
A Eli Lilly está ampliando a estratégia de crescimento para além dos medicamentos contra obesidade e diabetes, com novas aquisições e investimentos em tratamentos para outras doenças.
Em entrevista à CNBC durante um encontro de executivos de multinacionais e presidentes de bancos centrais do G20, na Carolina do Norte, o CEO da Eli Lilly, David Ricks afirmou que a companhia já anunciou mais de US$ 25 bilhões em acordos desde o início do ano.
Entre as operações está a aquisição da empresa americana de biotecnologia Merida, que amplia a atuação da farmacêutica no segmento de doenças autoimunes.
Segundo Ricks, o negócio está em estágio inicial e envolve uma tecnologia desenvolvida para eliminar anticorpos autoimunes que podem provocar danos ao organismo.
“É uma abordagem inovadora. Estamos animados com isso”, afirmou o executivo.
Ricks destacou que a estratégia da Eli Lilly é direcionar o fluxo de caixa para o desenvolvimento de novos medicamentos. Segundo ele, a companhia realizou mais negócios neste ano do que em todo o ano anterior até o mesmo período.
A diversificação é considerada importante para a empresa, que atualmente tem cerca de 65% das operações concentradas em obesidade, perda de peso e diabetes. Os outros 35% estão distribuídos entre diferentes áreas terapêuticas e também apresentam crescimento.
Motores de crescimento
Os medicamentos Mounjaro e Zepbound são os principais motores do negócio. Para os próximos anos, a companhia pretende tornar essa franquia mais durável por meio de medicamentos de nova geração, como o retatrutide e o orforglipron, ao mesmo tempo em que amplia investimentos em outras áreas da medicina.
“Nossa estratégia de longo prazo é dupla. Primeiro, tornar a franquia de obesidade mais durável. E, ao mesmo tempo, diversificar fora disso”, disse Ricks.
A companhia também aposta na expansão do acesso aos medicamentos contra obesidade. O executivo afirmou que o mercado já alcançou entre 25 milhões e 30 milhões de usuários globalmente, diante de um público potencial superior a 1 bilhão de pessoas.
A estratégia envolve ampliar a cobertura por seguros privados e governamentais, além de desenvolver alternativas para pacientes que pagam diretamente pelos medicamentos.
O executivo também citou o lançamento dos medicamentos orais e o programa Medicare Bridge, voltado à ampliação do acesso para idosos, como fatores importantes para a próxima etapa de crescimento.
Apesar da expansão dos tratamentos contra obesidade, algumas empresas começaram a rever a cobertura desses medicamentos diante do aumento dos custos. Ricks, porém, afirmou que o cenário permanece praticamente neutro para a Eli Lilly.
Segundo o CEO, o argumento econômico para a cobertura dos medicamentos está relacionado aos custos associados à própria obesidade, que pode elevar as despesas dos empregadores com problemas como doenças cardiovasculares e diabetes.
Ricks citou ainda um estudo recente da empresa segundo o qual pacientes tratados com Zepbound durante o primeiro ano teriam gerado economia suficiente para compensar o custo do medicamento.
Fonte: Times Brasil/CNBC
Foto: Shutterstock
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