Fiocruz alerta que terceira onda pode representar crise sanitária ‘ainda mais grave’

Pesquisadores destacam que Brasil tem 'ligeira redução' nas taxas de mortalidade e na ocupação de leitos de UTI para a doença em alguns estados, mas casos continuam elevados

O Brasil se aproxima de uma terceira onda da pandemia no novo coronavírus.

O país registrou uma “ligeira redução” nas taxas de mortalidade pela Covid-19 nas últimas duas semanas.

Mas a incidência de casos se mantém elevada, assim como os valores de positividade dos testes para diagnóstico da doença.

As informações são do mais recente boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira.

De acordo com a Fiocruz, na semana entre 2 e 8 de maio, também se observou uma redução da ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a doença em grande parte dos estados.

No entanto, os pesquisadores afirmam que o conjunto de indicadores que vêm sendo monitorados pelo Observatório Covid-19 mostram que ainda há uma intensa circulação do vírus no país.

“A pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo das próximas semanas, além de dar oportunidade para o surgimento de novas variantes do vírus devido à intensidade da transmissão”, informa o boletim.

Indicadores precoces

“O número de casos continua estável e o índice de positividade dos testes muito alto: isso significa que tem muita gente se infectando e isso pode produzir casos graves. Esses são os indicadores mais precoces, que mostram que o vírus continua circulando com muita intensidade, e esse pode permanecer como um novo platô”, explica o sanitarista Christovam Barcellos.

Apesar da ligeira redução nos indicadores de criticidade da pandemia, a manutenção de um alto patamar exige que sejam mantidos os cuidados de prevenção contra o coronavírus, afirmam os pesquisadores da Fiocruz.

“Uma terceira onda agora, com taxas ainda tão elevadas, pode representar uma crise sanitária ainda mais grave”, alertam os autores do boletim.

Situação mais grave

“Por enquanto, ainda não vemos na população geral o impacto da vacinação, só nos idosos. Vamos entrar no inverno e temos que lembrar que os picos na Europa e nos EUA começaram nessa estação. Podemos ter uma terceira onda, e se a gente não conseguir acelerar a vacinação, vamos ter uma situação mais grave, porque ainda estamos em um nível muito elevado”, diz a epidemiologista  que foi coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues.

Ela avalia que o Brasil deveria ter, no mínimo, todos os idosos e pessoas com comorbidade imunizados quando começasse o inverno. E faz uma comparação com a primeira onda da doença no país:

“Tivemos uma desaceleração mas nunca chegou lá embaixo, no meio da curva voltou a subir. E possivelmente vamos ter a mesma tendência agora. Chegamos no pico mais alto ainda, vai descer, mas não chegar na ponta da curva, o que pode fazer ter um (próximo) pico mais alto ainda”, explica a epidemiologista.

Ocupação de leitos de UTI

De acordo com a Fiocruz, entre os dias 3 e 10 de maio, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) apresentaram quedas “relevantes” na região Norte, com o Acre e o Amazonas deixando a zona de alerta.

No Sudeste, Minas Gerais e Espírito Santo também saíram da zona de alerta crítico. O Rio de Janeiro, que entrou na zona crítica um pouco mais tarde do que os outros estados da região nessa fase recente da pandemia, agora é o único que permanece nela.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e o Distrito Federal apresentaram quedas no indicador e Mato Grosso deixou a zona de alerta crítico.

O Nordeste manteve “relativa estabilidade”, com alguma melhora na ocupação de leitos no Maranhão e Ceará e permanência de cinco estados com taxas de 90% ou mais.

Na Região Sul, o Rio Grande do Sul manteve a tendência de queda, diferente dos outros estados, que continuaram com taxas de ocupação superiores a 90%.

Barcellos explica que a taxa de ocupação de leitos é importante para a gestão hospitalar, mas não é indicado estabelecer políticas apenas baseadas nesse indicador:

No entanto, sete estados ainda encontram-se com taxas de ocupação iguais ou superiores a 90%:

Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Paraná e Santa Catarina.

E a mesma ocupação elevada foi observada em sete capitais:

Porto Velho (92%), Teresina (96%), Natal (92%), Aracajú (99%), Rio de Janeiro (93%), Curitiba (92%) e Goiânia (92%).

‘Ligeira’ queda nas taxas de letalidade

De acordo com o boletim, entre os dias 2 e 8 de maio foram registrados valores ainda altos de óbitos por Covid-19, próximos à marca de 2,1 mil mortes diárias.

E foram também notificados no país uma média de 61 mil casos diários.

“O número de casos aumentou ligeiramente, a uma taxa de 0,3% ao dia, enquanto o número de óbitos por Covid-19 foi reduzido a uma taxa de -1,7% ao dia, mostrando uma tendência de ligeira queda, mas ainda não representa uma tendência de contenção da epidemia”, informa a Fiocruz.

Também foi observada uma pequena queda nas taxas de letalidade, que, de acordo cmos autores, pode indicar um pequeno aumento da capacidade dos serviços de saúde no diagnóstico por meio de testes e tratamento hospitalar dos casos graves da doença.

Medidas de proteção e vacinação

Os pesquisadores destacam que somente medidas como evitar aglomerações e interação social em ambientes fechados e pouco arejados, e a intensificação da campanha de vacinação, podem garantir a queda sustentada da transmissão da Covid-19 e a recuperação da capacidade do sistema de saúde.

 

Ritmo de vacinação contra Covid-19 cai pela metade no Brasil 

Fonte: O Globo

Foto: Shutterstock

Indique para um amigo ... Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email
Print this page
Print

Deixe um comentário