
A Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês) aprovou um novo medicamento para o câncer de pâncreas avançado, no dia 26/08.
A agência concedeu aprovação acelerada ao primeiro comprimido do tipo “daraxonrasib”, que bloqueia uma proteína responsável por estimular o crescimento do tumor em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas. Trata-se de uma abordagem que fabricantes tentavam explorar havia décadas, mas sem sucesso.
Os comprimidos, de uso diário, serão comercializados pela farmacêutica Revolution Medicines sob o nome comercial Rasonque.
Pacientes que tomaram o medicamento tiveram quase o dobro do tempo de sobrevida, com menos efeitos colaterais graves, em um estudo que os dividiu aleatoriamente em dois grupos: um recebeu o tratamento experimental e o outro, quimioterapia.
Financiado pela própria Revolution Medicines, o estudo acompanhou 500 pacientes com câncer metastático – ou seja, que já se havia espalhado para outros órgãos – e que não respondiam mais ao tratamento anterior.
Sobrevida
Os pacientes tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses, em comparação com 6,7 meses entre aqueles que receberam quimioterapia.
Os efeitos colaterais incluíram erupções cutâneas, feridas na boca, diarreia e outros problemas digestivos. “Isso não é uma cura, é mais uma opção para esses pacientes”, disse o médico Pashtoon Kasi, do City of Hope Orange County, um centro de câncer da Califórnia. “Mas é a melhor opção que já tivemos.”
O câncer de pâncreas está entre os mais letais, porque é difícil detectá-lo antes que se espalhe para outros órgãos. A American Cancer Society estima que cerca de 67 mil novos casos serão diagnosticados nos Estados Unidos neste ano e que mais de 52 mil pessoas morrerão em decorrência da doença. A taxa de sobrevida em cinco anos é de 13%.
O medicamento ganhou atenção pública no início deste ano, quando o ex-senador Ben Sasse, republicano de Nebraska, contou ao programa 60 Minutes, da CBS, que sentia menos dor enquanto fazia o tratamento. O aumento do interesse público levou a FDA a permitir o “acesso expandido” antes de sua aprovação oficial, para pacientes que atendiam a determinados critérios.
Os reguladores da FDA destacaram que aprovaram o medicamento mais de seis meses antes da data prevista. “É nosso dever fundamental oferecer mais curas e tratamentos significativos aos pacientes o mais rapidamente possível”, disse em comunicado o comissário interino da FDA, Kyle Diamantas.
Fonte: Estadão
Foto: Shutterstock
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