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Quando nasce uma mãe

Além dos aprendizados com o bebê, a transição pela qual passa o corpo das mulheres neste período pede uma série de cuidados

Com a busca por espaço no mercado de trabalho e a autonomia financeira, a maternidade deixou de ser uma prioridade entre as mulheres. “Cada vez mais, elas adiam a gravidez. Estudos apontam aumento no número de nascimentos na faixa etária entre 35 e 39 anos e aumento no número de mulheres que abriram mão de ser mãe”, comenta a médica pré-natalista do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama (HMCG), que integra o Grupo Leforte, Dra. Lívia Arruda.

No entanto, entre aquelas que têm o sonho da maternidade, é preciso alertá-las para os cuidados que precisam ter com o corpo neste período. Acompanhe alguns problemas que podem surgir e entenda como orientá-las.

ACNE

Os hormônios podem causar os mesmos problemas de pele que costumavam causar durante a puberdade na mãe. “Cerca de 30% das novas mães têm acne cística, a que é grande, vermelha e dolorosa, e espinhas, que são menores que cistos, mas também são infecciosas”, comenta o médico ginecologista e especialista em reprodução assistida da Huntington Medicina Reprodutiva, Dr. Rafael Lacordia.

A acne se dá por conta, principalmente, do aumento dos níveis de progesterona no sangue. Nesse sentido, a Dra. Lívia orienta para que as mãe mantenham os cuidados de limpeza antioleosidade, fazendo uso de sabonetes adstringentes, protetor solar sem óleo, limpeza da pele sem química rotineiramente e hidratação com água micelar. “Uma dieta balanceada, sem exageros em carboidratos e gorduras faz toda a diferença”, acrescenta a médica.

ESTRIAS

São formadas pelo estiramento da pele, muito comum, especialmente, nas regiões dos seios, abdome e coxas. Os principais fatores de risco são: alterações hormonais, hereditariedade, primeira gestação, idade (mais novas tendem a ter mais estrias por maior rigidez da pele), etnia branca e ganho de peso excessivo.

“Para evitar estrias, é essencial o uso de hidratantes próprios para gestantes; uso de óleos – como de amêndoa, coco, etc. –; hidratação via oral; alimentação balanceada e rica em vitaminas C e E; além do controle de peso da mãe”, enumera a médica pré-natalista do HMCG.

PESO

É natural e esperado o ganho de peso durante a gestação. Contudo, quando em excesso, pode trazer algumas complicações, como a pré-eclâmpsia e o diabetes gestacional. Por isso, a importância do controle de peso durante esse período por meio de uma dieta balanceada e a prática de atividade física.

“Na gestação, uma mulher saudável engorda entre 9 kg e 14 kg até a hora do parto. Essa variação de normalidade depende do Índice de Massa Corpórea (IMC) no início da gravidez”, explica o Dr. Lacordia.

RACHADURA NOS MAMILOS

As fissuras nos mamilos representam um dos maiores desafios nos primeiros dias da amamentação. Trata-se de uma intercorrência mamária que varia de 11% a 96% nas mulheres que amamentam. São dolorosas e podem provocar sangramento mamilar. Têm como principais fatores de risco o mau posicionamento do bebê em relação ao corpo da mãe e a pega incorreta, segundo explica a especialista do HMCG.

“Para preveni-las, recomenda-se ajuda médica para orientação adequada sobre pega correta, banho de sol nos mamilos para acelerar o processo cicatricial”, diz o Dr. Lacordia que faz outras sugestões de tratamento. “Durante a amamentação, as mães podem fazer uso de creme à base de lanolina, que hidratam e previnem as rachaduras”, aconselha.

Suplementação vitamínica

Durante a maternidade, é de extrema importância a suplementação vitamínica e que ela seja feita de maneira individualizada. “A suplementação vai entrar como uma forma de otimizar as quantidades de nutrientes necessários para manter mãe e bebê saudáveis durante toda essa fase. Os principais suplementos são ômega 3, zinco, ferro, iodo, magnésio, colina, vitamina D e ácido fólico”, sintetiza a médica pré-natalista do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama (HMCG), que integra o Grupo Leforte, Dra. Lívia Arruda. Acompanhe a importância de algumas substâncias:

ÁCIDO FÓLICO

Nutriente essencial na síntese e metilação de DNA e para o desenvolvimento adequado do cérebro e nervos. “Ele é importante para a prevenção de anemia na gestante e no bebê, de partos prematuros e do risco de defeitos no tubo neural (coluna e cérebro) do feto”, explica a Dra. Lívia, acrescentando que a deficiência de ácido fólico durante a gestação pode resultar em defeitos congênitos no feto, como a paralisia de membros inferiores e anencefalia.

ÔMEGAS

Eles fazem parte da formação da membrana externa das células cerebrais, por isso, a ingestão destes suplementos, principalmente durante o segundo e o terceiro trimestre gestacional, estendendo-se para a lactação.

“Os ômegas podem repercutir positivamente durante muitos anos na vida do bebê e influenciam no potencial de aprendizagem, memória, desenvolvimento psicomotor e prevenção de déficit de atenção da criança”, diz a especialista do HMCG.

Segundo o médico ginecologista e especialista em reprodução assistida da Huntington Medicina Reprodutiva, Dr. Rafael Lacordia, pesquisas recentes reforçam a importância do consumo do óleo de peixe, rico em ômega 3, por exemplo, para o desenvolvimento intelectual da criança e da manutenção de níveis adequados de vitamina D no organismo. “Esses benefícios diminuem a probabilidade de o bebê nascer com baixo peso”, aponta.

PRÍMULA

O óleo de prímula é fonte de um tipo de ômega 6, o ácido graxo gama-linoleico. “Ele ajuda a reduzir o risco de desenvolvimento da pré-eclâmpsia, condição que pode ser bastante grave e que tem como um dos sintomas a pressão alta durante e após a gravidez”, explica o médico.

POLIVITAMÍNICOS

São importantes como complementação de uma dieta saudável e equilibrada. “Devem ser prescritos de forma individualizada, de acordo com a necessidade de cada gestante. Entre eles, estão o complexo B (B1, B2, B5, B6, B8, B12), além das vitaminas E, C e D”, finaliza a Dra. Lívia.

Foto: Shutterstock