Estudo mostra que Dexametasona e outros corticoides reduzem mortes por Covid-19

Pesquisa considerou ensaios clínicos randomizados feitos com 1,7 mil pacientes em estado grave

Um estudo de meta-análise, que reuniu evidências de sete ensaios clínicos realizados em 12 países, incluindo o Brasil, confirmou que medicamentos corticoides reduzem a mortalidade por Covid-19 em pacientes com quadros críticos da doença.

pesquisa, publicada nesta quarta-feira, 2, no prestigioso periódico científico Journal of the American Medical Association (Jama), avaliou a utilização de três medicamentos dessa classe: dexametasona, hidrocortisona e metilprednisolona. Os corticoides são anti-inflamatórios de baixo custo usados há décadas principalmente no tratamento de doenças inflamatórias, respiratórias e alérgicas, como asma e artrite.

Os estudos analisados tiveram a participação de 1,7 mil pacientes. Todos os ensaios clínicos foram randomizados, ou seja, os participantes de cada grupo (o que recebeu o medicamento e o grupo controle) foram escolhidos por sorteio. No grupo que tomou um dos corticoides, 32% dos pacientes haviam morrido após o período de seguimento de 28 dias. Já entre os pacientes que só receberam o suporte clínico padrão, a mortalidade no período foi de 40%; assim, equivalendo a um risco 20% menor de óbito entre os doentes que receberam a medicação.

Corticoides contra a Covid-19

A pesquisa também aponta que os corticoides se mostraram seguros, sem risco aumentado de efeitos colaterais graves. “Os eventos adversos variaram entre os estudos, mas não houve sugestão de que o risco de eventos adversos graves fosse maior em pacientes tratados com corticosteroides; exceto para os dois menores estudos, nos quais o número total de eventos adversos graves foi 1 e 3”, destaca o artigo publicado.

A meta-análise foi realizada por um grupo de trabalho formado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para dar rápida resposta sobre possíveis tratamentos para covid. O grupo conta com cientistas de todo o mundo, incluindo do Brasil.

Entre os estudos que foram considerados nessa meta-análise está uma pesquisa coordenada pelos principais hospitais privados brasileiros que mostrou que a dexametasona foi capaz de reduzir o tempo de entubação entre doentes graves.

Os pesquisadores brasileiros alertam que o benefício e a segurança dos corticoides são válidos para pacientes graves com covid, que precisam de suporte respiratório. Contudo, para quadros leves ou iniciais, o medicamento não tem benefício comprovado e pode até piorar a condição.

“O corticoide não vai curar a doença ou combater o vírus, ele vai modular a resposta inflamatória do organismo para combater uma reação exagerada. Só que essa resposta, no início da infecção, é o que combate o vírus. Ela só se torna prejudicial se fica desenfreada. Se você a bloqueia logo no início, pode aumentar o tempo dos sintomas”, explica Luciano Cesar Pontes Azevedo; superintendente de ensino no Hospital Sírio-Libanês, integrante do comitê-executivo da Coalizão Covid-19 Brasil e um dos autores do estudo.

Novas evidências

As novas evidências reafirmam os achados de um estudo da Universidade de Oxford (Reino Unido) divulgado em junho no qual a dexametasona mostrou-se capaz de reduzir em um terço o número de mortes entre pacientes entubados.

Nesta quarta, a OMS publicou recomendações oficiais para que corticóides como a dexametasona e a hidrocortisona sejam usadas no tratamento de pacientes graves do novo coronavírus. “Recomendamos corticosteroides sistêmicos para o tratamento de pacientes com covid-19 em estado grave e crítico. Sugerimos não usar corticosteroides no tratamento de pacientes com quadros não severos de covid-19”, disse a entidade em nota.

Foto: Shutterstock

Fonte: Estadão

Não se automedique, consulte um profissional de saúde.

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