O crescimento da utilização dos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil tem ampliado as discussões sobre seus benefícios terapêuticos, mas também reforçado a importância do acompanhamento clínico para o monitoramento de possíveis efeitos adversos.
É o que mostra uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Formação, Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (IFEPEC), braço da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) dedicado a promover o conhecimento e a capacitação das redes e farmácias.
A pesquisa, de abrangência nacional e realizada com 1.067 médicos brasileiros, identificou quais são as principais reações relatadas por pacientes em tratamento com medicamentos da classe, utilizada principalmente para obesidade e diabetes tipo 2.
Efeitos gastrointestinais
Segundo os profissionais entrevistados, os efeitos gastrointestinais estão entre as manifestações mais frequentes observadas na prática clínica. Entre os sintomas mais citados estão náuseas, constipação intestinal, vômitos, diarreia, dispepsia, azia, refluxo, flatulência e arrotos com gosto de enxofre.
Alterações comportamentais também aparecem entre os relatos
Além das reações gastrointestinais, a pesquisa identificou efeitos psicológicos e comportamentais relatados pelos pacientes.
Entre eles estão a anedonia alimentar, caracterizada pela perda do prazer associado à alimentação, e alterações de humor. Esses relatos demonstram que os impactos dos GLP-1 podem ir além das mudanças metabólicas e do controle do apetite.
Sintomas sistêmicos
Os profissionais também citaram a ocorrência de sintomas sistêmicos e neurológicos, como dor de cabeça, fadiga, sensação de fraqueza e tontura.
Essas manifestações podem estar relacionadas a diferentes fatores, incluindo mudanças alimentares, perda de peso acelerada e adaptação fisiológica ao tratamento. Por isso, a avaliação individualizada de cada caso é considerada essencial para garantir a segurança terapêutica.
Perda de massa magra preocupa especialistas
Entre os efeitos observados em tratamentos de longo prazo, os médicos destacaram a perda de massa magra, condição conhecida como sarcopenia, e alterações estéticas decorrentes do emagrecimento rápido, frequentemente associadas ao chamado envelhecimento facial.
Segurança do GLP-1 depende de acompanhamento profissional
Embora os efeitos adversos façam parte da experiência clínica observada pelos médicos, a pesquisa reforça que os GLP-1 continuam sendo amplamente reconhecidos pelos benefícios proporcionados no tratamento da obesidade, do diabetes tipo 2 e de outras condições cardiometabólicas.
Nesse cenário, os resultados reforçam a importância do uso sob prescrição médica e do acompanhamento contínuo dos pacientes, permitindo que os benefícios terapêuticos sejam alcançados com maior segurança e efetividade.
Foto: Shutterstock
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