
O período de volta às aulas costuma ser intenso. A garotada está cheia de novidades sobre as férias, além da retomada do contato diário com os amigos e, claro, alguns problemas de saúde que podem surgir. E isso acontece porque o ambiente escolar é propício à propagação das infecções respiratórias, principalmente as virais.
“Na sala de aula, as crianças ficam aglomeradas, em contato por bastante tempo e, geralmente, num ambiente fechado. A circulação de vírus é favorecida neste tipo de ambiente”, comenta o médico alergista e diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dr. Eli Mansour.
No caso das alergias, elas acontecem como resposta alterada do organismo ao contato com alérgenos não danosos e podem ser agravadas na escola. “As alergias respiratórias podem ser descompensadas por infecções respiratórias. Ar-condicionado ou ambiente com muito acúmulo de poeira costumam piorar estas alergias”, pontua o médico.
Ainda segundo o Dr. Mansour, outro cuidado especial, no ambiente escolar, deve ser dado às alergias alimentares. “Essas alergias podem ser graves e não ingerir o alimento relacionado é o principal tratamento. Esta exclusão é bastante desafiadora na escola, pois demanda uma vigilância permanente contra compartilhamento de alimentos, prática comum entre as crianças menores”, alerta.
Problemas comuns
Tanto no período da volta às aulas quanto no inverno, é comum aparecerem doenças como: gripe e resfriado; sinusites e otites secundárias a resfriados mal curados; rinites alérgicas, por pó e mudanças de clima; bronquites e bronquiolites, principalmente nos menores; além de crises de asma em crianças que já têm predisposição.
“Além disso, o aumento do contato pode facilitar viroses gastrointestinais e outras infecções virais típicas do ambiente escolar”, diz a pediatra e consultora internacional em aleitamento materno, Dra. Loretta Campos.

A começar pela gripe, ela é causada pelo vírus influenza e tem sintomas mais intensos que o resfriado, como febre alta, dores no corpo, mal-estar, dor de cabeça e tosse. “O tratamento é repouso, hidratação e sintomáticos para febre e dores”, comenta. Já o resfriado é causado por vários tipos de vírus, como rinovírus, adenovírus, coronavírus, vírus sincicial respiratório, que são mais leves do que a gripe. “O resfriado provoca coriza, espirros, congestão nasal e leve mal-estar. Alguns têm maior comprometimento e gravidade na faixa etária pediátrica. O tratamento é geralmente sintomático, com antitérmicos, analgésicos e hidratação”, explica a otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Dra. Roberta Pilla.
Outros sinais de alerta
- Sinusite: a Dra. Roberta esclarece que também é bastante comum no período. “Trata-se da inflamação dos seios paranasais, que pode ser viral (mais comum) ou bacteriana. Ela causa dor facial, secreção nasal espessa, congestão. A maioria dos casos melhora sem antibióticos; em casos persistentes, eles podem ser indicados”, pontua.
- Rinite: figura entre os problemas mais comuns, não somente entre crianças, mas também entre adultos. A otorrinolaringologista pela Universidade de São Paulo (USP), Dra. Maura Neves, diz que a rinite é uma alergia a pólen, poeira ou mofo, com espirros, coriza clara e coceira no nariz e olhos, tratada com anti-histamínicos, corticoides nasais e evitando os desencadeantes.
- Bronquite e bronquiolite: a bronquite é muito presente entre as crianças. Geralmente tem origem viral, trazendo tosse prolongada e chiado leve, e melhora com medicamentos sintomáticos e, às vezes, broncodilatadores. “Já a bronquiolite é comum em bebês, causada pelo vírus sincicial respiratório, com tosse, chiado e respiração rápida, tratada com suporte respiratório e hidratação”, diz.
- Pneumonia e asma: pneumonia é a mais grave entre as doenças citadas. “Ela pode ser bacteriana ou viral, com febre alta, tosse com catarro e dificuldade respiratória, necessitando antibióticos e, em casos severos, hospitalização”, destaca a Dra. Maura, lembrando que a asma também faz parte da lista de doenças comuns. “É uma doença crônica, com crises de chiado, tosse e falta de ar, controlada com medicamentos inalatórios e medidas para evitar gatilhos”.
É preciso destacar que alguns sinais e sintomas podem significar agravamento do quadro respiratório. “Alguns exemplos: febre persistente; falta de ar; chiado no peito; desidratação; recusa alimentar; prostração; tosse intensa; e cianose (lábios azulados)”, alerta o Dr. Mansour.
Medidas preventivas
A prevenção se baseia em hábitos de higiene e cuidados ambientais. É fundamental ensinar as crianças sobre a importância de lavar as mãos com frequência, não compartilhar objetos pessoais, manter as salas de aula e a casa bem ventiladas e limpar superfícies com regularidade.

Aos pais/cuidadores e escolas, fica o alerta de evitar que crianças doentes frequentem a escola até se recuperarem. “Manter a vacinação em dia, principalmente contra a gripe, também é essencial”, diz a Dra. Maura.
O Dr. Mansour reforça a importância da vacinação. “A melhor forma de prevenir infecção é com a vacina. Portanto, todas as vacinas disponíveis, não havendo indicação baseada em dados científicos, devem ser administradas”, aconselha.
Em casa, as mesmas medidas devem ser reforçadas, além de manter boa hidratação, alimentação balanceada, sono e descanso adequado.
Cinco sinais de alerta para o agravamento de doenças respiratórias
A pediatra e Consultora Internacional do Aleitamento Materno, Dra. Loretta Campos lista os sinais e alerta: “Nesses casos, é importante procurar o pediatra o quanto antes”.
- Respiração acelerada ou fazendo força para respirar (afundando as costelas, batendo as asas do nariz);
- Lábios ou dedos arroxeados;
- Febre alta que não cede ou dura mais de 72h;
- Recusa alimentar ou ausência de ingestão de líquidos; e
- Muito sonolência ou irritação fora do habitual.
Prevenção dentro e fora da sala de aula
NA ESCOLA
- Ventilação adequada das salas de aula;
- Higienização frequente das mãos (álcool gel ou água e sabão);
- Evitar compartilhar objetos pessoais (garrafinhas, talheres, brinquedos de boca);
- Política de afastamento de crianças sintomáticas; e
- Atualização do calendário vacinal.
EM CASA
- Manter o ambiente arejado e limpo;
- Estimular hábitos saudáveis (sono, alimentação, atividade física);
- Oferecer alimentos ricos em vitaminas e antioxidantes (frutas, vegetais, fontes de ômega 3);
- Uso correto de umidificadores ou lavagem nasal com soro fisiológico nos dias mais secos; e
- Manter níveis adequados de vitamina D se expondo aos raios solares e/ou suplementando.
Fonte: pediatra e neonatologista especializada em Pediatria Integrativa, Dra. Juliana Alves
Tempo de viroses
As viroses – infecções causadas por vírus, são extremamente comuns entre crianças em idade escolar, especialmente nas creches e pré-escolas. “Elas podem afetar o sistema respiratório (como resfriados), gastrointestinal (como as gastroenterites) ou até a pele (exantemas virais)”, explica a pediatra e neonatologista especializada em Pediatria Integrativa, Dra. Juliana Alves.
A transmissão acontece pelo contato com secreções (espirro, tosse, saliva), superfícies contaminadas ou fezes (em casos gastrointestinais). “A higiene é fundamental e os sintomas mais comuns incluem febre; tosse; coriza; dor de garganta; diarreia; vômito; cansaço; e irritabilidade”, diz.
Quanto ao tratamento, a Dra. Loretta explica que é basicamente de suporte. “Deve-se hidratar bem, alimentar-se normalmente se tolerar e usar medicamentos apenas para aliviar sintomas (como febre ou dor). Vale lembrar que antibióticos não servem para virose”, pontua.
Fotos: Shutterstock
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