O sistema imunológico começa a ser formar ainda durante a gestação e amadurece ao longo da vida, com as exposições sucessivas aos mais diversos antígenos. É praticamente um sistema de vigilância interno e o principal mecanismo de defesa do organismo contra substâncias estranhas ou antígenos, que podem ser agentes químicos ou biológicos.
Com o avanço da idade, tal sistema de defesa perde força, tornando o organismo mais suscetível a doenças, especialmente as infecciosas. “A imunidade do idoso é mais frágil porque o corpo humano não foi programado para a longevidade. Ele vai perdendo as defesas e a capacidade de discernir entre o que é perigoso e o que não é. A resposta às vacinas também é menor, por isso ele precisa receber doses extras”, esclarece a alergista e membro do Departamento Científico de Imunossenescência da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Natasha Rebouças Ferraroni.
Segundo ela, as doenças infecciosas têm relação com a imunidade. “As gripes, por exemplo, são mais graves nessa faixa etária; a herpes-zóster também se manifesta no idoso. Além disso, é na terceira idade que a qualidade dos anticorpos começa a cair, fazendo com que esse público seja acometido por doenças que já teve no passado. Esta faixa etária também é mais suscetível a neoplasias (câncer), porque o sistema imune começa a perder o equilíbrio e não consegue mais se defender de células cancerosas”, diz, acrescentando que as patologias por fungos na pele e nas unhas também são comuns.
“Infecções, como celulite e erisipela, ocorrem com frequência devido à perda da elasticidade e hidratação na pele, além da falta de desequilíbrio da flora bacteriana.”
VITAMINAS EM QUEDA
Os níveis de vitaminas também caem com a idade. Segundo a nutricionista e especialista em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Simone Fiebrantz Pinto, um dos motivos para a queda é o menor consumo de fontes alimentares e menor absorção.
“As vitaminas têm um papel importante, mas sutil, na manutenção da saúde dos indivíduos. São necessárias doses pequenas, miligramas diários de cada uma delas, mas a deficiência pode provocar problemas na imunidade, cognição, risco de anemia e deficiência de fixação de cálcio. Para citar alguns exemplos, temos vitaminas C e complexos, que são as hidrossolúveis; e as lipossolúveis A, D, E e K. Todas elas exercem papéis importantes. Porém, nem a falta, nem o excesso podem acontecer”, adverte.
A diminuição da oferta de alimentos por dificuldade de deglutição ou dietas muito restritas, além da diminuição do olfato e do paladar, estão entre as causas para a queda nos níveis de vitaminas.
“Outras causas são a deficiência na acidez gástrica, diminuindo a absorção de ferro, cálcio, ácido fólico vitamina B12 e zinco, e também a diminuição da atividade das enzimas da saliva, que iniciam o processo de digestão do alimento”, acrescenta a Dra. Natasha.
QUANDO SUPLEMENTAR?
Nas situações em que a deficiência de vitaminas é identificada por meio de exames de sangue específicos, o profissional de saúde que acompanha o idoso pode recomendar o uso de suplementação.
Segundo a especialista da ASBAI, os suplementos especiais para os idosos são aqueles que, em tese, contemplam proteínas (macronutrientes) e vitaminas (micronutrientes).
“A suplementação deve ser baseada na condição de base do paciente, além das doenças que ele apresenta, levando em consideração, inclusive, a capacidade digestiva. Os suplementos contribuem para melhorar a vida do idoso na medida em que complementam os nutrientes ‘prontos’ sem que ele tenha que ‘digerir’ o alimento, sendo prontamente absorvido pelo intestino”, diz.
É importante salientar que a automedicação nunca é indicada e que a adoção de suplementos como parte da dieta do idoso deve ser feita apenas por um profissional capacitado.
“Como o idoso tem a função renal diminuída, ele corre o risco de ter intoxicação por vitaminas que não consiga excretar o excesso. O excesso de cálcio também pode causar cálculo (pedra) nos rins”, lembra a Dra. Natasha.
Os suplementos especiais para idosos costumam ter, na formulação, a quantidade de cálcio e vitamina D recomendados para a ingestão diária, bem como um aporte maior de proteínas. “Vale a pena chamar a atenção para o risco de desnutrição que a pessoa idosa pode apresentar”, lembra Simone.
VITAMINAS ESSENCIAIS NA TERCEIRA IDADE
Vitamina A: importante para a visão noturna, cicatrização da pele, saúde de unhas e cabelos.
Vitaminas do Complexo B: importante para as atividades dos neurônios, memória e movimentos do corpo. A deficiência provoca, por exemplo, dormência. Quando o paciente tem herpes-zóster, elas precisam ser repostas para que a recuperação seja mais rápida.
Vitamina C: antioxidante e também ajuda a debelar infecções e câncer.
Vitamina E: importante antioxidante ajuda o sistema imune, pois faz parte das membranas celulares.
Vitamina D: essencial para a saúde dos ossos. O idoso está propenso à perda óssea e muscular, a vitamina D faz parte do equilíbrio desse sistema osteomuscular.
Cálcio: fundamental para a contração dos músculos, assim como o coração, além do papel fundamental na saúde dos ossos.
Zinco: mineral importante para as células imunes.
Selênio: mineral atuante nas respostas de defesa.
Fonte: alergista e membro do Departamento Científico de Imunossenescência da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Natasha Rebouças Ferraroni