
O Grupo AMR, que reúne atualmente 460 lojas distribuídas em 14 estados e no Distrito Federal, aposta na profissionalização da gestão como principal caminho para sustentar o crescimento no varejo farmacêutico. Segundo o gerente de operações, Lucas Félix Vasconcelos, o cenário do setor exige adaptação rápida, sob risco de fechamento de empresas.
“O que a gente busca, na última linha, é performance. E a gente entende que hoje o mercado está muito precário de gestão”, afirma, em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia durante o Conexão Farma 2026.
Ele destaca que, apesar da evolução registrada nos últimos anos, o momento atual exige maior preparo. “As farmácias que não se precaverem vão passar por uma reestruturação. Quem não estiver preparado, vai fechar as portas”.
Expansão
Um dado recente reforça uma preocupação: a abertura de novas lojas caiu 40%, movimento que, segundo o executivo, impacta todo o setor. “Esse é um número que preocupa muito, não só o Grupo AMR, mas o mercado como um todo”, diz.
Nos últimos anos, a companhia intensificou sua expansão. Em 2024, o grupo alcançou faturamento de R$ 1,4 bilhão, avançando para R$ 1,5 bilhão em 2025. Parte relevante desse crescimento veio da melhoria de desempenho das unidades já existentes. “Desse crescimento, 60% foram relacionados à evolução de faturamento médio das lojas que já estão no grupo”, destaca Vasconcelos.
A estratégia, no entanto, vai além da abertura de novas unidades. “O foco principal do Grupo AMR é pautado em gestão. Precisamos entregar gestão de sortimento e gestão financeira”, explica. Segundo ele, a falta de organização administrativa ainda é um dos principais desafios das farmácias independentes. “O dono ainda faz tudo: vende, compra, precifica. E não abre a cabeça para o negócio como um todo. É aí que começam os problemas financeiros”.
Faturamento acima de R$ 1 bi
Para 2026, o grupo projeta faturamento de R$ 1,6 bilhão e a incorporação de 130 novos pontos de venda (PDVs). O modelo de expansão segue o formato de franquia que, para o Grupo, exige maior capacidade de investimento dos parceiros.
Regionalmente, o Nordeste é prioridade. Atualmente, com 82 PDVs na região, o grupo prevê abrir 24 novas unidades apenas no primeiro trimestre de 2025, com expectativa de alcançar para 100 PDVs em Pernambuco. “A ideia é reaquecermos o mercado, que ainda é muito carente de informação”, afirma. A expansão deve gerar 168 empregos e movimentar entre R$ 4,8 milhões e R$ 5 milhões em investimentos.
Presença ampliada
A empresa também iniciou operações no Norte e ampliou sua presença no Sul, consolidando uma estratégia de crescimento nacional. Em Minas Gerais, onde concentra mais de 200 PDVs, o grupo se prepara para mudanças no regime tributário. “A gente se antecede aos movimentos. Em São Paulo, as lojas conseguiram aumentar o fluxo de caixa ao invés de perder capital”, explica.
Na frente comercial, o AMR movimentou R$ 1 bilhão em transações com a indústria em 2025 e projeta atingir R$ 1,3 bilhão em 2026. O grupo conta com mais de 60 parceiros e aposta no fortalecimento do trade e da experiência em loja. “Se a loja não está visível, o cliente não entra. O layout e a exposição são fundamentais”, diz.
Farmácias nos supermercados
Sobre a entrada de medicamentos em supermercados, Vasconcelos avalia que o impacto tende a ser limitado. “Não é preocupante no momento. Vai funcionar como um PDV dentro do mercado, como já acontece”, afirma. Para ele, a tendência abre oportunidades, especialmente na integração entre os setores alimentar e farmacêutico. “Quando a gente une essas duas potências, cria um bloco muito forte”.
Atualmente, o grupo já possui 21 unidades instaladas dentro de supermercados. “A gente vê com bons olhos. É um mercado que precisamos navegar”, conclui.
Foto: Guia da Farmácia