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Mercado

Farmácias brasileiras: o próximo capítulo dos dermocosméticos e da K-Beauty

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 29 de setembro de 2026 Atualizado em: 28 de setembro de 2026 Nenhum comentário 16 Minutos de leitura
k-beauty beleza

O mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais deixou de ser apenas um território de vaidade para se tornar uma frente relevante de saúde, prevenção, bem-estar e inovação.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o setor movimentou cerca de R$ 200 bilhões em 2025, colocou o Brasil na terceira posição entre os maiores mercados consumidores do mundo e alcançou presença em 100% dos domicílios brasileiros. 1

Esses números dão a dimensão da oportunidade, mas não significam que todos os produtos devam ser vendidos da mesma maneira ou orientados por qualquer pessoa.

A oportunidade mais promissora está justamente na convergência entre dermocosméticos, cuidado farmacêutico e farmácia comunitária. A farmácia brasileira já é um ponto de contato cotidiano com a população. Nela, o consumidor encontra acesso, conveniência e confiança.

Quando esse ambiente incorpora uma orientação cosmetológica e estética qualificada, a compra deixa de ser um ato impulsivo e passa a fazer parte de um plano de cuidado possível, seguro e acompanhado.

Minha convicção é que o farmacêutico é o profissional mais bem posicionado para fazer esse aconselhamento dentro das farmácias e drogarias. Não porque substitua o dermatologista, o médico, o enfermeiro ou o esteticista, mas porque reúne formação em saúde, conhecimento de medicamentos e produtos para uso tópico, capacidade de avaliar riscos e contato direto com a população. Cabe-lhe orientar o uso racional de cosméticos e dermocosméticos, reconhecer limites, identificar sinais de alerta e encaminhar o cliente ao profissional adequado quando a demanda ultrapassar sua competência.

Um mercado grande, mas ainda mal aproveitado

É importante separar dois universos. O primeiro é o mercado amplo de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, que inclui cabelo, fragrâncias, banho, higiene bucal, maquiagem e cuidados corporais. O segundo é o segmento de dermocosméticos, mais concentrado em produtos para pele, proteção solar, corpo, face, lábios e categorias associadas ao autocuidado dermatológico.

No recorte de dermocosméticos, estudo da IQVIA apresentado pelo Retail Farma Brasil apontou faturamento de R$ 12,3 bilhões nos 12 meses encerrados em julho de 2025, com alta de 8,3% sobre o período anterior. O crescimento adicionou R$ 945 milhões ao mercado, dos quais R$ 796 milhões vieram de lançamentos. Proteção solar respondeu por 34% da receita; cuidados com o corpo, por 27%; e cuidados com a face, por 13%. 2

Esses números revelam duas características. A primeira é a força de categorias que têm relação direta com prevenção e cuidado diário. A segunda é a dependência de novidades. O mercado cresce, mas parte importante desse crescimento nasce de lançamentos que precisam ser compreendidos pelo consumidor. Uma prateleira cheia não é sinônimo de escolha bem feita. Pelo contrário: quanto maior o número de ativos, texturas, promessas e combinações, maior a necessidade de mediação profissional.

O caso da proteção solar é emblemático. O Brasil tem elevada exposição solar, diversidade de tons e tipos de pele, além de uma rotina em que calor, umidade, poluição e suor influenciam a adesão. Orientar não é apenas indicar um fator de proteção. É explicar quantidade, reaplicação, compatibilidade com maquiagem, uso no couro cabeludo e nos lábios, diferença entre filtros, resistência à água, conforto cosmético e situações em que uma lesão precisa de avaliação médica.

O mesmo vale para acne, rosácea, dermatite, hiperpigmentação, ressecamento, sensibilidade e envelhecimento cutâneo. O dermocosmético pode apoiar a barreira da pele e melhorar a experiência de cuidado, mas não deve ser apresentado como solução universal nem como tratamento para toda alteração cutânea. O farmacêutico agrega valor quando faz a triagem, organiza a rotina e evita que o consumidor associe vários ativos irritantes sem necessidade.

Onde os cosméticos são vendidos no Brasil

O consumidor brasileiro compra cosméticos por múltiplos canais: venda direta, lojas próprias e franquias, supermercados e hipermercados, perfumarias, salões de beleza, lojas especializadas, marketplaces, sites de marcas, redes sociais e farmácias. O e-commerce ampliou a comparação de preços e a descoberta de marcas, enquanto a venda física preserva a experimentação, a disponibilidade imediata e o aconselhamento.

A ABIHPEC descreve o setor como uma cadeia multicanal que chega a farmácias, supermercados, comércio eletrônico, venda direta, franquias e salões. 1 Não há, em fontes públicas abertas, uma única participação consolidada das farmácias para todo o universo de beleza e cuidados pessoais. Essa ressalva é metodologicamente importante: a participação do canal varia muito conforme a categoria, a definição de mercado e a métrica utilizada.

No recorte mais próximo da atuação farmacêutica, os dados da IQVIA ajudam a dimensionar a relevância do canal. No varejo físico, as grandes redes de farmácias representaram 57% das vendas de protetor solar, 60% de produtos para cuidado dos lábios, 47% de higiene oral, 33% de produtos para cabelo e 31% de higiene e cuidado pessoal. As farmácias independentes acrescentaram, respectivamente, 38%, 30%, 24%, 13% e 18%. 2 São percentuais de participação por categoria e canal, não uma fatia do faturamento total de todos os cosméticos.

O dado mais expressivo está na capacidade de descoberta. Segundo a IQVIA, a farmácia é percebida como fonte de descoberta de novos produtos, especialmente quando a decisão depende de confiança e explicação. 2 Essa vantagem não é automática. Ela precisa ser construída com equipe preparada, exposição coerente e uma experiência que não transforme aconselhamento em venda agressiva.

O digital também é parte da equação. No estudo da IQVIA sobre o canal farma, as vendas on-line das farmácias já representavam 7% das vendas totais no contexto analisado. 3 No estudo de dermocosméticos de 2025, entretanto, 83% das vendas ainda ocorreram em lojas físicas, embora o físico tenha perdido dois pontos percentuais. 2 A conclusão é clara: a farmácia do futuro deve ser omnicanal, mas não pode abandonar o valor do encontro presencial. O aplicativo pode lembrar a rotina, registrar a recompra e oferecer conteúdo. A consulta breve e qualificada é o que ajuda o consumidor a começar certo.

Por que o farmacêutico deve liderar o aconselhamento

A formação farmacêutica oferece uma base que nenhum treinamento comercial isolado consegue reproduzir. O farmacêutico estuda química, bioquímica, fisiologia, microbiologia, farmacologia, tecnologia farmacêutica, toxicologia, controle de qualidade, legislação sanitária e cuidado em saúde. Ao longo da graduação e da educação continuada, pode aprofundar cosmetologia, farmacotécnica dermatológica, estética, dermatofarmacologia e avaliação de produtos de uso tópico.

Essa formação permite compreender não apenas o que um produto promete, mas o que há dentro da formulação, como os ingredientes interagem com a pele, quais são as condições de armazenamento, como ocorre a aplicação e quais eventos adversos podem aparecer. Também permite analisar o contexto do usuário: idade, gestação, lactação, alergias, doenças, uso de medicamentos, procedimentos recentes e histórico de irritação.

As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Farmácia definem uma formação orientada para o cuidado em saúde, para a ciência dos medicamentos e para a atuação em diferentes níveis de atenção. 4 A Resolução CFF nº 585/2013, por sua vez, regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico. O texto prevê relação de cuidado centrada no paciente, anamnese, consulta em ambiente privativo, elaboração de plano de cuidado, registro das intervenções, monitoramento de resultados e encaminhamento integrado com outros profissionais. 5

Embora a orientação de um cosmético não seja automaticamente uma consulta clínica, os princípios da resolução oferecem uma estrutura ética e assistencial útil. Perguntar antes de indicar é melhor do que empilhar produtos. Registrar a orientação é melhor do que depender da memória. Acompanhar a resposta da pele é melhor do que celebrar uma venda isolada.

Há também uma responsabilidade de limites. O farmacêutico não deve diagnosticar doenças dermatológicas fora de sua competência, prometer resultados, recomendar procedimentos invasivos sem habilitação específica ou substituir uma avaliação médica. Na área de saúde estética, a formação complementar, a regulamentação profissional e as normas sanitárias devem ser observadas. 6 O melhor profissional para o aconselhamento cosmetológico na farmácia é, portanto, o farmacêutico capacitado, ético e consciente de quando deve encaminhar.

A literatura internacional reforça essa necessidade de formação contínua. Estudo recente com 252 farmacêuticos comunitários encontrou lacunas em conhecimento dermatológico, uso de medicamentos tópicos e reconhecimento de tratamentos, embora os participantes relatassem práticas relevantes de orientação e forte desejo de ampliar a capacitação. 7 A lição serve ao Brasil: defender o protagonismo farmacêutico não significa presumir que a graduação encerra o aprendizado. Significa investir em educação permanente e em protocolos baseados em evidências.

O que a K-Beauty acrescenta

A K-Beauty, expressão que reúne tendências e produtos associados à indústria de beleza sul-coreana, chegou ao Brasil impulsionada por cultura pop, redes sociais, comércio eletrônico e interesse por rotinas de skincare. Seu maior legado não é uma lista fixa de dez passos. É a valorização da prevenção, da consistência, da textura agradável, da hidratação em camadas e da combinação entre tecnologia, sensorialidade e design.

A popularidade coreana também ajuda a aproximar o público jovem da farmácia. Consumidores que antes compravam apenas protetor solar ou hidratante passam a procurar essências, tônicos, máscaras, séruns, limpadores suaves e produtos para barreira cutânea. O desafio é transformar a curiosidade em cuidado responsável.

Entre os produtos e ingredientes que devem ganhar espaço estão protetores solares com maior conforto, fórmulas híbridas com maquiagem, séruns de niacinamida, ácido hialurônico, vitamina C e peptídeos, produtos para recuperação de barreira com ceramidas, pantenol e madecassoside, máscaras de hidrogel e soluções para couro cabeludo. Também aparecem com força conceitos como microbioma, pós-bióticos, fermentados, PDRN, exossomos cosméticos e esponjas ou microestruturas vegetais comercializadas como spicules.

Nem toda novidade tem o mesmo nível de evidência. PDRN, peptídeos, probióticos, pós-bióticos e fermentados podem estar associados a mecanismos plausíveis e a estudos iniciais, mas a concentração, o veículo, a estabilidade e a qualidade metodológica importam. O farmacêutico deve traduzir a inovação sem converter linguagem de marketing em promessa terapêutica.

A regulamentação sanitária é outro ponto crítico. A Anvisa mantém regras para regularização e importação de cosméticos, e seu manual de importação orienta os procedimentos aplicáveis a cosméticos, saneantes e outros produtos. 8

A farmácia que incorporar K-Beauty deve trabalhar com fornecedores regulares, verificar rotulagem em português, lote, validade, responsável legal, notificação ou registro quando aplicável e condições de armazenamento. Produto viral não é sinônimo de produto regularizado.

Também será necessário adaptar a K-Beauty ao Brasil. Uma rotina desenvolvida para clima, hábitos e condições ambientais diferentes não deve ser copiada sem avaliação. Pele oleosa e sensível, alta radiação solar, banho quente, uso de maquiagem, barba, cabelo crespo, acne corporal e desigualdades de acesso pedem soluções brasileiras e personalizadas. A oportunidade está na combinação da inovação coreana com ativos, conhecimento e diversidade da população brasileira.

Como criar espaços de orientação no cotidiano

O espaço de orientação cosmetológica não precisa começar como uma clínica sofisticada. Pode nascer de um processo simples, integrado à operação da farmácia e protegido contra conflitos de interesse.

O primeiro passo é definir um ponto de atendimento com privacidade mínima, assento, iluminação adequada, materiais educativos e acesso ao farmacêutico. A conversa pode durar de cinco a quinze minutos, conforme a demanda. O cliente deve saber que se trata de orientação profissional e não de uma abordagem de venda.

O segundo passo é adotar um roteiro. A anamnese pode perguntar qual é a principal queixa, há quanto tempo existe, quais produtos já foram utilizados, como é a rotina de limpeza e proteção, se há ardor ou descamação, quais medicamentos e procedimentos estão em uso e se existem sinais de alerta. Gestação, alergias, histórico de dermatite e uso de ácidos ou isotretinoína merecem atenção especial.

O terceiro é simplificar. Em vez de recomendar cinco lançamentos, o farmacêutico pode organizar uma rotina mínima: limpeza adequada, hidratação compatível, fotoproteção e, quando indicado, um ativo específico introduzido gradualmente. O princípio deve ser começar com o necessário e acompanhar a tolerância. A adesão melhora quando a rotina cabe no bolso, no tempo e na vida real.

O quarto é criar protocolos de encaminhamento. Lesão que sangra, ferida persistente, mudança rápida de pinta, infecção extensa, dor intensa, edema importante, reação alérgica, acne grave, rosácea descompensada ou falha persistente exigem avaliação médica. O encaminhamento não reduz o papel do farmacêutico; mostra maturidade profissional.

O quinto é acompanhar. A farmácia pode enviar uma mensagem autorizada após duas ou quatro semanas, perguntar sobre tolerabilidade e lembrar a reaplicação ou a reposição. Também pode manter registro simples, com consentimento e proteção de dados. Indicadores como retorno do cliente, adesão, eventos adversos, encaminhamentos e satisfação ajudam a demonstrar valor.

A equipe precisa compartilhar uma linguagem única. Balconistas podem acolher, identificar a demanda e chamar o farmacêutico. Não devem substituir a avaliação profissional nem repetir promessas de fabricantes. Treinamentos curtos sobre fotoproteção, pele sensível, acne, cabelo e K-Beauty podem ser periódicos, com materiais científicos e atualização regulatória.

O sortimento também deve refletir a orientação. Uma farmácia que oferece aconselhamento precisa ter opções por faixa de preço, tipo de pele, textura e necessidade, inclusive produtos para peles negras, secas, oleosas, maduras e sensíveis. A exposição pode ser organizada por objetivos de cuidado, não apenas por marca. O consumidor entende melhor “proteção solar”, “barreira cutânea” e “limpeza suave” do que uma sequência de slogans.

As perspectivas para os próximos anos

Vejo pelo menos cinco avanços. O primeiro é a profissionalização da categoria. A farmácia deixará de tratar dermocosméticos como extensão indiferenciada da perfumaria e passará a operar com protocolos, treinamento, indicadores e jornada do paciente-consumidor.

O segundo é a integração físico-digital. A orientação iniciada na loja poderá continuar no aplicativo, com histórico de produtos, lembretes e conteúdo. A tecnologia não deve substituir o farmacêutico, mas liberar tempo para que ele faça perguntas melhores e acompanhe resultados.

O terceiro é a personalização responsável. Ferramentas de análise de pele, inteligência artificial e questionários digitais podem ajudar a organizar informações, mas precisam de validação, transparência e supervisão humana. Um algoritmo pode sugerir produtos; não deve dar falsa segurança diante de uma lesão suspeita.

O quarto é a sustentabilidade. Refis, embalagens recicláveis, fórmulas concentradas, rastreabilidade de ingredientes e redução de desperdício entrarão na decisão de compra. O farmacêutico pode incluir a sustentabilidade na orientação, sem transformar qualquer alegação ambiental em fato comprovado.

O quinto é a convergência entre cosmético, cuidado e prevenção. Protetor solar, hidratação, higiene, produtos para barreira e cuidados no contexto de tratamentos podem reduzir desconfortos e melhorar a qualidade de vida, sempre respeitando a fronteira entre cosmético e medicamento. A farmácia tem legitimidade para ocupar esse espaço porque está próxima do cotidiano e porque o farmacêutico pode conectar produto, pessoa e segurança.

A K-Beauty continuará trazendo novidades, mas o mercado brasileiro também produzirá suas próprias respostas: fotoproteção adaptada ao clima, produtos para cabelos e peles diversos, bioativos da biodiversidade, cosméticos inclusivos, soluções para menopausa, cuidado masculino, saúde do couro cabeludo e fórmulas com menor impacto ambiental. A tendência mais importante não será um ingrediente isolado. Será a capacidade de oferecer cuidado compreensível, acessível e baseado em evidências.

A farmácia brasileira tem diante de si uma escolha estratégica. Pode disputar apenas preço e exposição, ou pode disputar confiança. No primeiro caminho, a margem depende de volume e a novidade envelhece rapidamente. No segundo, a farmácia se torna referência de cuidado, cria relacionamento e ajuda o consumidor a usar melhor o que compra.

O protagonismo do farmacêutico nesse processo não é um privilégio corporativo. É uma consequência de sua formação, de sua responsabilidade sanitária e de sua presença no território. Quando bem preparado, ele é o profissional mais adequado para fazer o aconselhamento cosmetológico e estético no ambiente da farmácia: acolhe, investiga, orienta, acompanha e encaminha. Esse é o modelo capaz de transformar o potencial dos dermocosméticos e da K-Beauty em valor real para a população e em crescimento sustentável para o varejo.

Referências

[1] Tamanho do mercado de beleza e cuidados pessoais no Brasil — ABIHPEC

[2] Mercado de dermocosméticos movimenta R$ 12,3 bilhões — Panorama Farmacêutico, com dados IQVIA

[3] Panorama sobre o canal farma e o comportamento de consumo — ABIHPEC/IQVIA

[4] Resolução CNE/CES nº 6 — Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia

[5] Resolução CFF nº 585, de 29 de agosto de 2013 — Atribuições clínicas do farmacêutico

[6] Resolução CFF nº 669, de 13 de dezembro de 2018 — Saúde estética

[7] The role of pharmacists in dermatology: a cross-sectional evaluation of educational needs, knowledge, and practices of community pharmacists — BMC Health Services Research, 2025

[8] Manual Anvisa de Importação de Cosméticos, Saneantes e Outros

marcelo polacow k-beauty

 

*Artigo escrito pelo Professor Doutor Marcelo Polacow Bisson

Por Professor Doutor Marcelo Polacow Bisson

Farmacêutico, Professor e Pesquisador FCF-UNICAMP, Ex-Presidente CRFSP

 

 

 

Foto: Shutterstock/divulgação

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