

As maiores quantidades de vírus foram encontradas nos pacientes com idades entre 11 e 16 anos, segundo o estudo.

A pesquisa considerou como “crianças” todos aqueles com idade entre 0 e 22 anos, mas não especificou a idade dos adultos que foram analisados.

Quanto maior a carga viral, maior é a capacidade que uma pessoa tem de transmitir a doença. Até agora, ainda não se sabe o quanto as crianças conseguem transmitir a doença.

No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças acima dos 2 anos de idade usem máscaras sempre que possível, para evitar a transmissão da doença.

6) Por quanto tempo o vírus fica no corpo das crianças?

Ainda não há uma resposta exata.

No estudo coreano, com 91 crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos, os pesquisadores constataram que, de forma geral, o vírus ficou detectável por uma média de 17,6 dias nas crianças.

Nos casos assintomáticos, por exemplo, esse tempo foi de 14,1 dias.

Uma outra pesquisa, feita no Children’s National Hospital, na capital dos Estados Unidos, apontou, assim, que pacientes de 6 a 15 anos demoram mais tempo para eliminar o vírus (32 dias) quando comparados a pacientes de 16 a 22 anos (18 dias).

As meninas na faixa etária de 6 a 15 anos também demoraram mais que os meninos (média de 44 dias para as meninas e 25,5 dias para os meninos).

A mesma pesquisa também encontrou 33 crianças que tiveram resultados positivos tanto para a presença do material genético do vírus como para os anticorpos contra ele.

7) Por que as crianças tendem a ser menos afetadas?

A ciência ainda não sabe – mas já existem hipóteses.

Um estudo publicado no dia 3 de setembro no  “PNAS” (Proceedings of the National Academy of Sciences) levantou as possíveis explicações para isso:

Foto: Shutterstock

Fonte: G1

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