
Em vídeo postado em seu Instagram, o Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sinfar-SP) anuncia que os farmacêuticos de São Paulo estão em estado de greve.
A presidente do Sinfar-SP, Renata Gonçalves, explica que o estado de greve é um período de alerta e mobilização que antecede uma possível paralisação do trabalho. “Caso as negociações falhem ou não avancem, a categoria pode deliberar em assembleia pela deflagração da greve”, pontua a líder da entidade, em entrevista ao Guia da Farmácia.
Reinvindicações do Sinfar-SP
Segundo Renata, as reivindicações do Sinfar-SP são aquelas democraticamente aprovadas pela categoria em assembleia. Entre as principais estão:
Regulamentação dos feriados: trabalho em feriados, horas extras ou folga compensatória. “Hoje, os trabalhadores cumprem, em sua maioria, jornada 6×1 sem qualquer repercussão econômica quando o trabalho é realizado aos feriados”, diz ela.
Pausas regulares durante a jornada: “ressaltamos que o trabalho farmacêutico nas drogarias é realizado em pé. O ritmo de trabalho em jornadas extenuantes (com apenas uma folga semanal) tem levado os farmacêuticos à exaustão física e psicológica”, adverte. Ela acrescenta que “os empregadores têm negado pausas para descanso durante a jornada em uma perversa lógica onde o lucro está acima da saúde dos seus trabalhadores”.
Folgas duplas obrigatórias e mensais em todo o setor: “o Sinfar-SP junta-se a todas as organizações pelo fim da escala 6×1 e, tem requerido, em nome da categoria, a concessão de uma folga dupla mensal aos trabalhadores para garantir um mínimo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida aos farmacêuticos. Os empregadores se negam a discutir esta garantia”, lamenta Renata. Por fim, o vale refeição diário é outra reinvindicação do sindicato.
Negociações
De acordo com a presidente do Sinfar-SP, todas as reivindicações da categoria foram entregues ao sindicato que representa as empresas (Sincofarma-SP) em abril deste ano e até a presente data os empregadores se negam a discutir de forma franca os pleitos dos farmacêuticos sobre o argumento de impacto econômico.
“A lei não prevê prazo para encerramento, todavia, a categoria tem a data base fixado no mês de julho. Hoje, estamos em outubro, portanto, em três meses as negociações não avançaram em quase nada”, afirma.
Melhores condições de trabalho
Renata destaca que todas as reivindicações da categoria estão diretamente ligadas à condição de trabalho. “Nota-se que as pausas regulares durante a jornada e a folga dupla são reivindicações que visam proteger a saúde do trabalhador. Hoje, eles são expostos à jornadas extenuantes sempre em pé. Também consideramos precário o trabalho sem a garantia mínima de um vale ou auxílio para refeição. Todas as reivindicações são para garantir uma básica e saudável condição de trabalho”, diz.
Sobre a jornada 6×1, a executiva do Sinfar-SP diz que grandes empresas do setor têm anunciado o seu fim, o que não é verdade. “As jornadas praticadas por estas empresas representaram aumento na jornada diária, onde o farmacêutico permanece à disposição do empregador cerca de 10 horas diárias e não garantem que o trabalhador goze, semanalmente, duas folgas consecutivas. O fim da jornada 6×1 deve garantir, basicamente, que o trabalhador usufrua de dois das consecutivos para o seu descanso, o que as empresas se negam a discutir”, finaliza.
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