
Cerca de 14 mil toneladas de medicamentos perdem a validade todos os anos no Brasil, segundo um relatório da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal. Nesse cenário, cresce o engajamento das redes de farmácias e dos consumidores em fazer o descarte de maneira adequada.
São várias as consequências de descartar medicamentos de forma incorreta. “Descartar medicamento no lixo, vaso sanitário ou pia é um problema ambiental grave, porque esses resíduos vão parar, principalmente, nos lixões, contaminando até 450 mil litros de água por quilo de medicamento descartado inadvertidamente. Três famílias juntam um quilo de medicamento por ano. Então, colocar um ponto de coleta na farmácia é fundamental para a sobrevivência do planeta”, afirmou o CEO da BHS (Brasil Health & Sustainability), José Roxo, para a reportagem do Guia da Farmácia durante o Abrafarma Future Trends 2024, evento realizado em agosto, em São Paulo (SP).
A BHS foi pioneira na logística reversa de medicamentos no Brasil, acompanhou a elaboração da Política Nacional de Resíduos Sólidos e teve participação ativa na Norma da ABNT sobre Logística Reversa de Medicamentos, contou o executivo.
No evento, a empresa mostrou os programas de gestão ambiental e saúde que oferece para as farmácias. “Hoje, trabalhamos com gerenciamento de resíduos de saúde, ou seja, contratamos e gerimos empresas que coletam o que sobra nas farmácias, como medicamento vencido; grupo A, que é infectante ou contaminante; e perfurocortantes, que é o grupo E”, disse.
Coletores de medicamentos na farmácia
A BHS oferece também serviço de coleta dos medicamentos vencidos ou em desuso para atender ao consumidor final, por meio da instalação de coletores nas farmácias. “Personalizamos o coletor de medicamentos vencidos e orientamos a farmácia quanto ao local ideal. Não pode ficar do lado de fora do estabelecimento, por exemplo”, afirma Roxo.
Além disso, promove treinamento para as equipes das farmácias, porque há um processo a ser seguido. “Junto com o coletor, enviamos sacos, lacres, balança e uma documentação que deve ser emitida e projetada no site do governo. Então, a BHS cuida de toda essa burocracia, por meio de um sistema de tecnologia, para que a farmácia tenha o menor trabalho possível, e para que o consumidor só se preocupe em descartar quando estiver na loja”.
Segundo o executivo, em média, leva 90 dias para ter a adesão do consumidor a um programa de descarte na farmácia. “Ele vê o coletor, vê a mensagem, guarda em casa os medicamentos vencidos, esquece na primeira vez, volta na segunda e na terceira leva os medicamentos. E assim o ciclo começa”, explicou.
Na análise de Roxo, a cultura da reciclagem ainda é muito nova no Brasil e há o desafio conjunto da mídia e de toda a cadeia produtiva (indústria, distribuidor e varejo) de comunicar a destinação e o tratamento ideal para cada tipo de resíduo, conforme legislação.
Os serviços oferecidos pela BHS funcionam por meio do modelo de assinatura.
Foto: Divulgação BHS
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