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Notícias

Furtos crescem 29%: como tornar as farmácias mais seguras

Por Adriana Bruno 29 de agosto de 2025 Atualizado em: 29 de agosto de 2025 Nenhum comentário 7 Minutos de leitura
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O varejo farmacêutico brasileiro vive um momento de alerta: os furtos e roubos em farmácias estão crescendo e se tornando mais sofisticados. Dados recentes de pesquisas setoriais apontam que as farmácias estão entre os principais alvos de perdas no varejo, com destaque para furtos internos, externos e até ações coordenadas de quadrilhas.

“No varejo farma, as perdas, em 2024, chegaram a 1,25%, segundo a 8ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a KPMG. Esse percentual é superior ao registrado em 2023, que foi de 0,90%. O setor, impulsionado pelos furtos de medicamentos de alto valor como o Ozempic e similares, registrou aumento de 38,93% nas perdas totais e de 29,02% nos furtos”, conta o CEO da AOzawa Consultoria, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, Anderson Ozawa.

Exposição de produtos atrativos contribui com o crescimento dos furtos

Segundo Ozawa, esse crescimento está diretamente ligado à exposição de produtos atrativos, ao fácil acesso a itens de alto valor unitário e, em muitos casos, à ausência de um modelo de gestão estruturado de prevenção de perdas. “Muitos estabelecimentos ainda enxergam o furto como um “custo inevitável”, quando na verdade se trata de um risco que pode – e deve – ser controlado com estratégia”, pontua.

CEO da AOzawa Consultoria, Anderson Ozawa.

Além disso, o ambiente urbano mais vulnerável, o aumento da informalidade e a venda ilegal de medicamentos e cosméticos em plataformas não reguladas impulsionam esse cenário. “As farmácias estão sendo constantemente testadas, e somente com processos inteligentes é possível manter a segurança sem perder o foco no cliente”, afirma.

Os fatores que favorecem os furtos em farmácias são diversos e geralmente se conectam entre si:

  • Exposição desprotegida de produtos caros e pequenos;
  • Layouts que criam pontos cegos e dificultam a vigilância visual;
  • Falta de treinamento da equipe para reconhecer sinais de comportamento suspeito;
  • Excesso de estoques em razão de falhas na gestão de abastecimento das lojas;
  • Processos operacionais falhos no controle de recebimento, reposição e inventário;
  • Tecnologia de segurança obsoleta ou inexistente;
  • Ausência de cultura de prevenção integrada à rotina.

“Esses elementos, quando combinados, criam oportunidades que são exploradas com frequência. Um exemplo clássico é o excesso de confiança em sistemas de câmera sem acompanhamento em tempo real, que antenas antifurto sozinhas afastam os furtantes, ou a crença de que apenas a presença de um fiscal resolverá todos os problemas”, destaca Ozawa.

Prevenção de perdas

A prevenção de perdas exige uma atuação sistêmica, onde pessoas estejam preparadas, os processos sejam padronizados, a tecnologia seja bem aplicada, os resultados sejam auditáveis e as decisões orientadas por indicadores consistentes, pilares que sustentam toda operação rentável.

De acordo com Ozawa, os itens mais visados seguem um padrão claro: são de pequeno volume, alto valor agregado e rápida revenda. Entre os principais produtos furtados nas farmácias brasileiras, destacam-se:

  • Dermocosméticos e cosméticos premium (Vichy, La Roche-Posay, Eucerin, etc.);
  • Suplementos e vitaminas, como polivitamínicos, colágeno, Whey Protein;
  • Perfumes e desodorantes de marca;
  • Autotestes (gravidez, glicemia, HIV);
  • Cartelas avulsas de medicamentos controlados;
  • Maquiagens, esmaltes e produtos de beleza de alto giro;
  • Medicamentos para controle de diabetes com efeito secundário de emagrecimento, como Ozempic (semaglutida) e Trulicity (dulaglutida).

Grupo visado

O grupo de medicamentos popularmente conhecido como canetas emagrecedoras passou a ser especialmente visado com o aumento da sua procura para uso estético e off-label, criando uma demanda paralela alimentada por furtos e desvios. “São produtos caros, com alto valor percebido, e que costumam ser expostos de forma pouco protegida em muitas farmácias”, diz.

Por isso, segundo Ozawa, é fundamental tratá-los com critérios de controle rigorosos: exposição com travas, rastreabilidade em estoque, limitação de unidades por cliente e acompanhamento do inventário cíclico. “Prevenir a perda desses itens é preservar a margem da operação e garantir segurança no abastecimento regular ao público que realmente precisa”, comenta.

Como as farmácias podem se proteger?

A prevenção de furtos começa com uma análise crítica do layout da loja, da movimentação dos clientes e da rotina operacional. “Produtos de alto valor devem ser posicionados de forma estratégica: próximos aos caixas, sob vigilância ou com algum nível de controle no acesso — como vitrines fechadas, mock-ups ou exposição limitada por cliente”, explica Ozawa.

É preciso também adotar práticas claras de controle, como:

  • Reposição de estoque com acompanhamento;
  • Inventário cíclico para itens críticos;
  • Registros diários de quebras e perdas visíveis;
  • Acompanhamento da performance de vendas x movimentação de estoque.

Essas práticas devem estar integradas ao fluxo da loja e contar com a participação ativa da equipe. “Não basta ter o processo — é necessário garantir sua aplicação diária, com auditoria, correção de desvios e atualização contínua. Isso significa ter uma cultura de prevenção de perdas forte na empresa, com reforços constantes”, afirma Ozawa.

Como a tecnologia contribui com a prevenção de perdas e furtos?

A tecnologia é um dos grandes aliados na prevenção de perdas, desde que aplicada de forma inteligente e conectada à realidade da loja. De acordo com Ozawa, as principais soluções disponíveis são:

  • CFTV com inteligência analítica
    • Câmeras que analisam comportamento, detectam padrões suspeitos e emitem alertas em tempo real.
  • Devem ser instaladas em áreas de risco, caixas, corredores e sobre os produtos mais sensíveis.
  • Etiquetas eletrônicas (EAS)
    • Adesivas ou rígidas, disparam alarme ao tentar sair da loja sem passar pela desativação no caixa.
    • Indicadas para dermocosméticos, suplementos e fragrâncias.
  • Espelhos convexos
    • Baratos e eficazes, ajudam a eliminar pontos cegos e ampliar a percepção de vigilância.
  • Controle de acesso eletrônico
    • Garante que apenas pessoas autorizadas entrem em áreas críticas como estoques, salas de apoio e área de medicamentos controlados.
  • RFID e inventário digital
    • Aplicável a redes com maior volume, permite controle de movimentações em tempo real.

“O mais importante é que a tecnologia esteja acompanhada de treinamento, manutenção e análise de resultados. Sistemas desconectados da operação não produzem o efeito esperado”, enfatiza.

Fator humano não pode ser desconsiderado

O colaborador é o principal agente de prevenção de perdas da farmácia. Quando bem treinado, ele enxerga além da função operacional e passa a atuar como guardião da loja, identificando sinais, orientando clientes e evitando perdas com atitudes simples e eficazes.

Treinar é mais do que repassar procedimentos: é formar cultura preventiva. Isso inclui:
  • Sensibilização sobre o impacto das perdas no negócio;
  • Capacitação para identificar e relatar comportamentos suspeitos;
  • Abordagem correta e segura de situações críticas;
  • Conhecimento dos procedimentos de segurança e conferência de estoque;
  • Participação nos inventários e nas rotinas de prevenção.

“A equipe bem treinada atua de forma discreta, educada e eficiente. Torna-se parte da solução e não apenas executora de tarefas”, complementa Ozawa.

Impactos no negócio

As perdas por furtos afetam diretamente o caixa, a margem e a reputação da farmácia. Quando um produto é furtado, a empresa não perde apenas o item, perde a venda, o giro de estoque, a confiança do cliente e o equilíbrio financeiro.

Além disso, perdas constantes geram:

  • Redução da rentabilidade e necessidade de compensar com aumentos de preço;
  • Ruptura de itens estratégicos, afetando a imagem com o consumidor;
  • Desconforto da equipe e clima organizacional de desconfiança;
  • Dificuldade de manter um controle de estoque confiável;
  • Maior pressão sobre a operação, logística e relacionamento com fornecedores.

“Em um mercado cada vez mais competitivo, permitir que as perdas avancem é comprometer o futuro do negócio. A prevenção, por outro lado, aumenta a eficiência, melhora a lucratividade e protege o ativo mais importante da empresa: sua reputação”, finaliza Ozawa.

Foto: Shutterastock 

Leia também:

Pesquisa aponta farmácias no topo do ranking de furtos no varejo

Adriana Bruno

Formada em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes, atua na área há quase 30 anos e é especializada em varejo, negócios e saúde.

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