Veganismo: movimento crescente

Tendência que vem se consolidado ano após ano, o vegetarianismo e o veganismo não são apenas uma questão de alimentação.

De janeiro de 2012 a julho de 2016, o volume de buscas pelo termo “vegano” no Google cresceu 1.000% no Brasil. Um dado que mostra o potencial desse mercado e estilo de vida. Mas antes de continuar o tema, vale esclarecer a definição de cada um. Veganismo é o regime alimentar que exclui os produtos de origem animal. Segundo a engenheira de Alimentos e gerente de Certificação da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Maria Eduarda Lemos, os principais tipos de vegetarianismo são:

1. Ovolactovegetarianismo: utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação;
2. Lactovegetarianismo: utiliza leite e laticínios na alimentação;
3. Ovovegetarianismo: utiliza ovos na alimentação;
4. Vegetarianismo estrito: não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação.

Já o veganismo, segundo definição da Vegan Society, é um modo de viver. “É a prática de se abster do uso de produtos de origem animal, procurando excluir, na medida do possível e praticável, a utilização de qualquer produto de origem animal, seja na alimentação ou no vestuário. Um seguidor desta prática é conhecido como vegano”, explica Maria Eduarda.

Ela explica que veganos, tal como os vegetarianos, não consomem quaisquer alimentos que envolvam a morte de um animal, como, por exemplo, carne, peixe, moluscos ou insetos; sendo que adicionalmente e contrariamente aos vegetarianos, os veganos também não consomem quaisquer alimentos de origem animal, tais como laticínios, ovos ou mel.

“Ademais, não adquirem produtos ou materiais derivados de animais, tais como couro ou lã, produtos testados em animais, nem frequentam lugares que usem animais para entretenimento”, diz.

Os dados mais atualizados sobre o número de veganos e vegetarianos no País são de 2018, resultado de uma pesquisa do Ibope Inteligência que mostrou que 14% da população se declarou vegetariana, sendo que nas regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro este percentual foi ainda maior: 16%.

Os novos cosméticos

Os cosméticos naturais e veganos em geral são adotados por questões religiosas, éticas e que envolvam estilo de vida. Por não aplicarem ingredientes e subprodutos de origem animal e por serem livres de testes em animais, os cosméticos veganos têm sido escolhidos por consumidores engajados com a causa “cruelty-free”. No entanto, podem conter na fórmula conservantes e outros ingredientes com potencial alergênico.

“Acho importante revermos as definições uma vez que há muita confusão entre cosméticos veganos, orgânicos, naturais e artesanais”, pontua a médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Lilia Guadanhim, definindo-os da seguinte forma:

• Cosméticos naturais: as fórmulas devem conter 95% de ingredientes naturais e 5% de ingredientes orgânicos.
• Cosméticos orgânicos: possuem, no mínimo, 95% de matérias-primas orgânicas (sem químicas, como agrotóxicos, antes e durante o cultivo), em relação à quantidade total de matérias-primas utilizadas na formulação.
• Cosméticos veganos: não contêm qualquer ingrediente de origem animal, como a cera de abelha, lanolina, colágeno, albumina, gelatina e queratina. Além disso, não podem conter ativos testados em animais.
• Cosméticos artesanais: são confeccionados em pequena escala, priorizam ingredientes naturais e produzem pouco lixo. Contêm menos conservantes e, por isso, têm validade mais curta.

Essa estatística representa um crescimento de 75% em relação a 2012, quando a mesma pesquisa apontava para 8% de pessoas que se declaravam vegetarianas. “Acreditamos que o número de veganos reflete um percentual de 5% do total de vegetarianos, acompanhando estatísticas de outras pesquisas em outros países”, comenta Maria Eduarda.

A pesquisa também apontou um crescimento rápido no interesse por produtos veganos na população em geral: 55% dos entrevistados declararam que consumiriam produtos veganos se estivessem mais bem indicados na embalagem ou se preço fosse mais acessível (60%).

E de 2018 para cá houve um grande avanço no número de produtos com esse perfil nas gôndolas das farmácias e dos supermercados. O selo “produto vegano” ou “ingredientes livres de origem animal” já são comumente encontrados em alimentos e cosméticos.

Potencial de mercado

O veganismo é, na opinião da palestrante, consultora de empresas e especialista em varejo, Silvia Osso, uma das tendências que crescem a passos largos, ancorada pela busca por um estilo de vida mais saudável e pela crescente preocupação com a sustentabilidade e o futuro do planeta. “A procura por produtos e serviços específicos para esse público cresce na ordem de 40%, segundo dados da FCE Cosmetique”, revela.

Ela conta que 50% dos consumidores optam por produtos com ingredientes de origem natural quando se trata de cuidados pessoais, segundo levantou a Kantar Worldpanel 2020.

“A busca por itens com ingredientes de origem natural no segmento de produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPC) aumenta ano a ano. Pesquisas da Factor-Kline mostram que a onda na busca por produtos que tenham em sua formulação ingredientes de origem natural, que já foi considerado uma tendência passageira, fica mais forte a cada ano graças à demanda dos consumidores por esse tipo de produto com melhor desempenho”, afirma Silvia.

Para as farmácias e drogarias, esse é um mercado de grande potencial, mas que também exige adaptações e investimentos.

“O varejo farmacêutico pode se beneficiar muito desse mercado, mas precisa preparar os colaboradores para prestar informações. Eles precisam estar munidos de orientações de uso, comprovação de qualidade, além de provar dados de sustentabilidade social e de engajamento”, recomenda Silvia, reforçando que é preciso dar destaque à qualidade dos produtos no ponto de venda (PDV); e investir na exposição dos produtos, no treinamento de todos os colaboradores, desde os de venda até aqueles que trabalham no marketing e produzem materiais, como folders, sites e outras formas de divulgação.

“Essa é uma nova categoria que deve ser exposta como tal e ter um nicho especial, preferencialmente até com móveis especiais que chamem atenção para os aspectos mais naturais e boa sinalização visual. As subcategorias também devem ser separadas, como, por exemplo, as de Cuidados para a Pele (separando rosto de corpo); xampus e condicionadores; maquiagens; entre outras”, recomenda.

Silva reforça que o objetivo na hora da compra continua sendo o desempenho da fórmula, questões muito alinhadas com a filosofia da Geração Millennial, que anda se manifestando no universo da maquiagem, principalmente no mercado externo.

“O interesse por produtos com proposta orgânica, natural ou vegana é crescente. Assim, a demanda por informações detalhadas também está aumentando. Os consumidores mais jovens, em especial, vêm desenvolvendo o hábito de checar tanto os componentes como as políticas (sociais, de sustentabilidade, de formulação) relacionadas aos cosméticos que adquirem”, diz.

Portanto, vale pensar em embalagens que tragam informações mais claras, websites com conteúdo complementar sobre a formulação e serviços de suporte ao consumidor para responder a questionamentos do gênero.

Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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