Por uma vida mais saudável

O brasileiro precisa se cuidar melhor e já percebeu isso; na busca por novos hábitos, os suplementos alimentares e as vitaminas exercem papel importante e têm desempenho garantido nos próximos anos

grande exigência da sociedade atual é ser multifuncional. Fazer diversas atividades ao mesmo tempo, sem perder qualidade em nenhuma delas. É preciso ser um profissional de excelência, senão o mercado cada vez mais competitivo te derruba. Para ser bem-visto, é preciso casar, ter filhos e uma casa bem cuidada. Ao mesmo tempo, a mídia dissemina a importância de manter uma vida social ativa e uma rotina regular de exercícios físicos.

Com tantas tarefas a ser cumpridas com excelência, alguns aspectos da vida acabam sendo negligenciados. A alimentação é um deles. A diferença entre os hábitos da geração nascida no início do século 20 para os tempos atuais é gritante. Atualmente, as pessoas dispõem de cada vez menos tempo para preparar refeições e degustá-las com calma ao redor da mesa junto à família.

Diante desse cenário, a população tem procurado alimentos de preparo e consumo mais rápidos, geralmente pratos semiprontos, ultraprocessados, ricos em sódio, açúcar e gordura. O resultado não poderia ser diferente: um País obeso e doente.

Um em cada cinco brasileiros está acima do peso. A prevalência da doença passou de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2016.

A boa notícia é que grande parte da população já se deu conta do problema e está interessada em virar o jogo. Dados da pesquisa Barreiras para uma Vida Saudável, realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) Conecta e Centrum Vitamints, apontam que, apesar de mais de 80% dos brasileiros não terem uma alimentação regrada, 95% estão dispostos a mudar pequenos hábitos em sua rotina para ser mais saudáveis.

Quando perguntados sobre quais atitudes mudariam no dia a dia para ter mais saúde e bem-estar, em primeiro lugar, 72% dos entrevistados afirmam que gostariam de fazer mais exercícios e, em segundo, 62% dizem que incluiriam mais frutas e verduras na alimentação.

O problema é que atingir o consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – cinco a sete porções de frutas, verduras e legumes por dia – não é tão simples dentro do ritmo de vida atual. Por isso, o número de pessoas que estão recorrendo aos suplementos vitamínicos está crescendo e deve seguir em ritmo acelerado de expansão nos próximos anos.

Dentro do universo de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), o segmento de multivitamínicos já é o terceiro principal mercado, com taxas de crescimento médio de 5%, nos últimos cinco anos, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip).

Entre julho deste ano e o mesmo mês do ano anterior, o segmento de vitaminas, minerais e suplementos nutricionais cresceu 8,3%, movimentando mais de R$ 2 bilhões, segundo levantamento da QuintilesIMS.

E mesmo com a persistência da crise econômica e política, o desempenho não deve cair até o fim do ano. Somente no primeiro semestre de 2017, o setor teve uma receita de R$ 354,6 milhões. Já em volume, no mesmo período, foram vendidas 637 milhões de doses.

“Trata-se de um mercado bastante competitivo, com aproximadamente 260 marcas e quase 500 SKUs (a sigla que representa o termo Stock Keeping Unit, em português Unidade de Manutenção de Estoque, é definida como um identificador único de um produto e é utilizada para manutenção de estoque), além de altos investimentos em mídia. De janeiro a julho deste ano, o investimento da categoria já havia ultrapassado R$ 85 milhões”, revela a diretora de marketing da Pfizer Consumer Healthcare, Cristina Viana da Fonseca.

Como os pontos de venda podem melhorar o desempenho?

Quando se fala de vitaminas, minerais e suplementos nutricionais, a farmácia é, disparado, o principal canal de vendas, ao contrário de mercados mais maduros, como Estados Unidos, em que supermercados e lojas especializadas têm alta participação no mercado.

“Estimamos que a representatividade do canal farmacêutico para essa categoria é de aproximadamente 90%. É o principal local de busca e compra por parte do consumidor, seja de maneira espontânea, impactada por uma propaganda ou por meio de uma receita médica”, avalia o gerente de marketing da Biolab Farmacêutica, Marcelo Barbosa.

Considerando essa relevância dentro do mercado brasileiro, as farmácias têm grande responsabilidade no potencial a ser explorado no País. “A melhora no desempenho pode vir por meio de um bom trabalho de gerenciamento por categorias, comunicação visual dentro do ponto de venda (PDV), treinamento dos balconistas e farmacêuticos e prestação de serviço ao consumidor de forma ativa dentro de seus canais de comunicação”, afirma.

Para que a equipe de atendimento esteja preparada para oferecer atendimento de qualidade em uma categoria que ainda carece de informação, o melhor caminho é procurar parceria com indústrias que ofereçam treinamento de vendas.

Quanto à informação e exposição no PDV, as gôndolas precisam ser bem sinalizadas, separadas por grupos aos quais as vitaminas se dedicam, como idosos, mulheres, homens e gestantes.

Também com apoio da indústria, é possível fazer uso de material visual que traga explicação sobre os benefícios dos produtos expostos. Outro ponto importante é trabalhar com itens de variadas faixas de preço. O consumidor tem a percepção de que a categoria de vitaminas e suplementos é cara. É preciso dar destaque, em pontas de gôndolas e pontos extras, para produtos de valor mais acessível.

Obstculos no caminho

Apesar dos números positivos e do Brasil ocupar a 4ª posição no ranking global de consumo de vitaminas, o desempenho da categoria ainda é baixo se comparado aos Estados Unidos, por exemplo. Dentro dos lares americanos, a penetração das vitaminas chega a 50%, segundo a consultoria U&A.

Para a gerente de produtos da Cimed, Aline Mendonça, a grande barreira a ser quebrada no mercado brasileiro é a falta de informação.  “A população americana já tem muito claro os benefícios das vitaminas e dos suplementos. Aqui, ainda precisamos trabalhar isso.”

Há ainda uma questão cultural em relação aos cuidados com a saúde.  “Assim como as pessoas não têm tempo para fazer uma alimentação balanceada, elas não têm tempo de fazer checkups, não acompanham se há alguma deficiência nutricional. Só vão buscar o auxílio de um multivitamínico quando sentem algo, como queda de cabelo, fraqueza nas unhas, cansaço”, complementa Aline.

O setor também sofreu certo atraso no desenvolvimento por questões regulatórias. “Até seis, sete anos atrás, esses produtos eram tidos como medicamentos e não suplementos alimentares”, lembra Aline. O resultado da combinação desses entraves é um volume de vendas abaixo diante de um mercado do tamanho do brasileiro. “Estamos melhorando, as pessoas estão buscando mais informações, mas ainda há um potencial enorme a ser explorado”, garante a executiva.

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