
A EMS prepara uma nova ofensiva no mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida. Menos de um mês após colocar o Ozivy nas farmácias, a farmacêutica planeja lançar, em novembro, uma segunda caneta com o mesmo princípio ativo, desta vez sob a marca Brace Pharma, empresa que integra o grupo.
O pedido de registro deve ser apresentado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda em julho. A estratégia depende da inclusão do Ozivy na lista de medicamentos de referência da Anvisa, etapa que permite a análise de versões equivalentes por um processo regulatório mais rápido, sem a repetição integral dos estudos exigidos para um produto inédito.
Com a nova marca, a EMS pretende ampliar sua cobertura comercial sem concentrar toda a operação em um único produto. Embora as duas canetas sejam fabricadas na mesma unidade industrial, em Hortolândia, no interior de São Paulo, elas terão equipes de divulgação, bases médicas e estratégias regionais distintas.
A Brace Pharma atua principalmente em medicamentos de prescrição nas áreas de cardiologia, endocrinologia, ortopedia e sistema nervoso central. A companhia faturou cerca de R$ 500 milhões em 2025, enquanto o grupo EMS superou R$ 10 bilhões no mesmo período.
Projeções com a nova semaglutida
A expectativa da EMS é vender 700 mil unidades da nova caneta durante os primeiros 12 meses, com receita próxima de R$ 250 milhões.
Para o Ozivy, a projeção inicial prevê 1,2 milhão de unidades e faturamento de pelo menos R$ 500 milhões no mesmo intervalo.
Somadas, as duas operações podem ultrapassar 2 milhões de unidades comercializadas e aproximar a receita anual da companhia com semaglutida de R$ 800 milhões.
O volume revela que a estratégia não se limita à diversificação de marcas: a empresa busca ocupar mais espaço na prescrição médica e nas redes de farmácias antes da entrada de novos concorrentes.
O início das vendas do Ozivy reforçou a percepção de demanda elevada. Lançado em 15 de junho, o medicamento movimentou R$ 100 milhões e alcançou 230 mil unidades comercializadas nos primeiros 15 dias. A companhia estimava ampliar o volume para 500 mil unidades e chegar perto de R$ 200 milhões em receita nas semanas seguintes.
A EMS pretende posicionar inicialmente a segunda marca em uma faixa de preço próxima à do Ozivy, vendido por cerca de R$ 450 por caixa, com possibilidade de valores menores em programas voltados aos primeiros meses do tratamento.
A definição final, no entanto, dependerá da aprovação regulatória e da dinâmica competitiva até o lançamento.
Mercado das canetas emagrecedoras
A nova caneta chegará a um segmento que passa por rápida transformação. A disputa se intensificou após o fim da patente da semaglutida no Brasil, abrindo espaço para fabricantes nacionais e novas marcas importadas.
Empresas como Ávita Care, Sandoz, Hypera Pharma e Cristália também avançam em projetos relacionados ao princípio ativo.
Esse movimento tende a ampliar a oferta e elevar a competição por preços, distribuição e relacionamento com profissionais de saúde.
Para as farmacêuticas, ganhar escala rapidamente tornou-se determinante em um mercado no qual a decisão de compra envolve prescrição, disponibilidade nas drogarias e capacidade de manter o tratamento.
O mercado brasileiro de canetas voltadas ao controle de peso e ao diabetes pode alcançar R$ 15,6 bilhões em 2026, crescimento superior a 50% em relação aos R$ 10 bilhões registrados no ano anterior.
Ao lançar duas marcas com o mesmo princípio ativo, a EMS replica uma estratégia recorrente na indústria farmacêutica: usar estruturas comerciais complementares para alcançar médicos, regiões e perfis de consumidores diferentes.
Mais do que ampliar o portfólio, a empresa busca consolidar sua posição antes que a multiplicação de concorrentes torne a disputa ainda mais pulverizada.
Fonte: Portal IN
Foto: EMS