
Para quem precisa fazer reposição de ferro, manter o tratamento pelo tempo necessário pode ser um desafio. Embora a suplementação oral seja uma estratégia amplamente utilizada, efeitos adversos gastrointestinais, como constipação, dor ou queimação no estômago, náuseas, cólicas e diarreia, podem comprometer a continuidade do tratamento. Além do desconforto, há ainda manifestações que, embora não representem necessariamente dano ao organismo, podem incomodar o paciente, como o sabor metálico de algumas formas farmacêuticas1-3.
“Esses efeitos adversos podem levar, muitas vezes, ao abandono do tratamento. Eles estão relacionados, entre outros mecanismos, à formação de radicais livres de oxigênio no tubo digestivo durante a suplementação”, explica o hematologista-hemoterapeuta do Laboratório Gross, Dr. Mendel Suchmacher.
E apesar do desconforto na administração, o problema persiste e precisa ser resolvido. Dados do Ministério da Saúde e do Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) mostram que a intolerabilidade global ao ferro medicamentoso oral no Brasil pode chegar a 30% a 35%, enquanto as taxas de descontinuação ou abandono variam de 20% a 40%4,5.
Quando a tolerabilidade interfere na adesão
Os efeitos adversos são especialmente relevantes porque a interrupção da suplementação pode comprometer a correção da deficiência de ferro. Entre estes eventos estão constipação, dor ou queimação no estômago, náuseas, plenitude gástrica, diarreia, cólicas, enjoos e vômitos1-3.
“A adesão é uma questão central quando falamos em reposição de ferro. Se o paciente não consegue tolerar o suplemento, existe o risco da interrupção do tratamento antes que a deficiência seja adequadamente corrigida”, afirma Dr. Mendel.
Outro aspecto importante é a quantidade de ferro elementar fornecida pelo suplemento. Esse é o ferro efetivamente presente no composto para absorção e responsável pelo efeito biológico. Em formulações convencionais, parte significativa do peso do composto pode corresponder a outros componentes, e não ao ferro elementar. Por isso, a quantidade de ferro elementar deve ser observada na informação nutricional de cada produto6.
Como o ferro lipossomal pode ajudar
Nesse contexto, surge o interesse por tecnologias capazes de melhorar a entrega do mineral. O ferro lipossomal utiliza uma estrutura denominada lipossoma, uma espécie de nanocápsula lipídica que envolve o ferro e o protege durante sua passagem pelo trato gastrointestinal1-3.
“O lipossoma funciona como uma estrutura de proteção. O ferro permanece nanoencapsulado durante o trânsito pelo tubo digestivo e é liberado no interior da célula do epitélio intestinal, após a fusão do lipossoma com a membrana celular”, explica o Dr. Mendel.
De acordo com o especialista, esse mecanismo diferencia o ferro lipossomal das formulações tradicionais, nas quais o composto de ferro é liberado diretamente no estômago ou no intestino. A proteção oferecida pelo lipossoma reduz o contato do ferro livre com a mucosa gastrointestinal e o protege da ação de enzimas digestivas, da alcalinidade duodenal e de componentes da microbiota1-3. Na prática, isso pode favorecer a tolerabilidade do paciente à suplementação.1-3,7
Na prática, isso pode favorecer a tolerabilidade da suplementação. A tecnologia também está associada a um melhor aproveitamento do mineral, uma vez que o lipossoma conduz o ferro até a membrana do enterócito, liberando-o no interior da célula e reduzindo perdas no trato gastrointestinal7,1.
Biodisponibilidade é outro diferencial
Além da proteção gastrointestinal, estudos apontam para uma maior biodisponibilidade do pirofosfato férrico lipossomal em comparação com algumas formas convencionais.
Um melhor aproveitamento do mineral resulta na sua maior biodisponibilidade, uma vez que o lipossoma conduz o ferro até a membrana do enterócito, liberando-o no interior da célula e reduzindo perdas no trato gastrointestinal.
“Quando o ferro é protegido e liberado de maneira direcionada no interior do epitélio intestinal, há uma redução importante da perda do mineral no tubo digestivo. Isso ajuda a explicar as características de biodisponibilidade e tolerabilidade associadas à tecnologia”, afirma o Dr. Mendel.
Os dados apresentados pelo especialista do Gross também incluem um estudo com pacientes com doença renal crônica que apresentavam intolerância gastrointestinal ao ferro oral convencional. Após 12 meses de utilização de 30 mg/dia de ferro lipossomal, nenhum participante apresentou reação adversa que justificasse a interrupção do tratamento, e a adesão registrada foi de 100% nos períodos de 6 e 12 meses. O estudo também observou aumento dos níveis de hemoglobina1,2,7.
Alimentação e horário também entram na discussão
A relação entre ferro e alimentação é outro ponto que pode gerar dúvidas entre os pacientes. No caso de sais de ferro convencionais, tomar o suplemento junto às refeições pode melhorar a tolerabilidade, mas determinados componentes dos alimentos podem reduzir a absorção do mineral.
Entre os potenciais inibidores estão fitatos, presentes em cereais integrais e leguminosas; taninos e polifenóis, encontrados em café, chá e vinho tinto; além de cálcio e fosfato. Essas substâncias podem formar complexos insolúveis com o ferro, dificultando seu aproveitamento e liberando parte do ferro não absorvido pelas fezes 1-3.
“Uma das características do ferro lipossomal é justamente o isolamento do mineral em relação a esses fatores presentes no ambiente gastrointestinal. Dessa forma, a tecnologia pode reduzir a interferência de inibidores presentes nos alimentos”, explica o Dr. Mendel.
De acordo com o especialista, essa característica também permite que o ferro lipossomal seja administrado independentemente das refeições e em diferentes horários, eliminando o dilema entre tolerabilidade vs. taxa de absorção, observado com algumas formulações convencionais.1-3.
E qual é o papel da vitamina C?
A vitamina C é outro componente de destaque quando se fala em suplementação de ferro. Sua função está relacionada ao metabolismo e ao aproveitamento do mineral.
Associada ao ferro convencional, a vitamina C é conhecida principalmente por auxiliar na melhor absorção do ferro. Quando combinada com ferro lipossomal, ela atua de forma complementar na utilização desse mineral: “A vitamina C apoia a conversão do ferro do estado férrico, Fe3+, para o estado ferroso, Fe2+. Essa conversão é importante para que o ferro armazenado possa ser mobilizado e utilizado pelo organismo”, explica Dr. Mendel8,9.
Na associação com ferro lipossomal, a vitamina C pode estar direcionada também a uma etapa sistêmica. Segundo o especialista ouvido nessa reportagem, ela participa da redução do ferro armazenado na hemossiderina, permitindo que o mineral passe para a ferroportina e, posteriormente, seja transportado pela transferrina para diferentes tecidos9,10.
Vitamina C lipossomal
Assim como acontece com o ferro, a vitamina C também pode ser apresentada na forma lipossomal. Nesse caso, a proposta é utilizar a tecnologia de nanoencapsulamento para protegê-la da oxidação no ambiente gastrointestinal e preservar sua funcionalidade química.
“Quando a vitamina C também está na forma lipossomal, a tecnologia busca melhorar sua entrega ao organismo. Estudos recentes apontam maior eficiência na disponibilização da vitamina C no plasma em comparação com formas convencionais”, destaca o Dr. Mendel10-13.
Tecnologia como aliada da adesão
Para pacientes que necessitam de reposição de ferro por via oral, a tolerabilidade é um fator que não deve ser negligenciado. Nesse cenário, tecnologias que buscam proteger o mineral durante sua passagem pelo trato gastrointestinal podem representar uma alternativa para melhorar a experiência de suplementação.
“O objetivo de uma tecnologia como a lipossomal é, justamente, entregar o mineral de maneira mais eficiente, protegendo-o no ambiente gastrointestinal e reduzindo o contato do ferro livre com a mucosa. Com isso, há potencial para combinar melhor tolerabilidade, biodisponibilidade e adesão”, conclui Dr. Mendel.
Na reposição de ferro, a escolha da posologia deve considerar a indicação e as necessidades individuais de cada paciente quanto à quantidade de ferro elementar, sempre de acordo com a orientação de um profissional de saúde.
Veja os diferenciais do FerroFácil®13
FerroFácil®, do Laboratório Gross, é um suplemento alimentar de ferro e vitamina C lipossomais.
A tecnologia lipossomal protege os dois ativos contra enzimas digestivas e interações medicamentosas e alimentares durante o processo digestivo, através do nanoencapsulamento. Essa tecnologia também impede a ação irritativa do ferro no ambiente gastrointestinal, proporcionando menor desconforto para o paciente.
Com a absorção facilitada pela tecnologia lipossomal, FerroFácil® busca manter níveis adequados de ferro e contribuir para:
Células vermelhas: auxilia na formação das células vermelhas do sangue, ajudando a prevenir anemia e cansaço.
Bem-estar diário: auxilia no metabolismo energético e no transporte de oxigênio no organismo.
Referências
- Bhalla A, Kaushal S. Oral liposomal iron: a promising new strategy for anemia management in clinical practice. Biomed Sci Clin Res. 2023;2(2):211-214.
- Banerjee PD, Paul DA, Mukhopadhyay DM, et al. Liposomal iron: a novel approach for improved iron supplementation. West Bengal Chemical Industries Ltd. 2024.
- Maladkar M, Sankar S, Yadav A. A novel approach for iron deficiency anemia with liposomal iron: concept to clinic. J Biosci Med. 2020;8:27-41.
- Relatório de Recomendação da CONITEC: Avaliações sobre a eficácia, segurança e custo-efetividade de medicamentos para Anemia Ferropriva (incluindo pareceres sobre Sulfato Ferroso, Ferripolimaltose e Bisglicinato Ferroso).
- Manual de Posição Sanitária e Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Anemia Ferropriva: Traz os consensos nacionais sobre adesão ao tratamento, dosagem diária recomendada e manejo de efeitos adversos na Atenção Básica (PNSF – Programa Nacional de Suplementação de Ferro).
- ScienceDirect Topics. Elemental iron: an overview [Internet]. Amsterdam: Elsevier. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/topics/chemistry/elemental-iron. Acesso em: 09 set. 2026.
- Montagud-Marrahi E, Arrizabalaga P, Abellana R, et al. Hierro liposomal en la enfermedad renal crónica moderada. Nefrologia. 2020;40(4):446-52.
- MedlinePlus. Vitamin C in supplements [Internet]. Bethesda: U.S. National Library of Medicine. Disponível em: https://medlineplus.gov/vitaminc.html. Acesso em: 30 maio 2025.
- Williams Hematology. 10th edition. McGraw Hill. 2021.
- Purpura, M., Jäger, R., Godavarthi, A., Bhaskarachar, D. & Tinsley, G. M. Liposomal delivery enhances absorption of vitamin C into plasma and leukocytes: a double-blind, placebo-controlled, randomized trial. Eur. J. Nutr. 63, 3037–3046 (2024).
- Żmuda, P. et al. Bioavailability of Liposomal Vitamin C in Powder Form: A Randomized, Double-Blind, Cross-Over Trial. Appl. Sci. 14, 7718 (2024).
- Goodman and Gilman’s The Pharmacological Basis of Therapeutics, 13th Edition. McGraw Hill. 2017.
- Bula FerroFácil®, do Laboratório Gross. Disponível em: www.gross.com.br/produtos/ferrofacil. Acesso em: 14/09/2026.
Foto: divulgação