Hidroxicloroquina não deve ser usada como prevenção contra a Covid-19, indica diretriz da OMS

Recomendação ocorre com base em evidências concretas de 6 estudos científicos que, juntos, reuniram mais de 6 mil pacientes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz na qual pede fortemente que a hidroxicloroquina não seja usada como tratamento preventivo da Covid-19.

O documento foi divulgado na última segunda-feira (1) na revista científica “The BMJ”.

A recomendação é feita por um painel de especialistas internacionais do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS (GDG).

Desde julho do ano passado, a organização informa que não tem encontrado benefícios no uso do antimalárico contra o coronavírus.

No entanto, desta vez, a conclusão passa a ser uma orientação concreta e oficial para os países e profissionais de saúde.

Esta forte recomendação é baseada em seis estudos clínicos com evidências de alto nível.

Juntos, eles somaram mais de 6 mil participantes e confirmaram que o medicamento não é eficiente na prevenção contra a doença.

Além disso:

Evidências de alta certeza apontam que a hidroxicloroquina não tem efeito significativo na prevenção de hospitalização e morte devido à Covid-19.

O antimalárico também não teve efeito em evitar a infecção pelo Sars CoV-2, com evidências classificadas como moderadas (estudos clínicos com leves limitações e estudos observacionais bem delineados e com achados consistentes).

“Neste caso, a hidroxicloroquina não teve nenhuma melhora nem nos pacientes leves a moderados, nem nos hospitalizados. E ela aumentou, provavelmente, os efeitos adversos, que levaram inclusive à descontinuação” – a pós-doutora em epidemiologia, Ethel Maciel.

Sem prioridade

A OMS também pede que as pesquisas com a hidroxicloroquina como prescrição para a Covid-19 não sejam prioridade.

O painel avalia que é importante concentrar esforços financeiros em medicamentos com mais chance de combater o coronavírus.

No Brasil, o medicamento chegou, então, a ser recomendado como um dos integrantes do Kit Covid, voltado ao suposto “tratamento precoce” da doença.

Contudo, a droga foi prescrita por médicos brasileiros apesar de estudos científicos não apontarem benefícios e alertarem para riscos associados ao uso.

Um levantamento do Conselho Federal de Farmácia ( CFF) mostrou, contudo, que a venda do antimalárico nas farmácias mais que dobrou, passando de 963 mil em 2019 para 2 milhões de unidades em 2020.

Linha do tempo da OMS x hidroxicloroquina contra a Covid-19

27 de março de 2020: OMS inicia pesquisa com 50 países sobre a eficácia de 4 medicamentos contra o coronavírus, incluindo a cloroquina e a hidroxicloroquina.

8 de abril de 2020: OMS diz que 74 países estão fazendo testes com a hidroxicloroquina.;

19 de maio de 2020: Não há evidências para recomendar cloroquina e hidroxicloroquina contra a Covid-19, diz diretor da Opas.

20 de maio de 2020: OMS diz que cloroquina pode causar efeitos colaterais e portanto não tem eficácia comprovada no tratamento da Covid-19.

25 de maio de 2020: OMS anuncia a suspensão de testes com a hidroxicloroquina em pesquisas que ela coordenava com cientistas de 100 países.

3 de junho de 2020: OMS anuncia que vai, então, retomar testes com hidroxicloroquina para Covid-19.

17 de junho de 2020: OMS suspende, todavia, pela segunda vez testes com hidroxicloroquina contra a Covid-19.

10 de julho de 2020: “Não conseguimos demonstrar um benefício claro”, diz OMS sobre o uso da cloroquina.

15 de outubro de 2020: estudo liderado pela OMS afirma ineficácia de 4 antivirais contra a Covid-19 – incluindo, então, a hidroxicloroquina.

Fonte:  G1

Foto: Shutterstock

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