
A sarcopenia é uma doença progressiva e generalizada da musculatura esquelética, envolvendo uma acelerada perda de massa, força e função muscular. Ela pode ser primária ou relacionada à idade, quando nenhuma outra causa específica é evidenciada. E ainda secundária, quando outros fatores causais, que não o envelhecimento, são evidentes.
“As causas secundárias mais comuns são relacionadas à alimentação inadequada, ao sedentarismo, às doenças crônicas, à hospitalização e ao uso de medicamentos”, esclarece o médico geriatra e integrante da atual diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Dr. Marcelo Valente.
Segundo ele, com o envelhecimento, ocorre uma modificação na composição corporal com perda de músculo e osso, além de aumento de gordura. “A principal fibra muscular acometida é a do tipo IIB, que é uma fibra de contração rápida que confere potência ao músculo. Além disso, de modo geral, os idosos, são mais sedentários e têm mais problemas relacionados à alimentação”, comenta.
Os principais sintomas relacionados à sarcopenia são fraqueza muscular, perda de peso, lentificação da marcha, dificuldade para subir escadas, dificuldade para levantar da cadeira e quedas. A doença afeta e impacta a vida do idoso de forma intensa.
De acordo com o Manual de Recomendações para Diagnóstico e Tratamento da Sarcopenia, publicado pela SBGG em 2022, há uma grande variação entre os acometidos, dependendo da faixa etária, do sexo, do cenário clínico e da definição utilizada.
Em indivíduos com idade entre 60 e 70 anos, a prevalência varia de 5% a 13%; enquanto entre os idosos com mais de 80 anos de idade pode oscilar de 11% a 50%. Já entre os homens, ela é de 11% e em mulheres é de 9%.Entre os idosos institucionalizados, acomete de 51% e 31% em homens e mulheres, respectivamente.
Para prevenir a doença, é recomendada a prática de exercício físico regular, incluindo os exercícios resistidos (musculação), alimentação adequada com foco, principalmente, nas proteínas e controle de doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças cardíacas.
“O tratamento segue a mesma linha da prevenção com um programa de exercício físico multimodal, adequação na alimentação com ajuste de calorias e, principalmente, proteínas, além de suplementos nutricionais quando necessário”, explica o Dr. Valente.