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Geração saúde

Mais preocupados com alimentação, boa forma e prevenção de doenças, brasileiros passam a usar, com maior frequência, suplementos alimentares  e vitaminas, trazendo muitas oportunidades ao canal farma  

Seja sob a forma de vitaminas isoladas, sejam multivitamínicos, ou suplementos alimentares, é fato que a busca por uma nutrição saudável se torna cada vez mais importante aos brasileiros, que usam esses produtos com diversas finalidades. Alguns buscam o corpo perfeito ou o emagrecimento, o que traz força aos shakes, sopas ou sucos. Outros querem a promoção da saúde ou até mesmo o tratamento de algumas doenças, usando, assim, vitaminas ou multivitamínicos. Há, ainda, aqueles que almejam melhores resultados com a prática de atividades físicas, fazendo uso dos suplementos esportivos. Também existe o público que acredita na beleza de dentro para fora, favorecendo a adesão à classe dos nutricosméticos.

Esses são apenas alguns dentre diversos outros motivos que fazem a categoria de vitaminas e suplementos se destacar no País. “O crescimento desse mercado é uma tendência global, e a expectativa no Brasil não é diferente. O maior acesso à informação e a ascensão das classes C e D, entre outros fatores, fizeram com que os hábitos de consumo passassem por um processo de mudança que se reflete, principalmente, no mercado de saúde e bem-estar”, analisa a gerente de produto da Aspen Pharma, Amanda Zurita Cruz. Ela reforça ainda que, de modo geral, os brasileiros estão mais conscientes da importância da alimentação, porém, a correria do dia a dia dificulta a meta de suprir as necessidades diárias de vitaminas e minerais somente por meio da alimentação, trazendo à tona as necessidades de suplementação por outras formas. O aumento da expectativa de vida também pode influenciar esse cenário. “O amadurecimento da população pode aumentar o consumo de suplementos vitamínicos comuns entre pessoas de idade avançada”, acrescenta Amanda.

Diante de tantos pontos favoráveis, o crescimento do setor é inevitável. “Nos últimos cinco anos, o mercado de suplementos vitamínicos aumentou, em média, 25% ao ano. Segundo previsão da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), o segmento de suplementação alimentar e esportiva crescerá cerca de 14% em 2015”, conta a especialista da Aspen Pharma.

O diretor de marketing da unidade de negócios OTC da EMS, Everton Schemes, prevê que o mercado nacional tende a se expandir até 2018 e, posteriormente, a se concretizar como uma opção saudável à população brasileira. “Enxergamos uma competição cada vez mais acirrada, tanto pelas marcas de peso que tentam apresentar novos produtos, quanto pelas grandes redes de farmácias que passam a ter marcas próprias. Podemos apostar em maior oferta e disponibilidade para esse mercado, e a EMS tem feito seu papel, anunciando excelentes lançamentos para 2015”, destaca o executivo.

Investimentos recentes

Na Aspen Pharma, os aportes nesses produtos são maciços. A empresa está apostando, por exemplo, no Suplan, primeiro suplemento da marca, e que possui três versões: líquido, para crianças de três a dez anos; comprimido, para maiores de 12 anos; e Gest, desenvolvido especialmente para gestantes. “Nosso carro-chefe é o Suplan Líquido, até então a única versão alimento, e que corresponde, hoje, a 55% das vendas da marca. Agora, estamos reformulando as versões comprimido e Gest, transformando-as também em alimento, já que antes eram medicamentos”, diz. Assim, essa estratégia, somada a outros investimentos, faz com que a empresa tenha projetado alta de 50% na demanda mensal dos produtos da marca até junho do próximo ano.

Já na Prati-Donaduzzi, um dos investimentos é na nova linha de nutracêuticos: o Vigora Plus. A classe de polivitamínicos foi lançada no estado do Paraná e, atualmente, a indústria vem ampliando sua atuação de mercado para atender novos consumidores.  “Estamos expandindo as praças de comercialização da linha Vigora e, até dezembro, todas as farmácias do Brasil disponibilizarão essa classe de produtos”, conta o vice-presidente da empresa, Eder Maffissoni. E a entrada no mercado de nutracêuticos vem de acordo com o crescimento da empresa. “O mercado de multivitamínicos é um dos focos para 2015. É uma tendência no Brasil”, acredita Maffissoni.

Já o EMS, para se fortalecer nesse mercado, tem uma parceria, desde 2006, com o laboratório de pesquisas MonteResearch, da Itália. “Por meio dessa união, estamos trabalhando, por exemplo, no desenvolvimento de suplementos voltados para beleza e saúde feminina. O primeiro fruto dessa parceria nesse segmento é o Suplevit Mulher”, adianta o diretor da unidade de medicamentos de marca da EMS, Luiz Fernando Dias. Outra aposta importante da empresa nessa área é a família Energil. “Investimos em torno de R$ 25 milhões anuais nessa marca para fortalecê-la e permitir a introdução de novas apresentações”, revela Schemes, da unidade de negócios OTC da EMS. Outros lançamentos previstos na companhia são o Colevit D, Suplevit Kids e Energil Life.

A força do canal farma

Os suplementos e vitaminas tornam-se cada vez mais importantes para o faturamento das farmácias. “Estima-se que 90% dos consumidores de suplementos busquem esses produtos nesses canais. Os outros 10%, em geral atletas e praticantes de esportes de forma regular, o fazem em lojas especializadas”, comenta Amanda, da Aspen Pharma.

De acordo com a indústria, a força das farmácias com esses produtos aumenta ano após ano, trazendo muitos benefícios ao ponto de venda (PDV). “A comercialização de suplementos pode aumentar o tíquete médio e atrair consumidores, que podem impulsionar a venda de outros itens relacionados à qualidade de vida e boa aparência, tornando a categoria estratégica”, reforça.

O canal farma também é estratégico para a indústria, que consegue fazer com que seus produtos estejam presentes em todo o País. “Para os fabricantes que focavam em lojas especializadas, a possibilidade de crescimento, ao colocar o produto na farmácia, aumenta em razão de a quantidade de PDVs ser muito maior”, argumenta a especialista da Aspen Pharma. No entanto, para que os resultados dessa categoria sejam expressivos, é fundamental capacitar a equipe para o bom atendimento. “Tanto farmacêuticos quanto balconistas precisam estar aptos a esclarecer dúvidas e a orientar os consumidores em relação às diferenças e particularidades entre os diversos produtos”, aconselha.

Brasil x outros mercados

Há diversos suplementos vitamínicos considerados alimentos no exterior e que, no Brasil, estariam classificados como medicamentos por conta das altas concentrações de vitaminas e minerais nas fórmulas. “A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece a Ingestão Diária Recomendada (IDR) com concentração máxima bastante abaixo do permitido para os mesmos ingredientes em outros países, como nos Estados Unidos da América (EUA)”, comenta a gerente de marketing da linha farma da Bausch+Lomb, Aline Reichel, salientando que o desafio da empresa que possui um extenso portfólio de vitaminas nos EUA é trazer para o mercado local itens inovadores e em total conformidade com a regulamentação brasileira. Segundo a gerente de produto da Aspen Pharma, Amanda Zurita, as restrições da Anvisa se dão, principalmente, no que diz respeito à combinação de substâncias. “Por isso, nos Estados Unidos, onde essas restrições não existem, há uma variedade muito maior de suplementos”, justifica.

 

Emagrecedores, um mercado promissor

Segundo dados do IMS Health, somente em 2015 (MAT*/ago.), a categoria de shakes emagrecedores movimentou R$ 42 milhões no País e, entre algumas das principais indústrias desse setor, os resultados são bastante favoráveis. “A linha Redubío cresceu 217% nos últimos quatro anos e, hoje, representa 48% na venda de shakes em farmácias, segundo dados do IMS de março de 2015”, afirma a gerente de produto do Grupo Cimed, Erika Almeida. Segundo ela, a própria imprensa e os programas de TV têm nos ajudado muito, pois enfatizam a importância de uma vida saudável, além da praticidade que esses produtos trazem para os consumidores. A analista de marketing e nutrição do Herbarium, Natana Martins, também considera que o desejo por “corpos torneados”, uma constante na vida de muitos brasileiros, somado ao crescimento do número de pessoas que buscam uma vida mais saudável, também é importante alavanca de crescimento para a categoria. “As academias estão cada vez mais cheias e a nutrição vem ganhando um espaço muito importante na vida das pessoas. Todos esses hábitos, voltados a uma vida mais natural, fomentam este mercado”, justifica.

Na visão do diretor-geral da Divcom Pharma, Manoel Vaz, o mercado de shakes vem crescendo não apenas por auxiliar no emagrecimento, mas também por sua praticidade. “O Lipomax Shake Diet, por exemplo, vem em sachês que cabem na bolsa. Quem for consumi-lo, só vai precisar de um copo d’água para mexer e tomar, pois já é feito com leite desnatado”, sinaliza o executivo.

Assim, diante de praticidade e eficácia comprovada, esses produtos passam a vender em todas as épocas do ano. Apesar de haver uma sazonalidade na venda do produto, Vaz, da Divcom Pharma, diz que, com um salto significativo no pré-verão, os shakes vêm se tornando parte do dia a dia das pessoas que saem muito cedo para trabalhar ou estudar, sendo mais um ponto favorável nesse mercado.

Os preconceitos e a falta de informações sobre esses produtos também passam a perder a força. Mais esclarecidos, os consumidores tornam-se seguros para suas compras. “Os shakes estão perdendo a fama de apresentarem ‘efeito cinderela’ seguido de ‘efeito sanfona’ e, ainda, passaram a ser utilizados de maneira mais saudável em dietas sérias para redução de peso e medidas”, conclui Natana, do Herbarium. 

* Moving Annual Total (movimento anual total – ano móvel acumulado)

 

Aliados da visão

É comum associar o poder das vitaminas à prevenção de doenças, e até mesmo a saúde ocular pode ser favorecida, constituindo mais uma das forças desse mercado. Como os produtos com esse foco costumam ser recomendados por oftalmologistas, pode-se dizer que 100% das vendas são realizadas no canal farma. A gerente de marketing da linha farma da Bausch+Lomb, Aline Reichel, adianta o perfil dos usuários desses produtos. “Sessenta e oito por cento é do gênero feminino, e 73% possui acima de 64 anos. Em geral, são consumidores que vão ao oftalmologista e recebem a recomendação de suplementação vitamínica desses profissionais”, descreve, acrescentando que os resultados com esses produtos crescem expressivamente. “O mercado de vitaminas na oftalmologia ainda é pequeno em relação a outros segmentos, como glaucoma e olho seco. No entanto, destaca-se por apresentar crescimento de dois dígitos nos últimos três anos”, avalia.

Segundo a especialista, por ser um mercado bastante dinâmico, há um grande potencial de crescimento por conta do aumento na longevidade da população, o que acaba atraindo novos players nesse segmento. E as empresas que já estão nesse mercado procuram aprimorar o portfólio. “Nosso mais recente projeto foi o desenvolvimento de uma nova fórmula, que representa uma evolução em relação ao medicamento Neovite Lutein. O Neovite Max, lançado em setembro, apresenta maiores concentrações de luteína, zeaxantina, vitaminas e minerais, além de ser apresentado em cápsulas gelatinosas pequenas, de fácil deglutição”, explica Aline, da Bausch+Lomb.

Autor: Kathlen Ramos