
O Assaí Atacadista inaugurou nesta semana a primeira unidade da Assaí Farma com a meta de chegar a pelo menos 25 lojas até o fim de 2026 e, no longo prazo, atingir 250 unidades.
De acordo com análise do Itaú BBA¹, a Assaí Farma pode representar uma adição de aproximadamente 5,5% ao valor de mercado atual da companhia, estimada em cerca de R$ 650 milhões em valor presente líquido (VPL).
O cálculo leva em conta dois cenários de expansão: 25 lojas até o final de 2026 e 250 lojas até o final de 2028.
O relatório detalha os principais parâmetros utilizados na modelagem:
- Vendas mensais maduras de R$ 800 mil por loja, em linha com as médias divulgadas pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma);
- Margem bruta de 26%, aproximadamente 3 pontos percentuais abaixo do que praticam as farmácias listadas em bolsa, em função da ausência de benefícios fiscais e de menor poder de compra junto a fornecedores;
- Despesas de venda mensais de R$ 100 mil por loja, estimativa que já considera que custos como aluguel, utilities, limpeza e segurança são absorvidos pela operação principal do atacarejo; e
- Investimento de capital (capex) de aproximadamente R$ 300 mil por loja.
Com essas premissas, o Itaú BBA estima uma taxa interna de retorno (TIR) de cerca de 45% por unidade.
O banco destaca que a estrutura de custos mais leve é um dos principais fatores que sustentam esse retorno elevado: como a farmácia funciona dentro do espaço já existente do atacarejo, a carga marginal de investimento é significativamente inferior à de uma farmácia tradicional, tanto em capex quanto em despesas operacionais.
Assaí: modelo voltado à monetização de fluxo
A lógica do negócio, segundo o relatório, está baseada na monetização do tráfego já existente nas lojas do Assaí.
A operação foi lançada com um mix de aproximadamente 10 mil a 12 mil itens (SKUs), incluindo medicamentos GLP-1, os chamados canetas emagrecedoras.
Um ponto de atenção foi a possibilidade de a farmácia, com área de cerca de 120 metros quadrados, canibalizar categorias já vendidas no atacarejo.
A gestão da companhia demonstrou confiança de que a otimização do sortimento deve evitar deslocamentos relevantes.
O relatório também aponta que vitaminas e suplementos foram identificados pela empresa como categorias prioritárias, segmento considerado naturalmente complementar aos tratamentos com GLP-1.
Do ponto de vista operacional, o modelo foi desenhado para reduzir o atrito na jornada de compra.
A farmácia fica fisicamente adjacente à operação principal de alimentos, separada por uma área delimitada. O cliente também pode realizar compras pelo aplicativo Assaí Farma e retirar os pedidos ao final de sua passagem pela loja, com a separação realizada pela própria equipe da farmácia.
Contexto e riscos
O Itaú BBA ressalva que o lançamento da Assaí Farma ocorre em um ambiente operacional ainda desafiador para a companhia.
As vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) permanecem pressionadas por taxas de juros mais elevadas e pela migração de consumidores para produtos mais baratos, dinâmica que mantém o crescimento abaixo da inflação alimentar.
Caso esse cenário persista ao longo do segundo semestre, o banco avalia que pode ser difícil evitar alguma desalavancagem nas despesas gerais e administrativas, com potencial impacto nas margens de Ebitda e nas expectativas de lucro.
Nesse contexto, o banco indica que a tese de investimento no Assaí segue ancorada, em grande medida, na geração de caixa livre, com estimativa de retorno sobre o fluxo de caixa livre de aproximadamente 12% no ano.
Para o varejo farmacêutico, a entrada de um operador do porte do Assaí, com modelo de baixo custo marginal e forte tráfego de clientes, representa um movimento relevante a ser acompanhado pelo setor.
Referência
¹ Putting numbers to the Pharma operation. Itaú BBA. Relatório de análise sobre Assaí (ASAI3), divulgado ao mercado. Acesso em: 16/07/2026.
Fonte: Itaú BBA
Foto: Assaí
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