
Até algum tempo, os suplementos nutricionais e esportivos impactavam diretamente o público praticante, fossem de esportes profissionais ou amadores, ou aqueles que faziam atividades físicas regulares. Esse cenário vem mudando e, atualmente, observa-se uma grande tendência de mercado com a evolução dos suplementos para além do esporte, cada vez mais associada a uma busca holística por saúde completa.
“A própria prática esportiva está evoluindo, incorporando a percepção de saúde mental, por exemplo. Notamos muitas marcas e consumidores buscando produtos com o objetivo de envelhecer de maneira mais saudável e, até de forma mais genérica, de ‘se sentirem bem’”, comenta o research consultant da Euromonitor International, Rodrigo de Mattos.
Segundo ele, além do contexto de saúde, há produtos de proteína ganhando espaço que anteriormente eram ocupados por itens indulgentes. “Por exemplo, a onda de barrinhas proteicas que observamos em 2023 está fortemente associada à substituição de sobremesas por opções saudáveis, mas que ainda sejam gostosas. O mesmo acontece com os RTDs (Ready To Drink) proteicos, que se apresentam como uma alternativa mais saudável de achocolatado para os adultos”, conta.
Outra tendência que vem se consolidando no País é o mercado de bebidas energéticas. “Esta categoria está se firmando com menos players nacionais e mais multinacionais competindo por participação de mercado. Ênfase é dada às abordagens estratégicas adotadas pelas empresas líderes para aumentar a presença de sua marca entre os consumidores”, comenta a mentoring empresarial, palestrante e consultora de empresas, Silvia Osso.
Segundo ela, a bebidas energéticas estão se tornando cada vez mais populares entre os consumidores millenials. “A razão da sua popularidade está ligada a iniciativas intensivas de marketing destinadas aos consumidores jovens. Elas são anunciadas como bebidas energéticas que estimulam a mente, refrescam o corpo e melhoram o desempenho e a resistência física”, diz.
ALGUMAS TENDÊNCIAS
A suplementação no mercado nacional, com foco em atletas, evoluiu significativamente desde o início dos anos 2000, quando as empresas ainda não produziam uma ampla gama de produtos e não possuíam a maioria das matérias-primas produzidas no Brasil.
“Sempre houve diferença na composição entre os produtos nacionais e importados, e o primeiro ponto a considerar são as legislações de cada país ou continente. Corantes podem ser permitidos nos Estados Unidos e em outros países, não, assim como edulcorantes, conservantes e aromas.
Atualmente, há uma grande preocupação com suplementos clean ou com o mínimo de aditivos”, conta o nutricionista, especialista em nutrição esportiva e membro da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE), Prof. Eduardo Reis.
Segundo ele, tornaram-se populares os termos “grass-fed” ou “pastured-raised”, que em tradução significam criado ou alimentado no pasto, remetendo a uma alimentação mais natural. No entanto, em países com grande variação de temperatura, o pasto não está disponível durante todos os meses do ano, mas as empresas entregam o que o mercado demanda.
Ele explica que o mercado de suplementos nutricionais é bilionário, está aquecido e em pleno crescimento. “Junto com a evolução desse ramo, vêm as preocupações com qualidade e preço, bem como a diversificação de produtos que são inerentes ao processo. Como há uma ligação muito forte entre os suplementos e a saúde, a busca é sempre por aprimoramento das fórmulas, e a preocupação recorrente é sobre ‘novidades’ que ainda são pesquisadas de forma científica e o apelo por resultados estéticos, de saúde ou performance, um cuidado que deve ser orientado por profissionais da nutrição”, pontua.
Segundo o Prof. Reis, atualmente, no mercado esportivo, os suplementos mais vendidos são creatina e proteínas, seguidos de categorias que não são exclusivamente compostas por um único nutriente, como pré-treinos e os chamados “queimadores de gordura”, que contêm estimulantes à base de cafeína, pimenta, entre outros, além de aminoácidos, como creatina, beta alanina e estimulantes de óxido nítrico como extrato de beterraba.
“É importante ressaltar que nenhum suplemento tem a capacidade de queimar gordura corporal de forma isolada, assim como o pré-treino não é superior a uma alimentação equilibrada para disposição de energia à prática esportiva”, destaca.
ENERGY DRINKS: COMO TRATAR A CATEGORIA NO PDV
Esse mercado é segmentado por tipo de produto: bebidas, shots e misturadores e o canal de distribuição principal não são as farmácias, segundo constata a mentoring empresarial, palestrante e consultora de empresas, Silvia Osso.
A ordem é: supermercados/hipermercados; lojas de conveniência; lojas especializadas e outros. “Esses produtos ainda ocupam um pequeno espaço de exposição e vendas nas farmácias voltadas para a saúde e crescem um pouco nas que se assumem como ‘farmácias de conveniência’”, comenta.
Ela ainda diz que os energy drinks estão localizados, principalmente, nas geladeiras próximas ao checkout e são considerados como mercadorias de “compra por impulso”.
Silvia reforça que, nos últimos anos, tem havido um aumento substancial na procura por bebidas não alcoólicas que podem ser vendidas em farmácias.
“Essa venda é impulsionada por um aumento da procura por bebidas funcionais, como energéticas, que são concebidas para complementar a saúde sem comprometer o sabor. Outro fator é a maior acessibilidade às bebidas não alcoólicas, aumentando a preferência do produto e a sua utilização, visto que focam em melhorias nas condições de vida das pessoas e que resultaram em estilos de vida modernizados e agitados”, comenta.
A diretora comercial da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Karen Corridoni, compartilha da mesma opinião, quando afirma que os energy drinks vêm crescendo seu potencial nas farmácias, especialmente considerando o aumento da demanda por produtos que promovem energia e bem-estar.
“Para vendê-los de forma eficaz, é necessário posicioná-los estrategicamente dentro da loja, de preferência em áreas de alta visibilidade e fácil acesso. A comunicação clara sobre os benefícios desses produtos é essencial, utilizando sinalizações”, ensina.