A pressão econômica e situação financeira do consumidor brasileiro têm provocado mudanças importantes na relação com as farmácias. Dados da Pesquisa Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC), mostram que a barreira financeira para a compra de medicamentos praticamente triplicou nos últimos cinco anos.
Segundo o levantamento, 18,1% dos consumidores não conseguiram comprar todos os produtos que pretendiam adquirir em sua última visita à farmácia. Entre eles, 12,6% apontaram o fator financeiro como principal motivo para deixar algum item para trás. Em 2021, esse percentual era de apenas 4,8%, evidenciando uma deterioração significativa do poder de compra da população.
O estudo mostra ainda que o problema é mais intenso nas regiões Norte e Nordeste, onde os índices de não compra por razões financeiras alcançam 26,1% e 20,4%, respectivamente.

Situação financeira dos brasileiros x desafios para o varejo farma

Edison Tamascia, da Febrafar/Farmarcas. Crédito: divulgação
Para o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e da Farmarcas, Edison Tamascia, o cenário exige uma mudança de abordagem por parte do varejo farmacêutico.
“O consumidor continua muito atento ao preço, mas a solução não está apenas em ampliar descontos. O varejo farmacêutico tem buscado trabalhar com ofertas mais personalizadas, programas de fidelidade, alternativas terapêuticas equivalentes quando permitidas e maior acesso aos medicamentos genéricos”, comentou, em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia.
Segundo ele, a estratégia passa por oferecer mecanismos que facilitem o acesso sem comprometer a sustentabilidade das empresas.
“Mecanismos de parcelamento e condições diferenciadas de pagamento ajudam a reduzir o impacto financeiro para o consumidor. O grande desafio é equilibrar acessibilidade e sustentabilidade do negócio, oferecendo valor e conveniência sem transformar a relação com o cliente em uma disputa exclusivamente baseada em preço”, sugere.
Transformação digital impulsiona mudanças
A A situação financeira do brasileiro, somada à transformação digital, também estimula o crescimento da pesquisa de preços. Em 2021, apenas 1,1% dos consumidores pesquisavam preços pela internet antes da compra. Em 2026, esse percentual chegou a 11,3%, um crescimento superior a 900%.
Nesse contexto, programas de fidelidade ganham relevância. A pesquisa aponta que 64,5% dos consumidores participam dessas iniciativas e que 71,8% dos cadastrados consideram vantajoso fazer parte dos programas.

A conclusão do estudo é que o preço continuará sendo um fator importante, mas não necessariamente o único elemento capaz de fidelizar o consumidor. Conveniência, relacionamento, serviços de saúde e acompanhamento farmacêutico tendem a ganhar cada vez mais peso na decisão de compra.
Foto: Shutterstock
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