
A anemia por deficiência de ferro (ADF) é a forma mais frequente de anemia em todas as faixas etárias e deve ser reconhecida como uma doença, não apenas como um sinal clínico. Trata-se da carência nutricional de maior magnitude no mundo, com prevalência elevada, especialmente entre crianças menores de dois anos e gestantes. No Brasil, a ADF configura um importante problema de saúde pública, devido às altas taxas de ocorrência e à sua relação direta com o desenvolvimento infantil. 1
A deficiência de ferro compromete a síntese de hemoglobina, reduzindo a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Essa alteração provoca sintomas como fadiga, lentidão no raciocínio e dificuldade de concentração, além de repercussões cognitivas e no desenvolvimento infantil, que podem ser irreversíveis. Esses impactos reforçam a necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado para minimizar danos à saúde e à qualidade de vida. 1
Outro dado alarmante é que entre 20% e 30% da população mundial possui anemia. A prevalência do quadro em crianças de 0 a 4 anos em países desenvolvidos é de 20% e, em países em desenvolvimento, é de 39%. Já em crianças de 5 a 14 anos, em países desenvolvidos, a prevalência é de 5,9% e, em países em desenvolvimento, é de 48%. No Brasil, a anemia é identificada em até 48% das crianças menores de 5 anos. 2
Por que e quando suplementar?
A suplementação oral de ferro é considerada uma estratégia eficaz para reduzir o risco de anemia e deficiência de ferro em mulheres menstruadas e adolescentes, apresentando boa tolerabilidade e poucos efeitos adversos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a suplementação diária de ferro como intervenção de saúde pública em populações com alta prevalência de anemia (≥40%), com o objetivo de prevenir tanto a anemia quanto a deficiência de ferro. Além disso, existem diretrizes específicas para gestantes e crianças, que incluem regimes diários ou intermitentes, visando diminuir de forma significativa a prevalência da doença e suas consequências adversas. 3
Como funciona na prática?
Na prática, a suplementação diária de ferro consiste na administração oral de comprimidos contendo ferro elementar, administrados em doses que variam conforme a faixa etária e a condição clínica. Para adultos, a dose terapêutica usual é de 100 a 200 mg de ferro elementar por dia, enquanto para crianças recomenda-se 3 a 6 mg/kg/dia, a depender da faixa etária e grupo de risco. O tratamento é mantido até a normalização da hemoglobina e por mais algumas semanas para reposição dos estoques de ferro, sendo fundamental o acompanhamento clínico e laboratorial para avaliar resposta e adesão. Em programas de saúde pública, a suplementação pode ser organizada em esquemas diários ou intermitentes, especialmente para gestantes e crianças, visando reduzir a prevalência da anemia e suas complicações. 1
Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Anemia por Deficiência de Ferro. Relatório Técnico. Brasília: Ministério da
- Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/conitec. Acesso em: 08 dez. 2025.
- Principais Questões sobre Anemia Ferropriva na Criança – Portal Fiocruz.
- Disponível em: portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-anemia-ferropriva-na-crianca/. Acesso em: 28/11/2025.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Daily iron supplementation in adult women and adolescent girls.
- Disponível em: www.who.int/tools/elena/interventions/daily-iron-women. Acesso em: 28/11/2025.
Fonte: FQM
Foto: Shutterstock
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