
A Farmais reforça sua estratégia de transformação digital com foco no comportamento do consumidor. Em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, o diretor de canais digitais, Murilo Cesar Viante, destacou como a empresa vem reposicionando sua atuação no mercado farmacêutico.
Segundo o executivo, o setor historicamente priorizou o produto, mas esse modelo precisa evoluir. “O mercado sempre olhou muito para estoque, mix e precificação. Agora precisamos olhar para o cliente: entender onde ele está, como quer comprar e como quer interagir”, afirma Viante.
Mudança de visão
A partir dessa mudança de visão, a empresa estruturou uma estratégia baseada em quatro pilares. O primeiro deles é um programa de fidelidade, que permite mapear o perfil dos consumidores. “Conseguimos entender faixa etária, região, comportamento de compra e, a partir disso, direcionar a comunicação”, explica.
O segundo pilar é o marketplace farmais.com.br, onde a indústria pode vender diretamente, com apoio logístico da rede. O terceiro é o desenvolvimento de um aplicativo próprio de vendas, que deve ampliar o contato direto com o cliente. Já o quarto pilar é a plataforma de conhecimento C2FA (Central do Conhecimento Farmice), voltada à capacitação de franqueados. “Lá temos tanto conteúdos sobre uso de WhatsApp como ferramenta de vendas, uso de Inteligência Artificial e gestão de loja”, diz.
Papel das lojas físicas
A estratégia também redefine o papel das lojas físicas. “A loja vira um hub logístico para atender o cliente, independentemente do canal escolhido”, afirma Viante. Segundo ele, a digitalização deixou de ser opcional.
“Mais do que fundamental, é estratégica para o futuro. Hoje, 14% das compras já acontecem no canal digital, especialmente em categorias de maior valor”, destaca.
No entanto, ele ressalta que apenas estar online não é suficiente. “Não adianta ter plataforma se você não entende quem é o cliente para fazer a oferta certa.”
Apoio ao pequeno varejo
A empresa também mira apoiar pequenos varejistas, especialmente aqueles com menor faturamento. “Essas farmácias não conseguem construir essa estrutura sozinhas. Por isso, levamos tecnologia, conhecimento e apoio estratégico para elas”, afirma.
O futuro do setor, segundo o executivo, depende diretamente da capacidade de análise de dados. “A única chance de sobrevivência é conhecer profundamente o cliente: quem compra, quem deixou de comprar e por quê”, diz.
Sem isso, o risco é operar no “achismo”. “Se não houver essa visão, as farmácias vão perder faturamento e nem vão entender o motivo”, conclui.
Foto: Adriana Bruno
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