
Na EMS, um estúdio de gravação passou a ocupar um dos centros estratégicos das operações comerciais e de relacionamento com clientes. A estrutura não é apenas um espaço para comunicados institucionais, mas para produção de conteúdos de educação continuada e transmissões ao vivo focadas em vendas.
Desse hub digital, partem conteúdos sobre inovação, macrotendências de saúde e atualizações regulatórias que conectam indústrias, distribuidores e a ponta do varejo.
A estratégia contempla duas frentes digitais complementares: uma espécie de “Netflix da Farmácia”, focada na disseminação de conteúdo educativo e no relacionamento com o mercado, e nas transmissões conhecidas como “Live Commerce B2B”, ou seja, eventos ao vivo voltados especificamente para a apresentação de produtos e negociações comerciais.
Digital amplia escala
Segundo Pedro Dias, diretor da EMS, a investida digital não compete, mas complementa os canais tradicionais da companhia. Com uma equipe de aproximadamente 3 mil profissionais em campo, a empresa adotou uma abordagem híbrida. “Enquanto a equipe externa mantém a proximidade e a construção de relacionamento, o digital amplia escala, agilidade e recorrência na comunicação com o mercado”, explica.
A tese interna é que o estúdio funciona como um multiplicador de força de vendas sem inflar o custo operacional fixo. Um único ponto de contato digital consegue atingir milhares de parceiros comerciais em tempo real.
“Além disso, percebemos que não fazia mais sentido separar treinamento de resultado comercial. Quando o profissional entende melhor o produto e o contexto de venda, isso se reflete diretamente no giro e na tomada de decisão na ponta”, pontua Dias.
Live commerce para distribuidores e farmácias
Por isso, as lives também são em formato de transmissão de conteúdo aprofundado, onde a EMS e as outras unidades de negócio, como Germed e Nova Química, concentram informações técnicas e lançamentos. Integrado a esse momento, é feita a organização de campanhas sazonais e condições comerciais exclusivas em janelas programadas em 24 transmissões anuais, otimizando o giro de estoque dos distribuidores.
Uma das premissas do projeto da EMS é o respeito estrito à cadeia de valor tradicional. “Estruturamos esse modelo sempre respeitando a cadeia, pois não existe venda direta ao consumidor final. O foco é fortalecer o relacionamento com distribuidores e farmácias, sem competir com quem está na ponta”, garante Dias.
Infraestrutura tecnológica
Para sustentar essa arquitetura tecnológica, a EMS fechou parceria com a Netshow.me, que concentra todo o conteúdo da companhia, servindo tanto como infraestrutura das lives personalizadas de vendas quanto como base da plataforma de streaming da farmacêutica.
Na vertente educacional, a iniciativa ganhou escala com a criação da Academia EMS, um ambiente que já reúne cerca de 150 mil usuários e opera com acesso gratuito. Inspirado nas grandes plataformas de entretenimento, o espaço organiza séries sob demanda, trilhas de capacitação e atualizações constantes.
“A plataforma cumpre duas funções: organiza a transferência de conhecimento em um setor altamente regulado, no qual a informação técnica impacta diretamente a venda; e mantém uma base ativa de relacionamento com quem atua na ponta da cadeia”, afirma Pedro Dias.
Estratégia de negócios
A base dessa estratégia digital começou a ser desenhada em 2020 para contornar as restrições físicas da pandemia. Com a parceria da Netshow.me, em 2021, a operação escalou e migrou para o centro da estratégia de negócios da empresa.
“O avanço desse tipo de estratégia acompanha uma mudança mais ampla no uso de vídeo no ambiente corporativo. O que antes era restrito a treinamentos pontuais passou a integrar processos comerciais, com métricas de engajamento e conversão”, analisa Daniel Arcoverde, Co-CEO e cofundador da Netshow.me.
“Nosso papel foi arquitetar essa jornada em uma plataforma capaz de escalar a audiência tanto na entrega de conhecimento quanto na geração de conversão comercial nas transmissões ao vivo”, complementa Arcoverde.
Apesar dos resultados expressivos da EMS, o cenário brasileiro dá os primeiros passos na adoção dessas ferramentas quando comparado ao ecossistema asiático. “O Brasil está quase uma década atrasado quando o assunto é live commerce”, diz o executivo da EMS.
Mas essa defasagem também revela uma janela de oportunidade para as empresas que pretendem liderar essa transformação. Embora a adoção no Ocidente ainda seja desigual, as projeções globais apontam que o live commerce deve gerar US$ 1,1 trilhão em vendas até 2026, impulsionado pelo encontro entre conteúdo, relacionamento e transação digital.
Fonte: Netshow.me
Foto: EMS
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