
Andréa Frazão, da Eurofarma. Crédito: divulgação
O Fórum Marie Claire – A Revolução das Canetas Emagrecedoras reuniu, no dia 26 de junho, em São Paulo, médicos, pesquisadores e especialistas em consumo para discutir os impactos dos agonistas de GLP-1 na saúde e no comportamento do brasileiro. O evento, que contou com patrocínio da Novo Nordisk e da Eurofarma, além da participação da Mantecorp e da Skintec, trouxe à tona um dos temas mais relevantes do mercado farmacêutico atual: como garantir que esses medicamentos cheguem a um número crescente de pacientes de forma segura, acessível e sustentável.
O Guia da Farmácia acompanhou o fórum e conversou com a diretora de prescrição médica da Eurofarma, Andréa Frazão, que detalhou a estratégia da empresa para ampliar o acesso às canetas emagrecedoras e compartilhou sua visão sobre o futuro dessa classe terapêutica no Brasil.
O desafio da adesão ao tratamento
Um dos pontos centrais do debate é a baixa taxa de adesão ao tratamento com agonistas de GLP-1. Segundo Andréa Frazão, o problema não é exclusivo da obesidade, mas torna-se especialmente crítico nesse contexto, dado o caráter crônico da doença.
“A adesão de uma forma geral é um desafio enorme, é uma barreira grande ainda do tratamento a longo prazo”, afirma a executiva. “Alguns estudos mostram que as pessoas ficam três meses em tratamento, seis… Por isso que a gente bate tanto na chave de olhar como uma doença crônica, um tratamento longo, porque o reganho de peso é muito prejudicial à saúde também.”
Programa de suporte e democratização do acesso
Para enfrentar esse desafio, a Eurofarma estruturou o Eurocuida, programa de suporte ao paciente que oferece descontos de até 60% sobre o preço das canetas emagrecedoras. A proposta, segundo Andréa Frazão, vai além do subsídio financeiro.
“O nosso esforço não está centrado só em relação ao preço da semaglutida, e sim em todo o tratamento multidisciplinar que esse paciente precisa”, explica. “A gente consegue, dentro desse programa de suporte ao paciente, dar mais acesso, por exemplo, aos suplementos que complementam a jornada desse paciente.”
A Eurofarma atua como distribuidora dos produtos da Novo Nordisk no Brasil desde outubro de 2024, posição que a empresa considera estratégica para ampliar a capilaridade da distribuição e fortalecer o suporte oferecido ao longo da jornada de tratamento.
Perspectivas de mercado
O potencial de crescimento do segmento de GLP-1 no Brasil é expressivo. Andréa Frazão lembra que 20% da população brasileira convive com obesidade e que 6 em cada 10 brasileiros apresentam excesso de peso. Ainda assim, apenas uma parcela restrita tem acesso ao tratamento farmacológico.
“À medida que os preços caem e entram novos pacientes, você tem uma base bem crescente”, aponta a executiva, acrescentando que as estimativas apontam para expansão contínua do mercado até 2030.
Inovação e novos horizontes para os GLP-1
Outro tema relevante reforçado na entrevista foi o pipeline de inovação dentro da classe dos análogos de GLP-1. Diante da percepção popular de que a semaglutida seria uma tecnologia “ultrapassada”, Andréa Frazão fez questão de contextualizar o estágio atual da molécula.
“A semaglutida é a molécula que representa a maior inovação da medicina nos últimos anos. Ela é contemporânea porque tem muitos estudos em curso trazendo novas indicações”, afirma. Como exemplo, a executiva mencionou que, em novembro de 2024, a semaglutida 2.4 mg recebeu indicação para o tratamento da doença hepática esteatótica metabólica, popularmente conhecida como gordura no fígado.
Ainda assim, Andréa Frazão reconhece que novas moléculas estão em desenvolvimento pela indústria. “O mercado dos análogos de GLP-1 tem algumas combinações em pipeline. Novas moléculas vão chegar com mecanismos de ação ainda mais amplos. Isso é natural, é uma evolução de uma classe que é relativamente nova”, pondera, reforçando que a indicação médica deve sempre guiar as escolhas terapêuticas.
Investimento em inovação da Eurofarma e visão de futuro
Em 2025, a Eurofarma investiu R$ 750 milhões exclusivamente em estudos de inovação. A empresa, com 54 anos de atuação no Brasil e presença em 40 países, posiciona esse esforço como parte de um compromisso mais amplo de tornar a inovação acessível à população brasileira.
Para o varejo farmacêutico, acompanhar essa evolução exige preparação. O avanço das canetas emagrecedoras não se restringe ao medicamento em si: abre espaço para categorias complementares, como suplementos voltados ao manejo de efeitos colaterais e ao suporte nutricional, bem como para um atendimento mais consultivo por parte das equipes das farmácias.
O debate promovido pelo Fórum Marie Claire deixa evidente que o mercado de agonistas de GLP-1 ainda está em expansão no Brasil, com alto potencial de crescimento, mas também com desafios concretos a superar em adesão, acesso e segurança no uso.
Foto abertura: Guia da Farmácia
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