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Genéricos x Similares

Por Guia da Farmácia 17 de maio de 2018 Atualizado em: 30 de maio de 2018 Nenhum comentário 4 Minutos de leitura
genéricos 2

As mudanças do mercado de medicamentos brasileiro são constantes e cada uma delas traz novas opções de tratamentos de qualidade aos usuários. Uma das mais marcantes foi o advento dos genéricos, em 1999, que trouxe mais acessibilidade a uma grande gama de medicamentos no País. Mas em 1º de janeiro de 2015, outra novidade foi marcante para o setor. Nessa data, foi liberada a intercambialidade de medicamentos similares com produtos de referência.

Mas será que a implantação dos chamados “similares equivalentes” ou “similares intercambiáveis” barateou, de fato, o custo do tratamento farmacológico, tendo em vista a maior concorrência com os genéricos?

Para a presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), Telma Salles, essa é uma competição saudável na qual os genéricos têm se saído muito bem. “Quando se observa o mercado de medicamentos para doenças crônicas, por exemplo, os genéricos têm um desempenho bastante superior aos similares. Os genéricos cresceram mais que os similares nos medicamentos para controle de colesterol e anti-hipertensivos em 2017, por exemplo”, comenta.

Por que há diferença de preço entre os genéricos e similares?

A diferença de preço entre genéricos e similares é motivada, principalmente, por aspectos como investimentos diferenciados em embalagem, rótulo ou ações comerciais, segundo explica o gerente de marketing da Prati-Donaduzzi, Lucas Angnes.
“Os similares têm custo mais alto para o consumidor, pois, na grande maioria, possuem marcas que têm visitação médica ou exposição em mídias”, constata.
Além disso, o controle de preços entre as classes é diferente. Segundo explica o diretor do Instituto Pedro Dias, Pedro Dias, de acordo com a Lei 9.787/99, o medicamento genérico deve ser, no mínimo, 35% mais barato do que o de referência. Já o similar equivalente não possui uma lei que regulamenta que ele deve ser mais barato ou não do que o medicamento de referência ou genérico.
“O consumidor encontrará diferentes preços. Tudo vai depender da marca que ele utiliza e o local em que ele está comprando os medicamentos”, esclarece.

Muito desse desempenho pode ser resultado do preço mais baixo dos genéricos em relação aos similares. “Os genéricos representam um custo menor para o consumidor, pois têm um desconto médio de 71,1%, enquanto os similares têm 68% em média”, constata o gerente de marketing da Prati-Donaduzzi, Lucas Angnes.

De fato, o valor final tem influenciado a escolha dos consumidores. Segundo aponta a pesquisa realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada (IFEPEC), em 2016, 45% dos consumidores trocaram os produtos que procuravam por genéricos ou similares de menor preço e, neste público, foi constatado que 97% dos entrevistados trocaram de medicamentos porque compraram uma opção de menor preço.

“Esse fato demonstra a existência de uma característica muito comum dos brasileiros, que é não ser fiel à marca que foi procurar em uma farmácia, ouvindo a indicação dos farmacêuticos. O principal fator de troca é o preço, demonstrando que as pessoas estão mais preocupadas com o bolso”, explica o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia.

Outro ponto que pode estar relacionado a um desempenho melhor dos genéricos frente aos similares é a falta de informação por parte dos usuários e agentes de saúde.

“Os consumidores ainda não sabem a diferença entre similares e referência. Podemos considerar que a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 58/14, que dispõe sobre a Intercambialidade dos Medicamentos Similares, é ainda recente, não só para a população brasileira, mas também para os profissionais da saúde, o que pode gerar dúvidas em todos os envolvidos. Sendo assim, acredito que mais ações devem ser realizadas para a conscientização da população, dos farmacistas, farmacêuticos e dos atendentes”, pondera o diretor do Instituto Pedro Dias, Pedro Dias.

Foto: Shutterstock

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